33Giga Tecnologia para pessoas

Negócios

Por que é importante discutir sobre inclusão no mercado tech?

Quando o assunto é cenário corporativo, investir na diversidade se tornou mais do que essencial. Ainda mais no setor da tecnologia. Além de ser uma demanda social, promover a inclusão no mercado tech pode enriquecer a cultura organizacional da empresa. Isso porque uma equipe diversificada consegue ter vários pontos de vista sobre determinado assunto e criar soluções para públicos distintos.

“Quando se pensa na criação de um produto ou serviço, pessoas diferentes, com histórias e CEPs diversos, acrescentam mais em aspectos como criatividade, cultura, desenvolvimento e aprendizagem, do que aqueles de origens e status semelhantes”, comenta Liana Alice, mulher trans, especialista em programação e professora da {reprograma}.

Leia mais:
Aplicativo ajuda indústrias na inclusão de trabalhadores com deficiência
50 drag queens incríveis para seguir no Instagram

Barreiras que impedem a inclusão no mercado tech

Embora o cenário esteja mudando, a dificuldade na inclusão no mercado tech ainda é uma realidade para muitas mulheres, principalmente trans e travestis no Brasil. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), por exemplo, revelou que 90% delas recorrem à prostituição, pelo menos em algum momento da vida. Isso ocorre, principalmente, pela falta de oportunidades e o forte preconceito na sociedade.

Abaixo, Liana destaca as três maiores dificuldades que mulheres trans e travestis enfrentam ao buscar oportunidades na área tech:

  • Estigma: é o retrato do preconceito, a forma banalizada como as mulheres trans e travestis são vistas por parte da sociedade, com uma visão estereotipada e caricata;
  • A falta de estruturas: as estruturas são sobre os espaços que são negados para a maioria das travestis e trans, como escola e universidade;
  • Medo: esse sentimento vai e vem de ambos os lados, como a ideia de que as trans vão corromper a família tradicional ou um “ideal de família”.

Homens se sentem “intimidados” com a presença feminina no setor tech?

Muitas vezes, o “mundo nerd” é tido como algo masculino. É como se houvesse uma barreira invisível que afasta as mulheres desse espaço, além da barreira visível de misoginia vista em jogos, séries e filmes “geeks”. Mas o total de trabalhadoras na área de tecnologia pode ultrapassar o de homens nos próximos 10 anos, de acordo com o Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea).

Prova disso é que, nos últimos tempos, iniciativas vêm sendo criadas para garantir o apoio à inclusão no mercado tech e, consequentemente, à diversidade. Uma delas é o projeto “Todas em Tech”, da {reprograma}, que tem como objetivo impactar mais de 2 mil mulheres, preferencialmente negras, trans e travestis, na área de programação front-end e back-end.

“Na área de TI ainda existe o sentimento de que a mulher é uma invasora desse espaço, majoritariamente, masculino. É muito importante quando, dentro do grupo, os colegas conseguem diminuir esse sentimento de intimidação e criar conexões boas de parcerias e trabalho”, comenta Liana.

Educação leva alunas trans e travesti para o mercado de trabalho

A busca pela inclusão no mercado tech precisa oferecer suporte para que pessoas excluídas dos espaços sociais possam se desenvolver e, além disso, acreditar nos processos. Abrir canais para que elas possam ser ouvidas e respeitadas, por exemplo, é um bom começo.

Esse cenário, no entanto, pode levar algum tempo para atingir toda a área. A {reprograma} compreende isso e acredita que a educação pode ser o fator decisivo nessa inclusão. “Neste ano, tive a felicidade de dar aulas para alunas trans e travestis nas turmas de back-end e front-end. Uma média de 5 pessoas por turma. Um número que superou todos anos anteriores”, conta Liana.

Algumas das alunas já são professoras, outras conseguiram seus primeiros trabalhos em empresas de TI. Houveram também desistências, muito também pelo tanto de dedicação e disponibilidade que são necessários em um bootcamp. Porém, o resultado final é a prova de que é possível formar trans e travestis e capacitá-las para o mercado de trabalho.

Quer ficar por dentro do mundo da tecnologia e ainda baixar gratuitamente nosso e-book Manual de Segurança na Internet? Clique aqui e assine a newsletter do 33Giga