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Resumão da Semana

10 coisas que eu odeio em VOXÊ, VOXÊ e VOXÊ

  • Créditos/Foto:Reprodução / Morfina / Site
  • 13/Novembro/2025
  • Sérgio Vinícius

Devido a uma sucessão incrível de fatos (que serão oportunamente explicados em breve), Joné acordou com a Madonna ao seu lado. Na verdade, sobre ele. Fazendo respiração boca-a-boca. Ele tossiu, expeliu boa parte da água que havia engolido, arregalou os olhos e, ao se certificar que era realmente a Madonna, teve uma parada cardíaca.

Cinco minutos depois, Joné acordou com a Madonna ao seu lado. Na verdade, sobre ele. Com um desfibrilador em punhos, sobre o peito de Joné, ressuscitando-o na marra. Joné despertou assustado. Estava tremendo. Arregalou os olhos e, ao se certificar que era realmente a Madonna, perdeu os sentidos novamente.

Acordou alguns minutos depois, sem ninguém ao lado. Olhou ao redor e não viu sinal de Madonna, Cindy Lauper ou, sequer, uma sósia da Jane, parceira do Erondy, por perto. Na verdade, não havia ninguém naquele lugar.

Lugar, diga-se, que parecia, e muito, uma ilha deserta. Havia areia, havia mar, havia coqueiros. Só não havia mais Madonna. Joné se sentou na praia e, confuso, tentou relembrar como teria parado ali.

Não conseguiu.

Pensou em levantar e explorar o local. Talvez, se desse sorte, encontraria algo para comer. Para beber, pensou, não precisava se preocupar. Sempre havia água do mar.

Enquanto ensaiava levantar da areia e ir tomar um gole do oceano, considerou o estranho sonho que havia tido. Com Madonna sobre ele, primeiro beijando-o. Depois, desfibrilando-o.

Sorriu e foi beber um pouco.

Do outro lado da ilha, Madonna, sozinha, cantarolava baixinho “Like a virgin”e pensava no azar que havia dado. Depois da grande explosão, somente havia sobrado ela e justamente um rapaz que ela resgatara do mar e que, em seus braços, havia morrido duas vezes.

“E agora”, pensava, “com quem repovoarei o mundo”?

Ainda na dúvida, começou a tirar a roupa. Já que estava sozinha, queria pegar um bronzeado. Com isso, talvez, atraísse alguma espécie primitiva, mineral, vegetal ou animal, o que quer que fosse, para acasalar.

Do outro lado da ilha, Joné tossia muito, engasgado com a água do mar.

 

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O bom de ter uma newsletter completamente aleatória é que as cobranças dos leitores aparecem de forma sutil e um tanto amalucada. Na semana passada, escrevi essa caralha em cima da bucha e saiu o que saiu.

Nessa, com o auxílio luxuoso de algumas pessoas que recebem isso aqui, consegui fazer uma colcha de retalhos nojenta. Mas repleta de conteúdo de gosto duvidoso.

Houve quem me cobrasse os 10 amo e odeio da semana. Teve quem me perguntasse se eu tenho cultura ou se eu lembro da Turma do Gueto (programa do Netinho de Paula, com D Menos Crime, com Pelé, com Supremo, com tudo).

Também apareceu quem quisesse saber mais sobre Joné, Madonna e Cláudio Zoli. Por conta disso, fiz um apanhadão de coisas na base do CTRL + C e CTRL + V e é o que temos.

Os links da semana não estão dos melhores porque a curadora está, neste momento, fazendo um treinamento de direção defensiva e fuga em um carro forte (e é verdade). Além do que, confesso, o 33Giga ficou meio largado nesta semana mesmo.

MORFINA, em algum momento entre 2005 e 2009

 

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– Canta “Like a Virgin”, vai.

– De novo isso, Joné? São três da manhã.

– Vai, por favor. Só mais uma vez.

– Tá bom, tá bom.

“Like a Vigiiiiiiiiiiin, touched for the very…”

– Não, não. Pára. Assim não. Quero que você dance também.

– Mas são três da manhã, homem. Já estamos deitados. Eu tô com sono.

– Ih, se eu soubesse que ia ser assim, não tinha chamado você para sair.

– Você me chamou só por isso? Só porque eu sei cantar “Like a Virgin”?

– Só, não. Isso é importante. Desde aquele dia que vi você no palco da “Parruda´s Bar e Drinks”…

– Aquele dia? Isso foi ontem.

– Ontem, aquele dia… tanto faz. De qualquer forma, desde então não consegui pensar em outra coisa. Só em você cantando “Like a Virgin”.

– Mas ‘naquele dia’ eu cantei “Vogue”.

– Eu sei, mas eu tava meio bêbado. Além disso, fantasiei com você cantando “Like a Virgin”. Daí, uma coisa levou a outra e quando vi estava apaixonado por você. Ou melhor, por você cantando “Like a Virgin”. Ou melhor melhor, por você cantando e dançando “Like a Virgin”

– Nossa, se isso é tão importante para você, vou levantar e cantar. Peraí.

– Oba.

“Like a Vigiiiiiiiiiiin, touched for the very…”

– Não, peraí.

– Que foi, Joné?

– Precisa de um palquinho.

– Mas…

– Peraí. Vou à cozinha pegar um banquinho.

– Mas..

– Ou melhor, vamos até lá. Em vez de banquinho, você canta na mesa. Para ficar mais real.

– Aí não vai dar.

– Como?

– Não, na mesa não. Mesa é um lugar sagrado para mim. Não canto e não danço sobre o lugar em que reparto o pão.

– Mas Madonna…

– E pensando bem, vou embora. Essa sua doença por “Like a Virgin” já passou dos limites.

– Não é por “Like a Virgin”. É por você cantando e dançando “Like a Virgin”. Quantas vezes vou ter que explicar?

– Ai, ai, ai. Tchau, Joné.

– Escuta, Madonna. Só mais um favor, antes de você se pirulitar.

– Que?

– Pode sair assobiando?

– “Like a Virgin”?

– Ah rã.

– Mas seu negócio não era comigo “cantando e dançando Like a Virgin”?

– Era, mas vou me contentar com menos.

– Tá bom.

“Fiu fiu fiu fiiiiiiiiiiu fiu fiu…”

– Peraí, peraí.

– Que foi agora?

– Deixa eu pegar meu gravadorzinho.

– Tchau, Joné.

BABABAAB

 

– Essa pegou todo mundo de calça curta.

– O que, Tércio?

– Você que é fã e especialista em Claudio Zoli, me explica uma coisa?

–  Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a letra de Noite de Prazer do Cláudio Zoli, aliás.

– botei uns videos de musica pra rolar no youtube enquanto trabalho. aí apareceu um vídeo do Claudio Zoli tocando ao vivo aquela “trocando de biquini sem parar”. quando chega no solo, ao mesmo tempo que toca ele faz o barulho com do baixo ou guitarra, sei lá, com a boca. pra que ele faz o barulho com a boca se já tá tocando o instrumento?

– Essa é justamente Noite do Prazer.

– explique justifique

– Logo, é um dos mistérios entre o céu e a terra.

– é…

– A outra explicação é que é o Claudio Zoli e ele pode qualquer coisa. Aliás, já até coloquei aqui. O cara é gênio (enigmático? Enigmático. Mas gênio)

– Uma vez, viajei à Oktoberfest com um japonês que levou um violão. No caminho, o Caju (era o nome dele) perdeu a pasta com as partituras tudo e, como só sabia tocar essa de cor, passamos 4 dias a Noite do Prazer a plenos pulmões.

– começa que um japonês com apelido de caju indo pra oktoberfest em santa catarina já é o puro creme do realismo fantástico. por isso vc gosta de claudio zolli. passou por lavagem cerebral

– A gente ficou na casa de uma dona lá que alugava uns quarto gigante para galera. O único lugar comum era a sala. O japonês tocou tanto esse som que o pessoal dos outros quartos começou a evitar passar na sala. Saíam pela janela.

– rapaz… lembrei de algum JUCA que fomos parar numa casa a noite que a maioria da galera tava dormindo em colchões espalhados pela sala, um de nós arrumou um violão sei lá de quem e começou a tocar alguns acordes e fazer carinho num pitbull ao mesmo tempo

– OUSADO.

– fomos embora tomando cidado pra não pisar em quem tava dormindo no chão. e não melindrar o pitbull

– O cuidado era para o pitbull não arrancar seu braço.

– acho que ele ia arrancar o braço do nosso caju primeiro. nessas aí eu imaginava já ter dado tempo de fugir. ou não, pq eu só soube depois que era um pitbull. alguém falou quando saimos

– Ah, sim. Pitbull tem foco. Enquanto arranca o braço de um, não mexe com outro.

– o plano era esse

– Se bobear, a galera tava fingindo que tava dormindo para o pitbull não atacar.

MORFINA, em algum momento entre 2005 e 2009

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Quando Joné abriu os olhos, percebeu que não estava em sua cama. Aliás, não estava nem na dele nem em qualquer outra cama.

Ele também percebeu que não estava deitado, e se sentiu aliviado por não estar deitado, já que não estava em uma cama. A posição de Joné, no momento em que abriu os olhos, era extremamente complexa. Ela poderia até mesmo ser considerada como parte do kama sutra, caso houvesse alguém nu enganchado nele.

Mas não havia.

Ele se sentiu aliviado pela segunda vez no dia.

Joné olhou ao redor tentando descobrir onde estava. Não descobriu. Estava escuro demais. Se levantou com certa dificuldade, já que a sua posição quase kama sutriana era um tanto complexa, e resolveu investigar o recinto.

Mais precisamente, resolveu procurar por uma porta. E caso a encontrasse, ele tinha um plano: a abriria, a cruzaria e voltaria para sua casa o mais rápido possível.

Com certo esforço, encontrou a porta. O esforço ficou por conta da escuridão no ambiente. Como o plano de Joné era encontrar a porta e sair por ela, ele não pensou em procurar um interruptor, acender a luz e ver onde estava.

Assim, encontrou a porta com dificuldade, a abriu e a atravessou. Do lado de fora, viu um corredor, alguns elevadores e um extintor de incêndio para uso em eletricidade. Ele sorriu ao pensar que, se houvesse um incêndio, dificilmente ia escolher um extintor. Ia pegar a primeira coisa que molhasse que houvesse em sua frente e atiraria às chamas.

Antes de pegar o elevador, ainda balbuciou algumas palavras.

– Em caso de incêndio, até guspe serve.

Ao entrar no elevador, considerava mentalmente se o correto seria guspe ou cuspe.

Em três segundos, esquecia o assunto. Nunca ficou sabendo qual era o correto.

E também nunca desconfiou que, no quarto que ele deixou para trás, havia uma moça que fazia a melhor imitação de Like a Virgin, da Madonna, que Joné jamais veria.

Ele a conheceu na noite anterior, em um boite de não muito respeito e ambos foram para aquela espelunca – Hotel Pão com Lingüiça – fazer o que os adultos fazem quando saem de uma boite de não muito respeito se beijando como porcos no campo.

Ele, completamente alcoolizado. Ela, completamente completamente.

Tão aéreo, Joné esqueceu de comentar sobre sua tara por imitações da Madonna.

Ela até pensou em mencionar, como quem não quer nada, que a fazia com perfeição e que gostava de público. Que nunca se cansava de “Like a Virgin” e que quanto mais pediam, mais feliz ela ficava.

E também diria que seu último casamento não deu certo porque ela gostava de imitar a Madonna, mas seu marido preferia ver o concurso Garota da Laje.

Ela pensou em dizer tudo isso, mas se contentou com um “nufff”.

*************************

Enquanto ela se levantava e pegava as roupas pelo quarto, preparando-se para ir embora, cantarolava baixinho.

“When your heart beats (after first time, with your heartbeat). Next to mine…”

E pensava em, porque diabos, Joné – “era esse mesmo o nome do sujeito?” – havia preferido dormir sobre a pia do banheiro.

Do outro lado da rua, Joné – “sim, era esse mesmo o nome do sujeito!” – comprava, enquanto esperava o Penha-Lapa, um guarda-chuva típico do século passado. Um bem grande, branco, com a imagem da falsa Madonna estampada.

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MARCELLA, em algum momento de 2025

 

Abre aspas

É engraçado como a gente sabe exatamente tudo o que gosta e não gosta até alguém perguntar, né? Fazer essa lista me deu uma leve crise existencial – afinal, deveria ser bem óbvio, mas quando parei para escrever, não sabia nem por onde começar.

Fiquei pensando: “tá, mas são coisas que eu gosto agora ou coisas que eu gosto na vida?”. É meio que um tipo moderno de tortura pra que não é muito fã de tomar decisões. Então, decidi fazer uma lista de coisas aleatórias e sem importância que eu amo e odeio.

10 coisas que amo

1 – Bolo com recheio;

2 – Montar playlists no Spotify;

3 – Cheiro de gasolina;

4 – Descascar perfeitamente um ovo cozido;

5 – Arrancar casquinha de machucado;

6 – Aspirar o chão no escuro (para ver a poeira sumir);

7 – Macarrão carbonara;

8 – Docinho depois do almoço;

9 – Vocalistas de metalcore gritando “blegh!”;

10 – Drumcams.

10 coisas que odeio

1 – ChatGPT;

2 – Bolacha murcha;

3 – Sentir uma “textura inesperada” mastigando;

4 – Pagar caro em comida ruim;

5 – Pisar no molhado de meia;

6 – Ouvir meu vizinho de cima fazendo xixi de madrugada;

7 – Nariz entupido;

8 – Moto cortando giro;

9 – Burocracia burra;

10 – Maionese.

Fecha aspas

MORFINA, em algum momento entre 2005 e 2009

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A queda não foi muito longa. Durou menos de um segundo. Mas foi o suficiente para Joné, ainda no ar, antes do impacto no chão, começar a se perguntar onde estava. Começar.

“Onde diabos eu estou in…”

Blaft.

Atordoado, Joné olhou ao redor e percebeu que estava em seu quarto. Era a primeira vez em semanas que acordava e reconhecia o lugar que estava. Ficou feliz por isso. Estava dolorido, devido à queda da cama, mas estava feliz.

Gostou da sensação de acordar em um lugar familiar. Mesmo que o lugar familiar fosse o ar que antecede o chão de seu quarto. De qualquer forma, ele ficou feliz de não acordar no escuro, ou com mulheres estranhas por perto, ou com um ET dividindo a cama, mesa ou o que quer que fosse que houvesse usado para dormir.

Ficou mais feliz ainda ao perceber que não havia se machucado muito com o tombo e que, apesar da dor, conseguiria se levantar com certa facilidade. Não se levantou, já que caiu em uma posição até que confortável, mas sabia que poderia se quisesse.

De costas para o chão, fitou o teto.

As marcas de infiltração de água causavam um efeito engraçado nele.

Era possível vislumbrar formas, dependendo da imaginação do observador. Uma pessoa muito religiosa, ou lunática, veria uma Nossa Senhora surgindo na infiltração. Um grego maluco, estrelas. Estrelas essas que formariam, na cabeça do grego maluco, imagens de animais e outras coisas.

Joné viu a Madonna. De perfil. Fechou os olhos. Reabriu. Olhou e viu a Madonna. Fechou novamente os olhos. Esfregou com força. Abriu. Madonna, de perfil, continuava lá.

Emocionado, Joné estava sem ação. Não sabia o que fazer.

“Seria um sinal? Um sinal de que… de que…”

Joné pensou que tipo de sinal seria aquele. Que era um sinal, ele tinha certeza. Era um claro sinal de que o teto de sua casa precisava de reparos contra infiltrações de água. Mas isso não ocorreu a Joné.

Concluiu que era um sinal. E que teria a devida revelação com o tempo. E, enquanto essa revelação não chegasse, simplesmente conviveria com a Madonna de perfil no teto. E, para ficar mais perto dela, resolveu comprar um beliche.

Entre a compra nas casas Bahia mais próxima e a entrega do móvel, Joné, que não queria desperdiçar nenhum momento longe da Madonna infiltrada, passou cinco dias dormindo em uma velha escada de pedreiro, que ele mantinha em casa.

Enfim o beliche chegou.

Joné, feliz e saltitante, finalmente ia dormir decentemente perto de sua diva. E assim aconteceu. Por poucos dias. As chuvas aumentaram e, com elas, as marcas da infiltração. Assim, Joné, que em uma bela quarta-feira foi dormir com a Madonna, acordou no dia seguinte com o que parecia ser o menestrel do Brasil Juca Chaves e seu nariz.

Joné só não lamentou mais porque finalmente poderia voltar a dormir mais perto do chão. Afinal, como ele percebeu na pele durante a semana que ficou perto de Madonna, cair da cama de cima de um beliche dói bem mais do que cair de uma cama térrea.

 

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