Segurança
Trends de IA podem expor dados e aumentar riscos de golpes
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 22/Setembro/2026
- Da Redação
O uso em massa de ferramentas de inteligência artificial para criar versões estilizadas de usuários, como as recentes trends que simulam retratos dos anos 1980, acende um alerta vermelho no setor de cibersegurança. Embora inofensivas à primeira vista, essas brincadeiras reduzem a barreira psicológica dos usuários e os induzem a fornecer voluntariamente fragmentos valiosos de suas identidades, transformando a diversão em uma nova superfície de ataque para criminosos digitais.
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Segundo Daniel Porta, CISO da DANRESA, o problema central não reside nas trends de IA em si, mas no comportamento de massa que elas produzem, fazendo com que a pessoa deixe de perguntar quem está recebendo a informação, ignore os termos de uso e esqueça de verificar permissões por puro impulso de participar.
O alerta ganha relevância diante do avanço das fraudes baseadas em inteligência artificial. O Identity Fraud Report 2025–2026, da Sumsub, apontou crescimento de 126% nas fraudes envolvendo deepfakes no Brasil em 2025, com o País respondendo por quase 39% dos casos detectados na América Latina. Além disso, o Radar Tecnológico, publicado pela ANPD em julho de 2026, destacou os desafios dessas tecnologias para a proteção de dados, enquanto pesquisa da EY do mesmo ano revelou que 84% dos bancos comerciais utilizam reconhecimento facial no onboarding de clientes.
“A combinação entre a facilidade de síntese de rosto e voz e a distribuição descuidada de biometria nas redes sociais cria um cenário propício para a engenharia social moderna. Os ataques atuais não dependem apenas de senhas roubadas, mas de contexto, como nomes, rotinas, fotografias e vozes coletadas de forma fragmentada ao longo do tempo. O especialista ressalta que a popularidade gera uma falsa sensação de segurança, eliminando os segundos de reflexão que normalmente protegem o usuário contra golpes tradicionais”, explica Porta.
Porta esclarece que o objetivo não é banir a participação em trends de IA, mas incentivar o que ele define como “fricção consciente”, recomendando que os usuários avaliem sempre se estão usando plataformas oficiais, quais dados estão fornecendo, se as permissões solicitadas são compatíveis com a ferramenta, se há transparência na retenção de dados e se estão confortáveis com a permanência dessas informações fora de seu controle.
Para as empresas, o risco também afeta diretamente executivos e porta-vozes altamente expostos, exigindo a atualização de controles internos como canais de verificação independentes para mudanças de contas bancárias e o treinamento de equipes financeiras para compreender que vídeos e áudios não constituem mais provas absolutas de identidade.
“Na era dos deepfakes, a maior ironia é que, enquanto as empresas investem bilhões para autenticar quem somos, nós mesmos continuamos distribuindo pedaços dessa identidade em troca de alguns segundos de diversão”, conclui Porta.
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