Ciência
Telecirurgia: como funciona a cirurgia realizada a distância
- Créditos/Foto:Divulgação/MicroPort MedBot
- 06/Maio/2026
- Da Redação
A telecirurgia ou cirurgia remota é uma revolução na medicina moderna. Nessa técnica, o cirurgião opera a distância. O procedimento é realizado por um robô cirúrgico, conectado a um console remoto. O cirurgião manipula controles (joysticks) em uma determinada cidade ou país, e os movimentos são replicados no paciente com alta precisão, na localidade em que ele estiver.
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Os benefícios são diversos, como o acesso a especialistas em regiões remotas ou qualquer lugar do mundo; maior precisão e estabilidade dos movimentos; visão 3D aumentada em até 10x; redução de tremor humano; cirurgia minimamente invasiva (menos dor e recuperação mais rápidos); menos tempo de internação; menor risco de infecção cirúrgica; possibilidade de colaboração entre equipes internacionais experts e o paciente pode ser operado por um expert global sem precisar viajar.
“Mas temos que falar sobre os principais riscos, que não estão na técnica cirúrgica em si, mas na infraestrutura tecnológica de ambos os locais, como latência (atraso na comunicação); falhas de conexão ou energia; risco cibernético (ataques ou invasões) e dependência de equipe local preparada. Por isso, a regulamentação exige redundância de sistemas e equipe presencial de backup onde o paciente esteja, pois, caso ocorra algo semelhante acima citado, a equipe local assume imediatamente o controle da cirurgia”, esclarece Eder Mattos, gerente nacional de educação em cirurgia robótica da Hospcom.
Barreiras: o alto custo e a adesão dos planos de saúde
O custo desse tipo de operação ainda é elevado e envolve a aquisição do robô (mais de US$ 1 milhão) e de equipamentos específicos para limpeza e esterilização destes materiais, que tem suas particularidades e maneiras corretas de se manipular. Além da manutenção e insumos específicos para cada cirurgia, é necessário infraestrutura tecnológica avançada e dedicada, sala cirúrgica com metragem específica para comportar o robô, de 30 metros quadrados em diante, e treinamento da equipe exaustivo e recorrente.
Vale mencionar que não há cobertura integral pelos planos de saúde no Brasil para todos os procedimentos. Embora já tenha sido sancionado a cobertura, por enquanto, do procedimento de Prostatectomia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC), no SUS.
Equipe especializada necessária
Há um padrão obrigatório para a realização do procedimento: um cirurgião especialista remoto (principal), um cirurgião especialista presencial (backup obrigatório, onde o paciente está), um cirurgião auxiliar ao lado do paciente, um ou dois anestesistas (dependendo do tempo da cirurgia), enfermagem especializada, instrumentadora, engenharia clínica, especialista clinico do robô e especialistas de TI. “No Brasil, é obrigatório ter um cirurgião qualificado ao lado do paciente. Esse profissional precisa ter a mesma capacidade técnica para assumir o procedimento imediatamente, intervir em emergências e garantir continuidade da cirurgia, e não ter nenhum risco ao paciente”, conta Mattos.
A telecirurgia é regulamentada pela Resolução CFM nº 2.311/2022 e classificada como procedimento de alta complexidade. Exige hospital com estrutura adequada, obrigatoriedade de equipe presencial, necessidade de treinamento específico e RQE (Registro de Qualificação de Especialista), requisitos rígidos de segurança tecnológica e termo de consentimento assinado pelo paciente. “A telecirurgia não elimina o cirurgião. Ela expande sua presença e melhora sua habilidade, técnica e conhecimento. O maior avanço não é tecnológico, mas de acesso, uma vez que leva especialistas a qualquer lugar do mundo. O principal desafio hoje não é ‘se funciona’, mas como escalar com segurança, custo e regulação”, afirma o gerente nacional de educação em cirurgia robótica da Hospcom.
Toumai, o robô cirurgião
Dentro desse universo, o Toumai é um robô cirurgião que promete redefinir o padrão das cirurgias minimamente invasivas. Com visão 3D em alta definição e instrumentais que reproduzem o movimento humano com precisão milimétrica, o sistema oferece aos cirurgiões controle superior, conforto ergonômico e redução da fadiga em procedimentos prolongados.
Segundo Mattos, para os pacientes, os benefícios são imediatos. “Incisões menores, menor perda de sangue, menos dor, menor risco de infecção e recuperação acelerada, são fatores que reduzem o tempo de internação e favorecem o retorno rápido às atividades diárias. O resultado é uma jornada cirúrgica mais previsível, segura e humanizada.”
O robô já realizou algumas cirurgias com total sucesso em cidades brasileiras, realizadas em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). “Também realizamos com o hospital 9 de julho e Foz do Iguaçu, em março deste ano, com o robô Toumai, a cirurgia mais distante do mundo, há 19.000km de distância entre Brasil e China, onde foi realizado o procedimento de hérnia de hiato. O cirurgião Carlos Domene estava na China operando o paciente em Foz do Iguaçu, com total segurança e êxito”, conta Mattos.
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