Segurança
7 hábitos que podem comprometer sua segurança no Pix
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 30/Julho/2026
- Da Redação
O Pix completa seis anos em 2026 e já se tornou o meio de pagamento mais usado no Brasil, mas a mesma velocidade que o torna conveniente também o torna atraente para golpistas. O sistema é complexo e envolve muitos atores: o Banco Central como regulador, as instituições financeiras como intermediárias e o consumidor como usuário final.
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“A segurança do Pix depende de uma cadeia inteira funcionando bem, e os golpistas exploram exatamente os elos mais fracos, que são os consumidores”, alerta Antonio Gesteira, diretor-executivo sênior de Riscos, Investigações e Tecnologia da FTI Consulting.
Segundo o profissional, o Banco Central tem endurecido significativamente as regras para combater o uso do Pix em golpes e crimes. “As medidas focam tanto em prevenção, ao dificultar a ação dos criminosos, quanto em recuperação, ao facilitar o retorno do dinheiro para a vítima”, contextualiza.
Entre os avanços recentes para aumentar o nível de segurança do sistema, estão mudanças como o MED 2.0, versão aprimorada do Mecanismo Especial de Devolução, que passou a ser obrigatória a partir de fevereiro de 2026 com a entrada em vigor da Resolução BCB nº 493.
“Agora, se o golpista espalhar o valor por contas diferentes para dificultar a rastreabilidade, o sistema pode bloquear os fundos em todas simultaneamente. Além disso, as instituições financeiras passam a ter obrigações mais rigorosas para identificar comportamentos atípicos, com a responsabilidade de verificar registros de fraudes associadas a um CPF ou CNPJ e realizar um bloqueio cautelar caso a conta recebedora tenha indícios de ser uma conta laranja”, diz Gesteira.
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Ainda assim, a sofisticação dos golpes e a falta de informação fazem com que muitos usuários cometam erros que poderiam ser prevenidos. Veja sete hábitos que podem comprometer sua segurança no Pix e como evitá-los:
1. Confirmar apenas a chave, sem verificar o nome do destinatário
O erro mais frequente é transferir dinheiro sem conferir se o nome exibido na tela corresponde a quem você realmente quer pagar. Golpistas cadastram chaves Pix com nomes genéricos ou semelhantes aos de empresas conhecidas para confundir o usuário. “A chave pode estar correta e o destinatário, errado. Sempre confirme nome e CPF antes de concluir a transação”, orienta Gesteira.
2. Realizar transações em redes Wi-Fi públicas
Redes abertas em shoppings, aeroportos e cafés são ambientes propícios para interceptação de dados. Um golpista conectado à mesma rede pode capturar informações sensíveis durante a operação. A recomendação é sempre usar a rede móvel do celular para movimentações financeiras.
3. Não checar a autenticidade de remetentes de mensagens
A criação de perfis falsos em aplicativos de mensagens tornou-se muito comum. No chamado golpe do novo número, o criminoso afirma ser um familiar ou amigo com um número de celular alternativo. “Os golpes no Pix tornaram-se crimes sofisticados, usando de manipulação psicológica para enganar as vítimas. Desconfie se alguém disser que é um parente ou conhecido para pedir pagamento ou empréstimo”, afirma o executivo.
4. Ignorar os limites de transação disponíveis no aplicativo
Os bancos permitem que o usuário configure limites diferenciados para transações diurnas e noturnas. Manter limites altos por comodidade é um risco desnecessário: em caso de golpe ou roubo do celular, o prejuízo pode ser muito maior. É recomendável revisar esses limites periodicamente e reduzi-los fora do horário de uso habitual.
5. Compartilhar o código de autenticação recebido por SMS
O golpe do código é simples e ainda muito eficaz: o fraudador entra em contato se passando por funcionário do banco, alega que precisa “confirmar” a identidade do cliente e pede o código enviado por SMS. Essa sequência é, na prática, a senha de acesso. “Nenhum atendente legítimo pedirá isso. Procure sempre os canais oficiais do banco”, alerta o especialista.
6. Usar o Pix sob pressão ou urgência
Golpes bem-sucedidos quase sempre envolvem pressa. A vítima recebe uma mensagem dizendo que uma cobrança vence em minutos, que um familiar está em apuro ou que uma oferta expira em breve. O estado de urgência compromete o julgamento. “Qualquer situação que exija uma transferência imediata e sem tempo para pensar deve ser tratada como sinal de alerta”, diz Gesteira.
7. Acreditar que o problema é só seu se cair em um golpe
Este talvez seja o erro mais silencioso. Muitas vítimas não registram boletim de ocorrência, não acionam o banco e não relatam o caso ao Banco Central por acharem que não vai adiantar, mas o registro é fundamental. Além de abrir caminho para o ressarcimento, alimenta os sistemas de monitoramento das instituições financeiras e do regulador. “O consumidor é parte dessa cadeia de segurança do Pix. Reportar o golpe protege não só você, mas os próximos alvos”, conclui Gesteira.
