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Roupa com nanotecnologia controla calor e repele insetos

28 março, 2019
Da Redação, com assessoria

No próximo verão, as indústrias têxteis devem levar ao mercado alguns tecidos funcionais. Eles serão capazes de reter menos calor, controlar o odor do suor, proteger contra o sol e contra mosquitos como o Aedes aegypti

Algumas peças de vestuário com essas funcionalidades utilizam tecnologias desenvolvidas pela Nanox. Ela é uma empresa apoiada pelo Programa FAPESP de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e nascida no Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

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A empresa está desenvolvendo, em parceria com indústrias têxteis, tecidos com partículas em escala nanométrica (bilionésima parte do metro) com diferentes propriedades. Entre elas, a de controlar microrganismos causadores de maus odores, de refletir a radiação eletromagnética do sol e de liberar de modo controlado repelentes e inseticidas.

Menos cheiro

As partículas desenvolvidas pela empresa são feitas a partir de diferentes materiais inorgânicos e podem ser adicionadas aos tecidos isoladamente ou combinadas para conferir as funcionalidades desejadas. As que controlam o odor, por exemplo, são à base de prata, zinco e cobre e têm propriedades bactericida, antimicrobiana e autoesterilizante.

Ao serem incorporadas às fibras de tecidos, essas nanopartículas protegem o material contra o crescimento de bactérias, fungos e ácaros causadores de mau odor e também evitam o amarelamento. “Uma das vantagens dessas nanopartículas antimicrobianas, em comparação com outros produtos químicos incorporados a tecidos antiodor existentes no mercado, é que elas apresentam maior resistência à lavagem, à temperatura e à abrasão”, disse Minozzi.

“Além disso, têm menor impacto ambiental e não causam alergia. Por isso, podem ser usadas em qualquer tipo de tecido que entre em contato direto com a pele, como os de roupas comuns, esportivas, íntimas, de cama e banho e uniformes profissionais”, exemplificou.

Menos sol

Já as nanopartículas que protegem contra o sol e proporcionam maior conforto térmico podem ser aplicadas em roupas comuns, esportivas e de praia, além de cortinas e uniformes de profissionais que precisam ficar muito tempo expostos aos raios solares.

As nanopartículas são constituídas por microesferas de vidro ocas recobertas por filmes finos nanoestruturados e transparentes de óxido de zinco, alumínio ou titânio. Esses materiais nanoestruturados funcionam como microespelhos e refletem raios infravermelho e ultravioleta que poderiam penetrar o tecido. Dessa forma, são capazes de diminuir em até 65% a transmitância térmica (transferência de calor) para o tecido em um comprimento de onda de 500 a 4.000 nanômetros.

Em testes, um tecido com as partículas incorporadas apresentou uma redução de até 6,5 ºC na temperatura – em comparação com um mesmo tecido sem as partículas ao serem expostos aos raios solares. “Os tecidos existentes hoje para proteger contra o sol conferem proteção só contra os raios ultravioleta. As nanopartículas que desenvolvemos são capazes de refletir também os raios infravermelho. Dessa forma, possibilitam diminuir o calor do tecido e torná-lo mais fresco para o uso durante o dia”, disse Minozzi.

Xô, mosquito!

Já a tecnologia de nanopartículas de proteção contra insetos voadores e rastejantes representa uma grande inovação. A empresa não revela detalhes da tecnologia por questões de segredo industrial, mas afirma que a inovação está no sistema de aprisionamento de moléculas dos repelentes ou inseticidas nas nanopartículas e na fixação delas nos tecidos.

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