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Primeiro carro nacional: Romi-Isetta completa 70 anos e ganha encontro

  • Créditos/Foto:Divulgação/Romi
  • 10/Agosto/2026
  • Da Redação

Em 5 de setembro de 1956, o Brasil entrava em uma nova fase de desenvolvimento industrial com o lançamento do primeiro carro nacional, a Romi-Isetta. Exatamente 70 anos depois, a data será celebrada no Encontro Nacional de Romi-Isettas, que acontecerá na sede da Fundação Romi, em Santa Barbara d’Oeste (SP), cidade onde o modelo era fabricado.

O evento contará com exposição de documentos de época, desenhos técnicos e fotos históricas abordando a trajetória do veículo. A programação contará ainda com carreata de Romi-Isettas pelas ruas da cidade, gincana para proprietários, loja de souvenirs e distribuição de miniaturas produzidas na hora em uma máquina Sopradora Romi. Também haverá praça de alimentação com food trucks, espaço para crianças e apresentações musicais.

A entrada será gratuita e os colecionadores interessados em expor suas Romi-Isettas no Encontro Nacional podem cadastrar seus veículos por meio do link: https://mkt.fundacaoromi.org.br/romi-isetta-70-anos.

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Como foi 5 de setembro de 1956

A chegada do primeiro carro nacional foi marcada por um desfile das primeiras 16 unidades fabricadas pelas principais ruas e avenidas de São Paulo. Saindo da R. Marquês de Itu, no Centro, onde ficava a primeira concessionária, o comboio passou sendo aplaudido pelo público ao longo do Largo do Arouche, Praça da República, Av. São Luís e Av. Brigadeiro Luís Antônio, até o Palácio Episcopal, na região da Bela Vista, onde o cardeal D. Carlos Carmelo Motta abençoou os Romi-Isettas.

A carreata seguiu pela Av. Paulista, Av. Angélica, Praça Marechal Deodoro, Av. São João e Av. Rio Branco até os Campos Elíseos, onde ficava a sede do governo paulista. Lá, o então governador Jânio Quadros conheceu de perto a Romi-Isetta e, entusiasmado, declarou: “honra a nossa indústria, honra São Paulo e honra os brasileiros um carro como esse”.

De lá, a caravana tomou o rumo do Largo do Paissandu, passando pelo Viaduto do Chá e Praça Ramos de Azevedo até o retorno à loja na R. Marquês de Itu, onde, a seguir, foi formalizada a primeira venda – uma unidade nas cores vermelho e creme, chassi 56001, adquirida pela S.A. Industrial de Óleos Nordeste, de Porto Alegre (RS). 

Iniciativa corajosa e arrojada

A produção do primeiro carro nacional foi iniciativa da Romi, fabricante de tornos e implementos agrícolas de Santa Bárbara d’Oeste (SP), fundada em 1930. A empresa, inclusive, já havia sido responsável pela produção do primeiro trator brasileiro, o Toro, em 1949.

No início de 1955, mais de um ano antes da adoção de medidas do governo federal para incentivar o nascimento da indústria automobilística brasileira, Américo Emílio Romi e seu enteado, Carlos Chiti, se interessaram por um veículo urbano chamado Iso Isetta, fabricado na Itália. Importaram duas unidades para estudar sua produção local e, depois de testes e avaliações indicarem sua viabilidade, partiram para uma reunião na sede da empresa na Europa.

A ideia era produzir o veículo no Brasil em parceria, mas a Isetta não tinha recursos, dado o cenário da Itália pós-Segunda Guerra Mundial. A Romi, então, decidiu bancar a empreitada sozinha, obtendo a licença de fabricação e pagando 3% de royalties sobre cada unidade vendida.

A Romi conseguiu contratar diversos fornecedores nacionais, sendo o principal deles a paulistana Tecnogeral, que produzia as partes metálicas do carro como o chassi e a carroceria. Com isso, já em junho de 1956, a primeira unidade da Romi-Isetta deixava a linha de montagem de Santa Barbará d’Oeste, em um novo galpão erguido especialmente para esse fim, com um índice de nacionalização de 72% em peso. O lançamento oficial, porém, ainda esperaria mais três meses, para composição de estoque e constituição da rede de vendas e assistência técnica. 

Antecipando tendências

A Romi-Isetta foi precursora da mobilidade sustentável. Trata-se de um carro urbano, compacto, econômico – tanto no preço quanto no consumo –, prático, ágil, fácil de dirigir e estacionar e de manutenção simples.

O projeto herdou várias soluções técnicas da indústria aeronáutica, origem de seu projetista, Ermenegildo Pretti. Alguns exemplos são a carroceria aerodinâmica, em forma de gota d’água, a porta única frontal (como dos aviões cargueiros), que facilitava o acesso ao interior do modelo ao mesmo tempo em que fortalecia a estrutura do veículo, a grande área envidraçada, como nos caças a jato, e o uso de materiais mais leves e modernos, como o alumínio.

Por suas características únicas, a Romi-Isetta causou uma onda de paixão nos brasileiros. Além de aclamado pela imprensa e pelo setor industrial, a classe artística também abraçou o carrinho. Atores e atrizes famosos na época tiveram um Romi-Isetta ou participaram diretamente de suas atividades de divulgação, como Eva Wilma e John Herbert, o que contribuiu para a popularidade e carisma do modelo. 

Avanços técnicos e fim da produção

A primeira Romi-Isetta usava motor Iso dois tempos de 236 cm3 e 9,5 hp, com bloco e cabeçote em alumínio em posição central. A velocidade máxima era de 85 km/h e, graças ao seu baixo peso, de apenas 350 quilos, o consumo chegava a 25 km/l.

Depois de algumas evoluções estéticas até 1958, no ano seguinte veio a maior mudança: foi lançada a Romi-Isetta 300 de Luxe, com motor BMW quatro tempos de 298 cm3 e 13 hp, que aumentou o desempenho sem sacrificar o consumo. Essa versão também recebeu diversas melhorias técnicas e estéticas, tanto no interior quanto no exterior.

Em 1961, a Romi-Isetta já havia cumprido seu papel de indutora da industrialização automobilística nacional, que então caminhava a passos largos graças à política desenvolvimentista adotada pelo governo JK. Em 13 de abril daquele ano, a última unidade, nas cores branco e amarelo-limão, deixou a linha de montagem para entrar na história.

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Serviço

  • Encontro Nacional de Romi-Isettas
  • Data: 5 de setembro (sábado)
  • Local: Fundação Romi (Avenida João Ometto, 118 – Jardim Panambi, Santa Bárbara d’Oeste, SP)
  • Horário: das 9h às 15h
  • Entrada: Gratuita
  • Mais informações: www.fundacaoromi.org.br e @fundacaoromi