Ciência
Quando estar conectado demais se torna um risco para o bem-estar
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 04/Dezembro/2025
- Da Redação
Estar online tem se tornado uma extensão da vida moderna. As redes sociais, que foram criadas como ferramenta para aproximar pessoas, ocupam um espaço central na rotina, influenciando comportamentos, relações e até a forma como percebemos a realidade.
Não quer perder as últimas notícias de tecnologia? Siga o perfil do 33Giga no Instagram e no Bluesky
O seu uso trouxe benefícios inegáveis, mas também abriu caminho para um fenômeno silencioso e preocupante: o vício digital. Cada notificação, cada curtida e cada atualização de feed são estímulos irresistíveis que mantêm milhões de usuários presos a um ciclo difícil de romper.
Quer ficar por dentro do mundo da tecnologia e ainda baixar gratuitamente nosso e-book Manual de Segurança na Internet? Clique aqui e assine a newsletter do 33Giga
De acordo com Marcelo Santos, professor de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), essa prática pode evoluir para um quadro grave. “Essa dependência da rede pode se tornar um vício patológico que leva a um contexto social de sofrimento, com prejuízos psicológicos”, afirma.
Além das questões emocionais, os efeitos físicos também chamam atenção. “As pessoas têm tido alteração do sono, diminuição do tempo de descanso que causa fadiga mental”, menciona Marcelo. O consumo contínuo de conteúdos on-line mantém o cérebro em alerta, e é reforçado pelo sistema de recompensa das redes. “A cada interação nova, como com likes, há um reforço positivo ao usuário, pela produção de dopamina”, explica.
Por trás dessa dinâmica, há um mecanismo sofisticado. De acordo com José Conrado, professor de Publicidade e Propaganda da UPM, as plataformas são projetadas para prender a atenção do usuário. “Há uma série de estudos para compreender de que maneira os elementos, como as cores utilizadas, agem sobre o próprio cérebro”, diz.
Como resultado, os mecanismos das redes sociais estão cada vez mais inteligentes, e conseguem manter a atenção do usuário com excelência. “Os algoritmos oferecem temas de formas diversas e vão se adaptando para chamar a atenção do usuário. É como se uma pesquisa estivesse sendo feita constantemente”, aponta Conrado.
O impacto também é social
O docente Marcelo Santos menciona que a dinâmica de relacionamento mudou com o avanço das redes sociais. “As pessoas começam a ver as relações físicas como cansativas e descartáveis. Em situações no ambiente presencial, ficam fisicamente presentes, mas mentalmente ausentes”. O professor indica que entre os sinais de alerta de uso excessivo estão irritabilidade e ansiedade ao desconectar, perda de controle do tempo e comprometimento de atividades essenciais, como o sono.
A faixa etária mais vulnerável aos impactos do uso excessivo dos dispositivos móveis é de 11 a 25 anos. Segundo Marcelo, essa combinação de imaturidade neurológica e pressão social, busca incessante pela construção da própria identidade deixa esse grupo mais suscetível a riscos como cyberbullying, jogos perigosos e padrões irreais.
Para evitar o adoecimento, o professor recomenda equilíbrio. “É necessário dividir o quanto isso pode ou não invadir a vida. Onde você estiver, esteja lá 100%. Priorize a interação real em um evento social, se afaste do celular em situações que ele não seja necessário.”
