Resumão da Semana
Resumão da Semana: A jaqueta do Collor
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 26/Junho/2025
- Sérgio Vinícius
Há muitos anos, eu gostava muito dos textos de um cara que não lembro o nome e nem o site. Só recordo que ele era péssimo para terminar as crônicas.
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Era tão ruim que, depois de um tempo, parou de tentar. Escrevia, escrevia e, do nada, largava a coisa. Assim como um Kafka dos trópicos ou um Hunter Thompson de Pirituba, até deixava palavra pela metade.
E ficava muito melhor do qu
(Vocês entenderam.)

Essa é da curadoria do Messi do Guarujá. Apelidos estranhos – e em forma de xingos – são sempre bons
Dito isso, vamos ao que importa.
Hoje, eu queria falar sobre o casal que foi preso em São Bernardo depois de passar por uma rua jogando peixes crus no telhado de diversas casas. Nem sabia que havia lei que impedia isso.
Mas como vi algo muito mais estranho – e nem é a figurinha abaixo –, deixo isso para depois.

Tem coisas que só acontecem com o Vasco
Esses dias, por algum azar do destino, vi uma piada ser criada em tempo real. Na verdade, seria mais uma cena (chamar de esquete seria depreciá-la) da Escolinha do Professor Raimundo, encarnada pelo senhor sambarilove Armando Volta.
De qualquer forma e já que ninguém pediu, vamos a ela. É ruim, mas é (quase) limpinha.

Do melhor perfil do Instagram, claro
Havia um indígena que sempre contava piadas e ninguém ria.
(Aqui, um adendo. Isso é quase uma versão de Inception, com piadas ruins dentro de outra piada ruim e ninguém sabe quem tá sonhando, quem tá acordado e o que caralho o pajé peão tá fazendo ali, a girar, girar e girar e eu disse, ‘Berenice, segura, nós vamos bater’.)
Mas ele tinha a mania de persistir nas piadas e o público, idem – insistia em nem esboçar um mísero sorriso. Era uma característica de comportamento muito peculiar – não só do indivíduo, mas desse determinado grupo.
– Como é o nome do piadista?
– Como?
– Índio sem gracinha.
– Como?
– Índiosemgracinha.
– Hein?
– Indiosimgracinha!
– Idiossincrasia?
– Sambarilove!

Essa pajelança palhaçada aí em cima nasceu de um debate sobre diferenças e usos para termos como indígena, índio, povos originários e – para desgosto de muitos – curumins que dão cocares de presente ao Memphis Depay no Mato Grosso. O que nos leva a outra questão importante neste momento.
Ninguém precisa ter e (mais importante) dar opinião sobre tudo.
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Obviamente, pelo que parece, as pessoas não sabem disso. Se sabem, ignoram. Se ignoram, abrem a boca para falar qualquer coisa, sendo que o ideal era só ficar no canto fumando um cigarro e fingindo que não é com ela – no caso, nem fingindo, porque não é mesmo.
A não ser, claro, se ela já não estiver ouvindo bem e confunda palavras.
(Segura, nós vamos girar, Apolôniooooo!)
– Por que você puxou assunto de política de novo com o motorista do Uber?
– Ele começou.
– Como?
– Ué, falou da jaqueta do Collor e eu achei por bem já levantar a lebre do bolsonarismo.
– Mas…
– Mas, não. Peraí.
– M…
– Além do que, as jaquetas do Collor eram horríveis. Meio de motoqueiro California Racing, meio de lã puída. E, ironicamente, nunca coloridas.
– Mas o homem disse que estava com “uma jaqueta no colo”. Até acho que ele tirou do banco de carona para eu sentar.
– Ah! Mas que as jaquetas do Collor eram feias, eram. Assim como o bolsonarismo.
– E a do moço uberista mesmo não era das mais bonitas, também. Meio de couro. O colo dele então, vixe.
– Era de couro?
– Parecia.
– De pele?
– Hum, hum.
– Vermelha?
– Não, não, por favor.
– Será que ele tem mania de andar com uma jaqueta de pele vermelha no colo?
– Por favor, não.
– Será que ele coloca a jaqueta de pele vermelha no colo para evitar ter azia?
– Que?
– Se sim para tudo isso, seria uma bela indiossincrasia, não?
– Sabe que essa frase não faz sentido, né?
Mas se você ouve bem, seria legal pensar umas duas vezes antes de sair dando pitaco por aí. Por exemplo, nesse caso da tragédia da moça que morreu no vulcão. Ficar no “que triste” poderia bastar. Mas para que, né?
“Nunca viajaria para um vulcão”, “nunca viajo só”, “jamais ficaria na beira de não sei o que”, “nem de avião voo, essa aí pediu”, “era só um drone levar água para ela”, “e o Lula? e o PT?”.
Aí é caixa de comentários do G1 para baixo. E assim vamos.
A pessoa vai viver muito sem sair de casa, sem viajar sozinha, sem sei lá mais o quê. E aí morre engasgada com um pedaço de carne porque ia dar pitaco sobre algum assunto que não conhece bem.
– Jamais comeria uma carne sem alguém mastigar antes para mim.
– Tá. Mas aí morre de soluço ou de indigestão de melancia mastigada.
De qualquer forma, as pessoas gostam tanto de falar sobre qualquer coisa que, quando a gente vê, tem caboclo se fiando do desenho do Pica Pau para garantir que a Indonésia sei lá o que (mas daí dou até razão).

Ou ainda essa turma aqui.

A pessoa começa fazendo uma comparação imbecil e que não pára (aqui, esse diferencial não morreu, sinto muito ABL) em pé. Alguém, que poderia estar comendo um bife mastigado pelos outros, não entende bem o que você quis dizer e retruca.
Quando a gente percebe, até o Carluxo tá no meio. E, como sempre, mostrando que tudo tem limite, menos a burrice humana.
Mais ou menos como ocorre com a surdez.
Você começa debatendo os povos indígenas e, quando vê, tá usando a jaqueta feia do Collor no seu colo feio e o passageiro no banco de trás tem um problema feio de audição. É muita feiúra nesse mundo de meu Deus.
– Todo turista, quando entra no carro, fica burro.
– Como assim?
– Tô falando.
– Hã?
– Por exemplo, turista passa na frente do prédio do Playcenter, tem uma placa gigante escrito “Playcenter” e ele ainda pergunta “é o Playcenter”?
– E, normalmente, é?
– Olha…
– Isso no seu collor é uma jaqueta?
Aí papo vai, papo vem, a gente acaba lembrando que o apelido do Collor na conhecida lista de propina da Odebrecht era Roxinho.
(É até engraçado, mas não se compara ao Todo Feio e Cunhado, alcunha do Inaldo Leitão que, de fato, parece um ET fantasiado de gente – feia – e usando aqueles óculos com bigode postiço.
Sim, você quer ver a foto e está aqui.
Não abra em local público, equivale ao gemidão do Zap em forma de… de… sei lá… afresco. É muita feiúra nesse mundo de meu Deus).
De qualquer forma, a lista de apeli… Ah, tá bom.
(E espero não ser acusado de plágio pelo Kafka de Pirituba.)
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