Crédito da foto: GLAS-8 via Visual Hunt / CC BY-NC-ND
Reconhecimento facial: bar em SP tem tecnologia que “adivinha” idade, humor e gênero dos clientes Reconhecimento facial: bar em SP tem tecnologia que “adivinha” idade, humor e gênero dos clientes

Boa parte dos ​​recursos tecnológicos são desenvolvidos para uso militar ou segurança, mas depois ​podem ​acaba​r​ sendo utilizados por consumidores comuns ou ganha​r​ funções de entretenimento. Esse é o caso do reconhecimento facial, que existe principalmente como ferramenta de segurança, mas foi adaptado por um bar de São Paulo, a Cervejaria Nacional, como forma de entreter os clientes enquanto esperam.

Crédito: Francisco Spagnolo
Reconhecimento facial em ação: sistema adivinha gênero e humor do cliente

A tecnologia (por que não chamar de brinquedo, nesse caso?) é capaz de reconhecer o gênero do visitante e apostar sua idade (o “chute” é feito utilizando padrões faciais mundiais) e o humor do cliente (de acordo com a expressão do rosto). Tudo em tempo real.

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Na prática, o funcionamento da “brincadeira” é bem simples. Basta o cliente se posicionar na frente do equipamento e aguardar. O sistema realiza a leitura do usuário automaticamente e, em seguida, divulga suas “apostas”.

A ideia foi levada tanto para a unidade do bar na capital paulista, quanto para a filial de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. “Inicialmente, a proposta era ter algum reforço na segurança. Mas no decorrer dos testes entendemos que a tecnologia seria muito mais interessante como entretenimento”, diz o diretor de operações do local, Marcus Ribas.

Em funcionamento no estabelecimento há cerca de três anos, Ribas afirma que a recepção por parte dos clientes têm sido boa. “De forma geral​,​ os visitantes se divertem bastante (com o recurso), principalmente quando estão em grupos”, contou.

O custo de implementação do serviço no bar, realizado pela Intersafe, depende da tecnologia empregada. Enquanto um sistema com gravação custa R$ 450 mensais para locação, o modelo somente de demonstração sai por R$ 300 mensalmente.

O pacote inclui TV, câmeras, softwares e manutenção. Por valores extras​,​ é possível também incluir gravação remota. Tudo fica pronto para funcionamento em menos de duas horas.

Os requisitos mínimos para viabilizar o pacote não são exigentes. “​São precisos um servidor e um monitor HDMI. Para o sistema de gravação, é ​necessária uma máquina mais potente. Para a gravação remota, uma internet com upload acima de 2.0 Mbps é o suficiente”, explic​a​ Fernando Daun Teixeira, diretor comercial da empresa. No sistema mais simples, sem gravação, a câmera utilizada é uma webcam. Já no pacote mais robusto a opção escolhida é uma câmera IP FullHD.

Privacidade

Em um mundo cada vez mais digitalizado, a segurança dos dados ganhou destaque. Isso também vale para as informações capturadas apenas para entretenimento, como no caso da Cervejaria Nacional.

De acordo com João Carlos Lopes Fernandes, professor de engenharia da computação do Instituto Mauá de Tecnologia, o principal perigo desse tipo de dado é para qual finalidade ele pode ser usado. “Como em muitas outras questões sobre privacidade, o principal problema é o potencial uso abusivo das imagens. Esses sistemas são utilizados geralmente como auxilio na segurança de aeroportos e estádios de futebol ao redor do mundo, proibindo o acesso, ou permitindo a abordagem de possíveis suspeitos. Neste caso as informações são de acesso restrito”, detalh​a.

Assim como no caso de aeroportos e estádios, as imagens captadas por sistemas mais simples também são protegidas. Segundo Teixeira, da Intersafe, no caso do sistema que faz gravações, quem quiser ver as imagens precisa de duas senhas. Nesse caso, apenas o conteúdo visual fica registrado – dados como idade, gênero e humor não seriam armazenados.

No entanto, para que essas imagens fiquem registradas e sejam utilizadas em outras finalidades, como marketing ou decoração do ambiente, os clientes precisam ser notificados. “Quem vai a um estabelecimento pode, muitas vezes, se sentir exposto e não permitir que sua imagem seja divulgada. Por isso, caso o local queira realizar alguma ação com esse conteúdo, ele deve recolher uma autorização das pessoas que aparecem nas gravações. Além disso, o empreendimento também deve alertar claramente os visitantes de que eles estão sendo monitorados”, detalh​a Rodrigo Filev, coordenador de curso de pós-graduação em segurança da informação no Cento Universitário FEI.

Marcus Ribas, diretor operacional da Cervejaria Nacional, salienta que o bar não utiliza as imagens para nenhuma outra finalidade. “Não fazemos nenhuma ação com as gravações. Elas servem basicamente como distração aos clientes que estão esperando para retirar sua comanda de consumo.”

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