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Ciência

Reaparecimento do sarampo reforça importância da vacinação

O reaparecimento de casos de sarampo reforça a importância de manter a vacinação em dia e de ampliar a cobertura vacinal em todo o País. Embora o Brasil tenha eliminado a transmissão endêmica da doença, casos importados ainda podem provocar surtos quando encontram grupos desprotegidos. Diante desse cenário, a campanha de imunização representa uma oportunidade para que pessoas até 59 anos atualizem sua situação vacinal e fortaleçam a proteção coletiva contra uma das doenças mais contagiosas conhecidas.

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Para Celso Ramos Filho, acadêmico da Academia Nacional de Medicina (ANM), a identificação precoce dos casos demonstra que o sistema de vigilância está atento, mas a rapidez na transmissão do vírus exige um diagnóstico igualmente ágil. “A detecção a tempo de casos de sarampo, como vem ocorrendo, é um bom sinal. Mas é preciso lembrar que a capacidade de diagnosticar clinicamente uma doença exige fundamentalmente que o médico tenha familiaridade com ela”, afirma. Segundo o infectologista, como a maioria dos profissionais em atividade nunca teve contato com pacientes com sarampo, atrasos no reconhecimento da doença podem favorecer sua disseminação.

Além da vigilância epidemiológica, outro desafio é recuperar a confiança da população na vacinação. A redução da cobertura vacinal nos últimos anos, somada aos efeitos da pandemia e ao crescimento da hesitação vacinal, ampliou o número de pessoas suscetíveis ao vírus. Muitas delas sequer sabem se receberam todas as doses recomendadas ou perderam o registro da vacinação, tornando as campanhas de imunização fundamentais para identificar e proteger quem permanece vulnerável.

A campanha contempla pessoas de até 59 anos porque se considera que a maior parte da população acima de 60 anos adquiriu imunidade natural antes da introdução da vacinação em larga escala. Para Ramos Filho, ampliar a cobertura vacinal também significa proteger aqueles que, por diferentes motivos, não podem ser imunizados, reduzindo a circulação do vírus e evitando que casos isolados evoluam para surtos de maior dimensão.

Nesse contexto, a Academia Nacional de Medicina reforça que o momento exige mobilização da sociedade e adesão à campanha de vacinação. A estratégia busca não apenas ampliar a proteção individual, mas também reduzir a circulação do vírus e impedir que pessoas não imunizadas se tornem o ponto de partida para novos surtos da doença.

Com a intensificação da campanha de vacinação, este é o momento de verificar a situação vacinal e completar o esquema de imunização, quando necessário. A medida é considerada a forma mais eficaz de evitar que casos isolados evoluam para novos surtos e de proteger pessoas que, por idade ou condição clínica, estão mais vulneráveis às complicações da doença. Em um cenário de circulação internacional do vírus, manter altas coberturas vacinais continua sendo a principal estratégia para impedir a reintrodução do sarampo no País.

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