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Resumão da Semana

Quem chama os outros de lindão?

(Sem revisão, sem figurinhas e sem muita conversa fiada, embora eu deva dizer que o massagista do meu pai chamava Lindão mesmo.)

Quem chama os outros de Lindão? Ou seria lindão?

Bom, tirando o Nikolas Ferreira, sei lá. Mas são pessoas deveras desagradáveis (assim como o – ui ui ui ui – supracitado). Queridão, amado, coiso, peleleco e ô homi! são termos mais adequados quando se deseja reforçar intimidade com alguém. E, de quebra, claro, pedir uma graninha por baixo dos panos, conseguir uns voos e mordomias às custas da aposentadoria de milhões de brasileiros.

Nada bate, entretanto, irmãozão. Com irmãozão, é possível descolar mais de R$ 134 milhões  para fazer um filme com, e sobre, um imbecil soluçando Leite Moça.

Lembrei aqui que, durante anos, eu alternava o bom e velho “café preto e pão na chapa, mas sem amassar” entre duas padarias perto de casa. A escolha se dava puramente pelo meu humor matinal no dia. Se estivesse mau humorado, ia na Levi Pães e Doces, na qual a atendente me chamava, simpaticamente, de anjinho. Parei de ir lá com frequência quando ela passou para querubinzinho e, posteriormente, vinicinhuszinhos.

Achei que a coisa estava perigosamente se aproximando demais de uma versão extremamente católica de Atração Fatal (mas sem traição e coelhos em panelas), quase um Arautos do Evangelho da Panificação. Só ia ocasionalmente, quando acordava confiante e evangélico demais. Aí, dava um pulo na Levi para equilibrar tudo e comer uma hóstia.

A outra padaria que ia, nessa mesma época, era a Charlot Pré Reforma (nome estranho para uma panificadora, não?). Mas só aparecia quando estava extremamente feliz e confiante. Isso porque, lá, era atendido por uma moça que em vez de dar bom dia, rosnava. Ao anotar o pedido, grunhia. Ao servir o café, cuspia. Sem apelidos, somente demonstrações públicas de afeto.

Daí, eu saía de lá menos animado para uma segunda-feira pela manhã (e talvez com hidrofobia, dado que certa feita ela me mordeu) e ia para o batente meio deprimido, o que é o correto. Lembro que, em dado momento de nosso relacionamento, ela parou de vir retirar o pedido e já me trazia o café preto e o pão na chapa, sem amassar assim que eu chegava à porta da Charlot Pré Reforma. Por vezes, tive que comer em pé, no batente, com ela conferindo se consumi tudo, sem deixar uma gota do cafezinho cuspido e sem deixar cair migalha no chão, para eu não ter que limpar com a língua.

Tive também que parar de frequentar quando a Charlot Pré Reforma virou a Charlot Pós Reforma, a moça creio que foi mandada embora (ou presa por infanticídio triplamente qualificado) e as coisas perderam o sentido. O fato é que sinto saudades do apelido que ela me deu: (insira aqui onomatopeias para latido e, posteriormente, mordidas de cachorro).

Aliás, a questão de ir à padaria e apelidos carinhosos estão intimamente ligadas ao meu dia a dia, percebo agora. Quando frequentava uma terceira padoca, também perto de casa, no caminho passava por uma casa em que um idoso, sempre no portão, me chamava de uma forma curiosa. “Ô Branco, me dá um cigarro.”

Com o tempo, e eventualmente, quando tinha algum à mão, dava um entre as grades. Certa feita, entretanto, passando na frente da casa dele, o velhinho fumante não estava. Mas ouvi lá de dentro uma voz feminina comentando “como o pai tá conseguindo cigarro? Ele fica trancado aqui e sabe que não pode fumar, se não morre.”

Como diria a avó de um amigo – que inclusive, tem a mania de chamar todo mundo pelo apelido “ser humano” – “formiga quando quer voar, dá apelido. E cria asas”.

Em tempo: a rigor, ser humano, não é bem apelido. É só espécie mesmo. Mas vira apelido, se você estiver chamando um cachorro ou gato.

E eis os links da semana:

Semana que vem, tem mais. Até lá.