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Resumão da Semana

Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha

Se tem uma coisa que O Bandido da Luz Vermelha deixou de ensinamento para qualquer pessoa de bom senso no Brasil é que “quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha. Avacalha e se esculhamba”.

E uma das provas disso, como se precisasse, são as campanhas publicitárias de BIS. Desde que o Morumbi virou MorumBIS, eu acho que tem algo estranho ali. Mas daí, esses dias, vi no metrô um novo comercial do chocolate que era completamente avacalhado (com um q – que? que! – de esculhambação).

Nele, apareciam umas mãos pegando uns BIS de uma caixa. E o texto dizia algo como “roubou todos os BIS do seu amigo? Você está a-BIS-olvido”. Eu fiquei pensando muito na minha vida, na dos publicitários de BIS, na dos donos do BIS e na do resto do pessoal preso no metrô, em um belo dia de greve de trem em São Paulo (vão daí, Tarcísio e Nunes!).

Minha conclusão, depois de conseguir trazer minha alma de volta ao corpo, foi que primeiro o povo de BIS cria o trocadilho. Depois, encaixa no comercial. Mais ou menos como acontece com quem monta uma pet shop. Primeiro, o nome do estabelecimento (Au Que Mia, Dr. Amicão, etc). Daí, a pessoa pensa no que fazer com aquele nome (pixar um muro? Jogar no bicho? Esquecer para sempre?) e decide abrir clínica veterinária ou algo voltado a animais.

Meu sonho é encontrar uma clínica veterinária odontológica especializada em cavalos chamada “Fala Demais? Bom Dia”. Na verdade, não é meu sonho, meu sonho é a paz mundial e que todos os dirigentes do Corinthians peguem sarna. Mas, me contentando com pouco, já que sou uma pessoa de gostos simples, ficaria feliz com uma bela unidade da Fala Demais? Bom Dia aqui perto de casa.

De qualquer forma, voltando à questão do BIS e do monte de publicitário preguiçoso, avacalhado e esculhambado, enquanto estava preso no metrô, pensei que eu trabalharia para eles em troca de umas caixas de chocolate.

Não que valham muito trocadilhos como “Roubou o BIS do seu amigo? Responda a-BIS-into muito” (e, na sequência, a BIS poderia lançar uma versão do chocolate verde e com absinto). “Roube todos os BIS do seu amigo e o deixe a-BIS-mado,” “Faça seu amigo engolir uma caixa inteira de BIS ABSINTO e o deixe a-BIS-mamado.”

As possibilidades são inúmeras e bastante tabajaras. Daria para criar uma linha salgada do BIS, a a-BIS-sal e uma doce, a BIS mesmo (essa, já existe, acho). Disso tudo, só acho que, além de ser tudo muito BIS-onho, perderam a oportunidade de, à época da troca de Morumbi por MorumBIS, não terem feito uma campanha com o Mussum e IA (publicitário adora IA) falando Morumbis (se bem que, talvez, ele falasse Morumbissis o que obrigaria a empresa a criar um novo produto, voltado ao público bi e cis e ainda não pensei direito no assunto, mas não sou pago para isso).

Sim, é um tuíte do cara do KORZUS reclamando dos MANJA ROLA por aí

Por fim, e falando em publicidade, tenho um amigo, o Scot, que é desse ramo aí. Como ele não gosta de futebol, a gente evita esse assunto e, no lugar dele, falamos sobre Djavan. Por algum motivo estranho, ele odeia Djavan e ama Chico Buarque quando, o correto, e a rigor, seria amar todo mundo (menos bolsonarista safado) como se não houvesse amanhã.

Daí, esses dias, ele me mandou uma figurinha provocativa e eu fiquei pensando porque o Alexandre Padilha estaria na poltrona 1 do avião.

– Pensei em sentar na cadeira 6, para eu e o Chico azucrinarmos o Djavan até depois do pouso.

– Ambos iam te azucrinar direitinho e você ia sair djavaneando o que há de bom.

– Assim que o Djavan abrisse a boca, uma turbina do avião iria desligar.

– Valei-me Deus, é o fim do nosso voo… Perdoa, por favor, o erro aconteceu… Mas não sei o que fez, tudo desligar de vez…

Vai confiando na IA, amigão

E, de figurinha em figurinha, dia desses, na minha locadora favorita, pintou um filme, no estilo Made for TV, de 74, para assistir. Fiquei um pouco intrigado.

(Não só com a sinopse, como com o uso das vírgulas na frase inicial do parágrafo acima. Já li três vezes e me parecem corretas, mas estou em dúvida. Vou tentar reescrever sem elas, invertendo a ordem de algumas palavras, para ver se melhora.

Um filme de 74 no estilo Made for TV pintou para assistir dia desses de figurinha em figurinha na minha locadora favorita. 

É, ficou pior.)

Bom a sinopse.

(Só para não dizer que não falei de Marcella, enviei a ela o filme. Porque, como é sabido, ela gosta de casos de gente morando em paredes.) 

E no final das contas, fui pesquisar mais sobre a vida do Bad Ronald e caí, como nos velhos tempos em que a internet não era dominada por meia dúzia de BIScareta picareta, em um belíssimo blog sobre o assunto. (BIScareta, aliás, seria uma versão de BIS sem o álcool do absinto. Ou bem amargo, para a pessoa comer e fazer caretas duas vezes.)

Bom, o blog é o Porcos, Elefantes e Doninhas. O post, esse. Mas também recomendo o SBT e seu pacote de filmes nos anos 80. Na lista do bom homem, há coisas como Bem Vindo ao Lar, Bobby, Turf Turf, o Rebelde e, o meu preferido, O Segredo de Kate.

Para quem não lembra dessa maravilha das mais puras, vamos com a sinopse do Porcos, Elefantes e Doninhas.

Este drama feito para a TV americana marcou época. A personagem-título (vivida pela rainha dos filmes para a TV, Meredith Baxter) é uma bela dona de casa casada com um bem-sucedido advogado. Ela tem o que se poderia chamar de uma “vida perfeita”, mas esconde sua bulimia e sua compulsão pela prática de exercícios físicos. Várias cenas marcantes, entre elas a cena em que Kate entra no supermercado, come diversos produtos e depois sai para vomitar. (Bons tempos quando os supermercados não tinham vigilância e nem os produtos tinham código de barras! Kate atacava as guloseimas e comia horrores).

Uma caixa de BIS na mão dela não duraria dois minutos. Nem na caixa e nem no estômago e nem na privada (ela dava descarga rapidamente, para disfarçar). Vomitava e pedia bis.

E os links da semana

Semana que vem, tem mais. Até lá.