Ciência
Pressão climática impulsiona mudança de gases refrigerantes
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 07/Janeiro/2026
- Da Redação
A substituição de gases refrigerantes de alto impacto ambiental por alternativas mais sustentáveis avançou no setor de climatização. A Green Cooling Initiative, por exemplo, estima que a indústria de refrigeração e ar-condicionado responda por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, ao considerar consumo de energia e vazamentos de fluidos ao longo da vida útil dos equipamentos.
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Para Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico e CEO do Grupo RETEC, a adoção de gases refrigerantes com baixo potencial de aquecimento global, conhecido como GWP, deixou de ser apenas uma questão técnica. “As opções de baixo impacto ambiental reduzem o efeito climático associado à climatização, mas só entregam esse benefício quando fazem parte de um sistema bem projetado, com controle adequado e manutenção contínua”, afirma.
A pressão regulatória tem sido um dos principais vetores dessa transformação. O Brasil é signatário da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, acordo internacional que estabelece a redução gradual do uso de hidrofluorcarbonos em escala global.
Relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente indicam que a implementação plena do tratado pode evitar até 0,4 °C de aquecimento global até o fim do século, colocando a climatização no centro das estratégias de mitigação climática.
O avanço ocorre em paralelo a um cenário climático cada vez mais extremo. Dados do serviço europeu Copernicus mostram que 2024 foi o ano mais quente já registrado globalmente, e que 2025 mantém a tendência de temperaturas acima da média histórica. O aumento da demanda por resfriamento pressiona sistemas elétricos e amplia a relevância de soluções mais eficientes e menos poluentes.
Para Galletti, essa combinação de fatores transforma a climatização em um tema de gestão estratégica. “O desafio atual é equilibrar conforto térmico, consumo energético e responsabilidade ambiental. Os gases refrigerantes de baixo impacto são parte dessa equação, mas precisam caminhar junto com automação, eficiência e governança técnica”, diz.
Outro ponto sensível é a operação dos sistemas ao longo do tempo. Mesmo gases refrigerantes com baixo GWP podem gerar impacto ambiental se houver vazamentos ou falhas de manutenção. “A sustentabilidade não está apenas na escolha do fluido, mas na forma como o sistema é operado durante anos. Manutenção preventiva e monitoramento são decisivos para que o ganho ambiental não se perca”, ressalta o executivo.
À medida que metas climáticas se tornam mais rígidas e investidores passam a incorporar critérios ambientais nas decisões de negócio, a tendência é que o uso de gases refrigerantes de baixo impacto deixe de ser diferencial e se torne padrão. Nesse movimento, a climatização deixa de ser um item invisível da infraestrutura e passa a ocupar papel central nas estratégias de sustentabilidade corporativa e adaptação às mudanças do clima.
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