Compras
Do imposto ao crédito: por que o iPhone é tão caro no Brasil?
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 02/Outubro/2026
- Autor Convidado
*Por Felipe Mendes // Comprar um smartphone pode representar um esforço financeiro completamente diferente dependendo do país. O iPhone 17 Pro de 256 GB é um exemplo bastante claro dessa distorção. Segundo o relatório Mapping the World’s Prices 2026, do Deutsche Bank, que comparou o preço do modelo em 41 mercados, Turquia e Brasil ocupam as duas primeiras posições entre os lugares onde o aparelho é mais caro, com valores muito superiores aos praticados nos Estados Unidos.
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Quanto custa o iPhone 17 Pro no Brasil, na Turquia e nos EUA?
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País
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Preço em dólares
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Comparação com os EUA
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Turquia
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US$ 2.592
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119% mais caro
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Brasil
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US$ 2.260
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91% mais caro
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Estados Unidos
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US$ 1.181
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Referência
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Japão
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US$ 1.121
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5% mais barato
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Na Turquia, o aparelho custa 2,19 vezes o preço registrado nos Estados Unidos — ou 119% a mais. No Brasil, custa 1,91 vez o valor norte-americano — diferença de 91%. Na prática, significa que o consumidor brasileiro paga quase o dobro pelo mesmo produto, enquanto o consumidor turco desembolsa mais do que o dobro.
A comparação internacional mostra que não existe uma relação automática entre países desenvolvidos e preços mais altos. No Japão, por exemplo, o mesmo aparelho aparece no levantamento por US$ 1.121, abaixo dos US$ 1.181 registrados nos Estados Unidos. Em mercados como Canadá, Emirados Árabes Unidos e Taiwan, os preços também estão muito mais próximos da referência norte-americana do que aqueles encontrados no Brasil e na Turquia.
A explicação não está apenas na estratégia comercial de fabricantes. Impostos, taxas de importação, câmbio, custos de distribuição e características específicas de cada mercado ajudam a construir o preço que chega ao consumidor. Na Turquia, por exemplo, o peso da tributação e das taxas sobre aparelhos importados é especialmente elevado. Segundo os dados que acompanham o levantamento, a taxa de registro para celulares importados saltou de US$ 55 em 2012 para cerca de US$ 1.200 em 2026.
Por que o iPhone é tão caro no Brasil?
No Brasil, a formação do preço passa por uma combinação complexa de tributos e custos associados à comercialização de eletrônicos. Mas existe outro elemento que merece atenção, que é o custo do dinheiro. Quando boa parte dos consumidores depende do parcelamento para adquirir produtos de maior valor, juros elevados impactam diretamente a capacidade de compra.
Esse aspecto é particularmente importante quando falamos de smartphones premium. Um aparelho de alto valor dificilmente deve ser analisado apenas pelo preço exibido na etiqueta. Para quem precisa financiar ou parcelar a compra com juros, o custo efetivo pode ficar ainda mais distante daquele observado em mercados com crédito mais barato. Os juros, portanto, funcionam como uma segunda camada de encarecimento para o consumidor brasileiro.
O problema é que essa combinação entre impostos elevados, câmbio e crédito caro não afeta apenas quem deseja comprar um produto de luxo. Smartphones são ferramentas de trabalho, estudo, comunicação, acesso a serviços financeiros e geração de renda. Embora modelos premium como o iPhone 17 Pro estejam no topo da pirâmide de preços, eles ajudam a evidenciar uma questão mais ampla sobre o acesso à tecnologia no País.
Em resumo, por que o iPhone é tão caro no Brasil? O preço elevado é resultado principalmente de uma combinação de tributação, câmbio, custos de importação e distribuição. Os juros não determinam o valor à vista, mas podem encarecer ainda mais a compra para quem opta pelo financiamento ou parcelamento com encargos.
O preço dos celulares afeta a inclusão digital
Quando juros e impostos tornam a tecnologia significativamente mais cara, o impacto chega à capacidade de consumo, à produtividade e à própria inclusão digital. Como sociedade civil, é importante discutir impostos e custos de crédito. O contexto brasileiro de crédito caro amplia esse problema. Em junho de 2026, a meta da Selic estava em 14,25% ao ano.
Embora a taxa básica não seja a mesma cobrada no parcelamento, ela influencia o custo do crédito na economia e ajuda a explicar por que financiar um aparelho de alto valor pode elevar significativamente o desembolso final. Mas, como setor empresarial, também é preciso buscar soluções para quem precisa de um smartphone de qualidade agora — seja para estudar no transporte público, seja para trabalhar com aplicativos ou acessar recursos baseados em inteligência artificial.
Celular por assinatura é uma alternativa à compra?
A experiência com o “Brasil de verdade”, de renda média mais restrita, mostra que oferecer uma parcela que caiba no orçamento, uma mensalidade previsível e compatível com o orçamento, sem exigir o desembolso integral da compra no início do contrato, pode ampliar o acesso a produtos de melhor qualidade. Diante desse cenário, diferentes formas de acesso começam a ganhar relevância.
Além da compra à vista, do parcelamento e dos aparelhos seminovos, modelos de celular por assinatura permitem diluir o custo de uso em pagamentos mensais e incluir serviços como seguro, assistência e troca programada. O modelo também oferece flexibilidade para os dois lados. Caso o consumidor deixe de conseguir arcar com as parcelas, a empresa pode receber o produto de volta. Por outro lado, se sua situação financeira melhorar, ele pode optar pela troca por um aparelho mais avançado, acompanhando suas novas necessidades.
Para muitas famílias, a compra de um smartphone de alto desempenho está entre os desembolsos mais relevantes do orçamento, especialmente quando envolve mais de um aparelho no domicílio. Mais do que discutir o custo da tecnologia, é preciso encontrar formas de torná-la acessível para quem precisa dela no dia a dia.
*Felipe Mendes é CEO do Grupo Pitzi, proprietário da Leapfone, startup pioneira no conceito de Phone as a Service e na oferta de smartphones novos por assinatura
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