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Segurança

Pix por comando de voz? Entenda se funcionalidade é segura

  • Créditos/Foto:DepositPhotos
  • 22/Julho/2025
  • Da Redação, com assessoria

Uma funcionalidade que promete reinventar a forma como os usuários se relacionam com o dinheiro foi recentemente lançada pelo Bradesco. Transferências via Pix por comando de voz, diretamente no WhatsApp, com apoio da assistente virtual BIA, agora turbinada por Inteligência Artificial Generativa, permitirão transações de até R$ 300 por operação.

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O comando de voz no Pix é prático, mas será que é seguro? De acordo com Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Digital, IA e Cibersegurança, do ponto de vista da experiência do usuário, é inegável: a proposta é sedutora. “O cliente envia uma mensagem de voz, e o dinheiro é transferido sem fricções, sem digitação, sem aplicativos intermediários. A conveniência é elevada ao máximo”, explica.

Entretanto, ao permitir transações financeiras por comando de voz, o banco está lidando com um tipo de dado potencialmente sensível: a biometria vocal. “Ao fazer isso pelo WhatsApp, controlado por uma big tech sediada fora do País, impõe-se a necessidade de refletir sobre privacidade, segurança, responsabilização e transferência internacional de dados”, alerta Coelho.

Os riscos não são desprezíveis. A LGPD exige que o uso de dados sensíveis, como a voz, tenha base legal específica e consentimento claro – o que não se satisfaz com janelas pop-up genéricas. Além disso, a autenticação por comando de voz pode não cumprir os padrões exigidos para transações financeiras, abrindo margem para fraudes e responsabilidade objetiva da instituição.

“Some-se a isso o fato de que o canal de comunicação, o WhatsApp, está fora da jurisdição nacional e já esteve no centro de polêmicas sobre uso indevido de dados”, acrescenta o especialista, ressaltando que todo o processo exige do controlador (o banco) um dever rigoroso de diligência, inclusive com a eventual necessidade de um Relatório de Impacto (DPIA).

A inteligência artificial BIA, que agora compreende linguagem natural e decide se o comando é ou não uma transação válida, também impõe deveres de transparência algorítmica, revisão humana e governança responsável. Afinal, quem decide o que foi dito e com que intenção?

“Mais do que uma novidade tecnológica, estamos diante de um caso que ilustra o delicado equilíbrio entre inovação e diligência regulatória. Porque, no fim do dia, o Pix por voz pode parecer uma solução simples. Mas por trás da simplicidade, há um sistema que escuta, processa, decide e transfere dinheiro, tudo em segundos”, conclui o advogado.

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