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Segurança

3 países que já restringiram o uso dos óculos inteligentes

  • Créditos/Foto:Divulgação/Meta
  • 09/Setembro/2026
  • Bianca Bellucci

Equipados com câmeras, microfones, alto-falantes e recursos de inteligência artificial, os óculos inteligentes permitem tirar fotos e vídeos, fazer chamadas, ouvir música e até interagir com assistentes de IA sem precisar tirar o celular do bolso. O maior exemplo atualmente são os modelos desenvolvidos pela Meta em parceria com a Ray-Ban.

Mas a mesma tecnologia que torna os óculos convenientes também levanta preocupações. Como podem registrar imagens e sons sem que as pessoas ao redor percebam claramente, os dispositivos colocam em discussão questões de privacidade, gravação não autorizada e até o uso de inteligência artificial para obter informações indevidas.

Em alguns países, inclusive, a questão já deixou de ser apenas uma discussão de bar. Confira onde os óculos inteligentes foram proibidos ou têm seu uso limitado.

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China

Em junho de 2026, a China reforçou as restrições ao uso de óculos inteligentes e outros dispositivos eletrônicos nas salas do Gaokao, o exame nacional de admissão universitária.

Segundo a CNA, autoridades de diferentes províncias determinaram que candidatos que usam óculos passem por inspeções adicionais antes das provas, como forma de impedir a utilização de aparelhos de alta tecnologia para obter respostas. As regras determinam que levar para a sala equipamentos capazes de enviar ou receber informações é considerado fraude, mesmo que o dispositivo não seja acessado.

Coreia do Sul

A Coreia do Sul proibiu, a partir de junho de 2026, o uso de óculos inteligentes em salas de exame. A medida foi adotada após dois candidatos serem flagrados usando os dispositivos para trapacear em provas de inglês. Segundo o The Straits Times, a restrição também foi incluída no CSAT, prova nacional para admissão em universidades do país.

Com a nova regra, escolas e autoridades educacionais passaram a reforçar a fiscalização durante os exames, incluindo atenção a estudantes que usam armações grossas ou mexem repetidamente nos óculos. Em alguns colégios, ainda foram adotadas medidas adicionais, como o uso de detectores de metal para identificar dispositivos eletrônicos.

Inglaterra e País de Gales

Em agosto de 2026, os tribunais da Inglaterra e do País de Gales proibiram a entrada de pessoas usando óculos inteligentes. O dispositivo deve ser recolhido na entrada dos prédios judiciais e devolvido na saída. A medida foi confirmada pelo HMCTS (Serviço de Tribunais e Cortes de Sua Majestade) ao The Guardian.

A decisão ocorreu após o empresário lituano Laimonas Jakštys ser acusado de receber orientação por meio de óculos inteligentes enquanto prestava depoimento no High Court. A suspeita foi levantada pela advogada da parte contrária e posteriormente confirmada pela juíza do caso. Ele negou ter usado o dispositivo para obter respostas.

Vale destacar que, no Reino Unido, do qual Inglaterra e País de Gales fazem parte, fotografar ou filmar dentro de tribunais sem autorização já era proibido e poderia, dependendo do caso, configurar desacato à Justiça.

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Em discussão

Além dos casos efetivados, outros países discutem medidas para limitar o uso de óculos inteligentes. Entre eles, destacam-se:

  • Noruega: governo anunciou que pretende endurecer a regulamentação de dispositivos do tipo e avalia, entre outras possibilidades, proibir funções como o reconhecimento facial de pessoas em espaços públicos;
  • Alemanha: autoridades e organizações de defesa da privacidade discutem possíveis restrições, incluindo uma eventual proibição da venda de determinados modelos;
  • Austrália: parlamentares defendem uma moratória sobre a venda dos dispositivos enquanto as leis de privacidade são atualizadas, embora o governo federal tenha descartado, por enquanto, um veto à importação.

No Brasil, por sua vez, não há, até o momento, uma iniciativa em discussão para proibir ou restringir especificamente o uso de óculos inteligentes.