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Estônia: como é a vida no país mais digital do mundo

Enquanto muitas nações ainda enfrentam desafios para modernizar demandas básicas, a Estônia, país mais digital do mundo, permite que quase 100% de seus serviços públicos sejam realizados pela internet. Na prática, isso significa que os cidadãos do país podem assinar documentos, abrir empresas, pagar impostos, solicitar certidões importantes e até votar online. 

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Como a Estônia se tornou o país mais digital do mundo

O caminho para se tornar referência mundial em inovação começou há mais de 30 anos, quando a Estônia conquistou sua independência da União Soviética. Com recursos limitados, o país optou por investir de forma consistente em tecnologia para reconstruir sua economia, reduzir burocracias, atrair investimentos e fomentar novos negócios. 

Um dos grandes propulsores da estratégia foi o programa Tiigrihüpe (Salto do Tigre), que propôs estratégias para desenvolver e ampliar as infraestruturas de informática e rede no país. Lançada em 1996, a iniciativa focou principalmente a área da educação, implementando computadores conectados à internet nas escolas e, consequentemente, desenvolvendo uma população familiarizada desde cedo com a tecnologia. 

Informações conectadas

Em 2001, a nação integrou ainda mais sua estrutura digital graças à criação da X-Road, plataforma de troca de informações segura e escalável que conecta centenas de bancos de dados dos setores público e privado. De acordo com o e-Estonia Briefing Centre, centro executivo e de inovação em Tallinn, capital do país, a iniciativa já ajudou a economizar mais de 1.345 anos de tempo de trabalho anualmente. 

Com ela, cidadãos só precisam fornecer seus dados uma única vez, pois os sistemas os reutilizam de forma eficiente para as próximas ocasiões. Além disso, organizações como a polícia têm fácil acesso a informações dos sistemas de saúde, autoridade tributária e registro comercial. 

Vale a pena destacar que o X-Road é um ecossistema de código aberto que mantém a troca de dados criptografada. Atualmente, também é utilizado por países como Finlândia, Islândia e Japão.  

Votação pela internet

Em 2005, a Estônia se tornou o primeiro país do mundo a permitir que as pessoas votassem pela internet em eleições nacionais. Apenas com a identidade digital, o cidadão consegue registrar seu voto remotamente em um sistema que utiliza criptografia e mecanismos de autenticação para garantir a segurança do processo. 

Segundo informações do e-Estonia Briefing Centre, 51% da população já usa o voto eletrônico. 

Saúde integrada 

Em 2008, a Estônia deu outro passo importante rumo a um futuro mais digitalizado, com o lançamento do Sistema Nacional de Informação em Saúde da Estônia (HIS), que conecta profissionais de saúde e armazena com segurança os dados médicos dos pacientes em uma plataforma centralizada.

Hoje, 100% das pessoas atendidas no país têm registro digital. Diante desse cenário, a plataforma concentra mais de 40 milhões de documentos, incluindo prontuários, laudos, prescrições e outros arquivos que permitem que os profissionais da área acessem rapidamente o histórico de saúde completo de cada paciente. 

E-Residency: identidade digital para estrangeiros

Em 2014, a Estônia lançou o programa e-Residency, iniciativa pioneira que permite que pessoas de qualquer lugar do mundo obtenham uma identidade digital emitida pelo governo local. Com ela, empreendedores e nômades digitais podem abrir e administrar empresas registradas na Estônia de forma totalmente remota, além de assinar documentos eletronicamente e acessar serviços relacionados à gestão de negócios (como emissão de notas fiscais, envio de declarações fiscais e acesso a boletos).

A iniciativa foi criada para facilitar o empreendedorismo global e atrair profissionais interessados em operar internacionalmente por meio da infraestrutura digital do país. Vale a pena destacar que, apesar de dar acesso aos serviços, o e-Residency não concede cidadania ou direito de residência na Estônia. 

Atualmente, o país conta com mais de 37 mil empresas abertas por meio da iniciativa e 129.500 participantes no programa. 

Polo de inovação 

Todo esse investimento em iniciativas de digitalização ajudou a Estônia a se consolidar como um grande polo de inovação na Europa. Com condições favoráveis para o desenvolvimento de empresas (que podem ser abertas online e em poucos minutos) e programas como o e-Resindency, o país criou um ambiente propício para empreendedores, que não precisam perder tempo com burocracias. 

Não à toa, a nação concentra o maior número de unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) per capta do planeta e foi berço de companhias gigantes. Skype, Wise e Bolt são apenas alguns dos nomes mais emblemáticos. 

Do impacto econômico à transformação social

Embora seja muito associada ao crescimento econômico, a transformação digital protagonizada pela Estônia também gerou impactos importantes no cotidiano da população. A modernização dos serviços públicos, por exemplo, reduziu significativamente o tempo que as pessoas perdiam com procedimentos burocráticos. Já a integração de sistemas de informações digitais contribuiu para a gestão mais eficiente de recursos públicos e para elevar a transparência entre governo e população. 

Atualmente, os reflexos do ambicioso projeto de reconstrução adotado pelo país ainda na década de 1990 também podem ser observados nos indicadores de qualidade de vida da Estônia. Em 2026, o país registrou um índice de 197,2 pontos (classificado como “muito elevado”) no Numbeo – banco de dados global colaborativo sobre cidades do mundo –, com destaque para bons resultados em indicadores de segurança, saúde e custo de vida.  

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