Segurança
CGI.br atualiza guia sobre internet e eleições com foco em IA
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 22/Setembro/2026
- Da Redação
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apresenta nesta terça-feira (22) o Guia Internet, Eleições e Democracia – Volume II, elaborado para orientar a população e servir como referência para legisladores e tomadores de decisão na formulação de políticas públicas. Mais do que uma atualização, a publicação amplia o debate iniciado pelo colegiado em 2018 com o lançamento do primeiro volume, ao abordar como a arquitetura das plataformas digitais e a inteligência artificial generativa estão influenciando o ambiente informacional e a disputa democrática.
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Dividido em cinco partes, o novo guia do CGI.br diferencia plataformas digitais de redes sociais, examina sistemas de recomendação, perfilamento, microdirecionamento e modelos de negócios baseados em engajamento, e introduz a perspectiva de integridade da informação, indo além da ideia de simplesmente combater “fake news”. Mostra ainda como a desinformação tornou-se mais distribuída, passando das redes abertas para ambientes mais fechados, como incorporou vídeos e conteúdos manipulados e, sobretudo, foi potencializada pela IA generativa.
O primeiro capítulo explica como operam os sistemas de recomendação de conteúdo e o modelo de negócios das empresas que controlam as plataformas digitais. O segundo examina o impacto da IA generativa no cenário eleitoral, com atenção especial às deepfakes e aos modelos de linguagem conversacionais. O terceiro reúne diretrizes para o combate institucional à desinformação. O quarto traz orientações para que o cidadão não se torne vítima nem propagador de conteúdos falsos ou enganosos. E o quinto indica fontes e referências para aprofundamento dos temas tratados.
“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no País e nas cidades onde vivem. Não podemos ignorar que são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não pela perspectiva do interesse público. Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso produz sobre o debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia. Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia”, enfatiza Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.
Nova fronteira da desinformação
A inteligência artificial generativa ocupa uma seção inteira do novo guia do CGI.br e é tratada como o tema central do ciclo eleitoral de 2026. Sua popularização tornou acessível a qualquer usuário a produção de imagens, áudios e vídeos sintéticos com alto grau de realismo – as chamadas deepfakes –, sem necessidade de conhecimento técnico especializado.
Diante desse cenário, a publicação apresenta as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. Entre elas, está a Resolução nº 23.755/2026, que determina restrições à publicação, à republicação e ao impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno de votação, mesmo quando devidamente identificados. A medida busca reduzir os riscos associados à circulação acelerada desses materiais em um período especialmente sensível do processo eleitoral, no qual pode não haver tempo hábil para identificar e mitigar eventuais danos.
Chatbots como fonte de informação
O guia trata também de uma dimensão do problema que ainda ocupa espaço menor no debate público, mas representa risco equivalente ao das deepfakes: o uso de chatbots como fonte de informações eleitorais. Diferentemente dos mecanismos de busca tradicionais, que localizam e apontam fontes, os sistemas conversacionais sintetizam e reorganizam informações em linguagem personalizada – com maior capacidade persuasiva e menor transparência sobre a origem e a confiabilidade do que apresentam.
Pesquisas citadas no documento indicam que esses modelos são capazes de influenciar a opinião de eleitores com efeitos mais profundos do que campanhas e propagandas convencionais. Mesmo após a Resolução nº 23.755/2026 do TSE vedar às ferramentas de IA as ações de ranquear, priorizar ou emitir opiniões sobre candidatos, estudos identificaram algum grau de interferência em cerca de 90% das respostas geradas sobre temas eleitorais.
Algoritmos não são neutros
O papel dos sistemas de recomendação também é tratado no novo guia do CGI.br, que retoma advertências do Volume I: as plataformas digitais estão longe de ser um meio neutro pelo qual as informações circulam. Orientadas por modelos de negócios baseados em publicidade direcionada, essas empresas moldam ativamente a experiência dos usuários, priorizando conteúdos que gerem mais engajamento, o que, por estrutura, favoreceria materiais sensacionalistas e emocionalmente mobilizadores, em detrimento da qualidade informacional.
“A desinformação não é um problema produzido por atores isolados. Ela prospera em uma arquitetura projetada para maximizar atenção, não para qualificar o debate público. Iluminar esse funcionamento – para governos, plataformas e cidadãos – é o que torna este guia relevante para além do período eleitoral”, avalia Renata.
O Guia Internet, Eleições e Democracia – Volume II está disponível para download gratuito no site do CGI.br: https://cgi.br/publicacao/
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