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Resumão da Semana

Mercúrio Retrógrado é a favor de Neymar na Copa de 2030; entenda

Mercúrio Retrógrado também é contra o voto feminino e a favor de Flávio Bolsonaro nas eleições deste ano (ele também curte a deputada de coroa nazista na cabeça e o deputado de voz fina). Mas não tem porque dar lugar de fala a essas desgraças e, então, sigamos para coisas mais sérias e importantes e tristes.

Neste último ponto, por exemplo, entra a questão de 2030.

Quatro anos antes de nascer, 2030 já está sendo seriamente ameaçado. E por IA. E por filmes feitos com IA. E por filmes feitos com IA em que colocam várias versões de Neymar (como se uma não bastasse) ameaçando fazer papelão na próxima Copa (como se, nas últimas quatro, não tivesse bastado).

Meu pai sempre dizia que quem sofre por antecedência tem chance de sofrer duas vezes. Nesse caso em especial, estou vendo um sofrimento só, que vai durar longos quatro anos – é Neymar aqui, Neymar acolá, Neymar na Copa, Neymar no chifre.

Mas, agora pensando bem, até que 2030 é sortudo. Vai sofrer só daqui a quatro anos, quando vier ao mundo. Apesar de já surgir ameaçado, vai pastar menos que nós, reféns aparentemente eternos da família Neymarjúnior e do Corinthians (e do Náutico, de quebra).

Tava com saudade de um Brasileirão, né, minha filha? 

Recomeçou ontem com, entre outras tragédias, o maravilhoso Botafogo e Santos, que se encerrou com uma linda pataquada do goleiro da baixada santista. Acabou a Copa? Ainda não. Claro que não. Na verdade, temos duas sendo realizadas concomitantemente. Pelo menos, foi o que disse o jogador do Fogão pós partida.

Já escrevi anteriormente sobre como gosto quando as coisas vão seguindo uma linha aparentemente normal e, de repente, ocorre uma virada na história que pega todos (eu, no caso) de surpresa. É o exato oposto de frases do tipo lugar comum (“ai, só eu mesmo para fazer isso”; CLARO, SÓ VOCÊ MESMO NO MUNDO TODINHO) ou piadas com o azar do Mick Jagger (além de serem extremamente aborrecidas, tendem a ser repetidas à exaustão).

Se está difícil compreender o que estou falando, desenhando fica mais fácil. Sei lá porque (tá, eu sei, estava no Instagram caçando assunto), esses dias assistia a um vídeo de uma capivara interagindo com uma pessoa vestida de Papa Léguas. Daí, sei lá porque novamente abri a caixa de comentários (tá bom, eu sei, mas não vem ao caso) e me deparei com isso.

Jamais saberei como angelitagabrielaa chegou a isso e, mais importante, onde foi parar. Também não tenho ideia do contexto da imagem abaixo.

Ou ao estranho caso da palavra praticamente.

O praticamente se tornou praticamente o exato oposto do que significava quando nasceu. Originalmente, praticamente (e lá vamos nós com etimologia e, de quebra, bater o recorde do uso da palavra praticamente em um parágrafo nas história recente do português) significava aquilo que é feito na forma prática (como parece, dada a sua sufixação) e não em teoria.

Tá enrolado? Tá dando sono? Bom, vamos nós desenhar de novo, para deixar claro como era seu uso original. No caso, usemos a frase Gumercindo foi lá e resolveu o problema da porta emperrada praticamente.

Originalmente, significava que o Marido de Aluguel Gume desemperrou o caralho da porta na prática (seja com um martelo, com WD 40, KY ou qualquer coisa do tipo). O fato é que Gugu meteu a mão na massa e resolveu.

Hoje, como se sabe, na frase Gumercindo foi lá e resolveu o problema da porta emperrada, praticamente (creio que a vírgula, praticamente, cabe) significa que o Cindão Véio de Guerra, meio cansado, foi lá, deu um golpe de vista, um empurrãozinho, respirou fundo e voltou. A porta segue emperrada, mas menos. Ou até igual, mas ele disfarçou um pouco e convenceu a todos que até melhorou. Foco no até melhorou.

Como o praticamente de ontem virou o praticamente de hoje, sei lá, mas sei que isso ocorreu praticamente (usando o termo de hoje) praticamente (usando o termo de outrora). Chupa, parágrafo ali de cima que tinha o Guinness de praticamente. Com o uso dos praticamente agora, esse passa ser o detentor do título mundial de uso dos praticamente em um mesmo parágrafo. E, se não ganhou (não vou contar), posso dizer que ganhou praticamente.

Nesse jogo de palavras, até me pegui (pretérito do passado do pretérito escrito errado do verbo pegar) pensando esses dias em alguns episódios de Provocações (será mesmo que não seria melhor deixar o programa morrer do que tentar mantê-lo com o nome de Provoca e, pior, colocar o Professor Tibúrcio para fazer entrevistas com perguntas mequetrefe-inteligentes?).

Em especial, recordava daquele em que Antônio Abujamra entrevista Marcia Goldsmith. Sim, aquela dona que, mesmo com uma cara satânica esticadamente má, tinha um estranho carisma que unia todas as tribos.

(Todas as tribos, no caso, qualquer pessoa que bem que gostasse de conferir a exploração da miséria humana, estilo “a vida como ela é”, sem hipocrisia e com capricho na estética da pobreza, no meio de uma modorrenta tarde de outono no SBT, na Band e, sei lá, na Rede Gazeta CNT).

– Você realmente explora a miséria humana?

– Não. Eu não exploro a miséria humana. Eu mostro a vida como ela é. Não sou hipócrita.

– A vida como ela é. Então você sabe como é a vida.

– Sei.

– A vida tem ambiguidades, não tem?

– Também.

– A estética da pobreza te atrai?

– Não, ela não me atrai. Mas ela existe e eu reconheço.

– O Diário de S.Paulo diz que o seu programa coloca no ar casos que atraem a atenção de gente de todas as classes e graus de instrução.

– Hum.

– Você acredita nisso?

– Com certeza.

– E aí você mostra para uma mulher no estúdio uma câmera oculta, em um drive-in, seguindo o marido dela com um travesti. Filosofe a respeito.

E falando em SBT, o título dessa newsletter/coluna, hoje, seria Fantasiado de Canarinho, Marcelinho Carioca liga para Messi e quase apanha de Fortão da Praça. Daí, achei que seria forçar demais a imaginação e seria bom maneirar na mescalina. Mas o pessoal do PodPah, aparentemente, não maneirou.

E por falar em palavras, o dia que eu nunca mais ouvir algumas, poucas, serei feliz (sim, me contento com pouco). Elas são Felipe, Melo, O, Pilhado, Fui, Clear, Neymar, Jr, Neymar, Pai, Tiago, Leifert, Resenha, REMONTADA (como se não houvesse a maravilhosa VIRADA em português), Huck, Luciano, Benjamin, Back, Staff, Raiz, Atacar, Espaço, Entre, Linhas, Parça, Boleiro, Polarização, Narrativas, Brutal, Épico ou qualquer coisa que saia das bocas de Edilson, Vampeta, Romário, da moça das flores na cabeça, popularmente conhecida como Lana Del Reich, e do Nikolas Ferreira, que, com sua voz fina, deve morar na rua da Assembleia, número 10.

Pode ser nessa ordem (as palavras ou pessoas) ou de forma separada e aleatória.

Quando isso acontecer, talvez eu já esteja surdo e também senil. E, se for exatamente o caso, serei feliz novamente. Até lá, lutarei pelo meu direito inalienável de reclamar dos algoritmos das redes sociais. Recentemente, inclusive, comentei que estava sendo bombardeado por imagens amaldiçoadas de IA dando conselhos de, sei lá, terapeutas free style.

Agora, as coisas mudaram. Se eu entro em qualquer rede social – menos no Tik Tok, porque tenho medo de lá – me aparecem sugestões de filmes bem específicos.

X filmes que se passam em ilhas (porque, tirando o Jacques Cousteau, alguém gostaria de ver algo assim?), X filmes para assistir às 3 da matina, X filmes para dar nova perspectiva à sua vida (havia O Pequenino nessa lista, o que, a princípio, me causou espécie, mas depois concluí que a perspectiva é de baixo para cima) e por aí vai.

Agorinha (agorinha!), tinha um camarada indicando “5 bons filmes bons com plot twist que você precisa assistir” e, na lista, tinha O SEXTO SENTIDO (e Clube Luta, para caprichar nas obviedades).

Para que indicar um filme que todo mundo viu e, se não viu, já sabe que tem reviravolta? E, se não viu e não sabe que tem reviravolta, provavelmente, jamais verá porque não quer? Inclusive, isso é outra coisa que me incomoda: recomendar filme dizendo que a reviravolta é incrível. Isso porque aí a pessoa (eu) já vai ficar vendo pensando no que caralho é a reviravolta e, se estamos (eu) esperando a reviravolta, ela (ela, não eu) perde toda a força. E eu (não ela), o interesse.

Enfim, em outra das vezes que me deparei com uma lista dessas que fique encafifado, a relação era algo como X filmes que vão fazer sua cabeça literalmente explodir. Aí já tá tudo errado, a começar pela lista em si. Não tinha Scanners. A pessoa que escreveu não sabe usar literalmente e, por fim, se soubesse, por que diabos eu ia querer que minha cabeça explodisse?

Ainda aguardo a lista X filmes que você preferiria ser surdo a assistir. Mas, do jeito que a coisa vai, já já essa me pega na esquina do Threads, quando eu for direcionado para lá depois de vacilar no Facebook, no WhatsApp, no Instagram e cair na net.

Bom, e acho que é isso por hoje.

Ah, não é, não.

Seguimos na campanha para fazer Marcella Blass assistir à Possession, sendo que já já vem aí uma refilmagem com 200 atores famosos e, no original, só havia male male dois. O que tá me cheirando a uma cabidaço de emprego daqueles, mas, enfim.

Depois dela ter embromado dizendo que sempre que começava a ver acontecia alguma desgraça (na penúltima, o Papa havia morrido. Na última, ela mesmo parecia que não estava se sentindo muito bem), agora há a onda de calor na Europa.

Perguntei se ela temia que, colocando no filme, mais pessoas morressem, ela foi um tanto mais prosaica. “Tá muito calor para ficar sentada duas horas no sofá.”

Mas eu posso assistir, por recomendação da dona moça, a FROM, aquela desgraça sem fim e sem pé nem cabeça, estando calor, frio ou fazendo populares se afogar na Represa Billings aqui do Riacho Grande?

É, aparentemente e praticamente, posso.

Se essa imagem aparecer para mim novamente, capaz deu votar no cara do MBL. Ou no Aldo Rebelo.

E os links da semana

Semana que vem, tem mais. Até lá.