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Resumão da Semana

Resumão da Semana: Neymar Hipotético

    Esses dias, um leitor perguntou se eu já havia notado que, nesta coluna, escrevo muito sobre CorinthiansNeymar Bolsonaro. Também comentou que estava sentindo falta das participações da Marcella por aqui, ultimamente.

    Bom, a vida não se resume em festivais.

    O fato é que os três primeiros citados acima têm mais em comum do que se possa imaginar: diversão a rodo. Já a Marcela é um caso sério.

    Mas vamos por ordem.

    O primeiro me divertiu muito em um passado (não muito, vá lá) distante. O segundo, no presente – a turnê do menino Ney no Brasil é como se Os Trapalhões e o Rei do Futebol (ou Uma Aventura de Zico) fosse filmado pela Brasileirinhas em um asilo ou centro de ortopedia. Já falei sobre isso aqui, anteriormente.

    Como não gostar?

    (Em tempo, no parágrafo ali em cima, não comparei Neymar a Pelé. No filme, dos Trapalhões, ele poderia fazer o papel do Zacarias. No do Zico, seria o personagem do Eri Johnson.)

    Já o terceiro, ah, o terceiro.

    O passado de Bolsonaro, de forma geral, é catastrófico para o mundo. Impossível passar a borracha dos 700 mil mortos e a tentativa bisonha de golpe, entre outras coisas. O presente, vexaminoso (fazendo live desgraçada em hospital e vendendo capacete). Entretanto, com a prisão batendo à porta, é diversão garantida em um futuro bem próximo.

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    BRIAN WILSON, UM CINÉFILO

     

    O que nos leva, já que o leitor ali em cima pediu, à Marcella – e calha exatamente com a data especial da semana: o Dia do Trabalho.

    De fato, nesses meus quase 30 anos de jornalismo, poucas vezes trabalhei com uma pessoa que gostasse do ofício. É dela, a frase “eu morro de medo de morrer e deixar algum texto pela metade. Volto do além vida para sentar no ombro de alguém e faço a pessoa terminar de digitar.”

    Normalmente, a pessoa escolhida é o PC mesmo. Mesmo porque se sentar no meu ombro, vai ter que esperar. Ou se contentar com um serviço porcamente feito.

    De qualquer forma, o que ajuda muito no trabalho dela em seu dia a dia é o forte poder de argumentação. Como ninguém, ela mistura dados sérios e sólidos com a tática do pombo enxadrista, cara de enfado e energia sem fim até conquistar o “tá vendo como eu tenho razão?”.

    Por exemplo, sempre que indico um filme que, claramente, ela não quer ver, são mil argumentos e nenhum deles é “não tô a fim”. “Não vejo filme em preto e branco”. “Cansei de zumbi” (sendo que, na semana anterior, havia me indicado um semelhante). “Sério que tem 1h46? Prefiro mais curto ou mais longo.”

    Pior é o caso de Possession, que, diz ela, sempre que tenta começar a ver ocorre alguma desgraça. Recentemente, morreu o Papa e tivemos um belo apagão na Europa. A culpa, claro, foi do filme que ela pensou em pensar em começar.

    Ela é tão convincente que eu acredito.

    Certa feita, ela provou por A+B que eu gostava de comer frango (sempre odiei). As explicações foram muito esquisitas. Entretanto, dias mais tarde, me peguei almoçando um belo ensopado, achando horroroso e pensando “tem alguma coisa errada nesse prato, já que adoro frango”.

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    SE FOSSE UM CACHORRO MORTO, CABERIA UM EIS QUE LATO

    Só para terminar, vamos a mais uma caso do poder argumentativo – de sua mente.

    Um dia, ela apareceu para trabalhar e encontrou, na entrada do prédio da agência, um pássaro morto. Ao mesmo tempo, chegou Beatrix e a viu chorando. Foi consolar e tentar entender o que estava acontecendo.

    Marcella a convenceu que o bicho estava vivo – o que não é difícil, dado que Beatrix acredita até hoje que haverá metrô no ABC algum dia – e que, se levassem para a redação, ele melhoraria. Subiram com a ave e largaram em um canto, esperando o bicho reviver miraculosamente.

    Depois de 15 minutos, o pássaro voltou à vida, graças ao poder de argumentação mental da Marcella, que cria que ele reviveria. Beatrix, que já tentou entrevistar um morto certa feita, achou a coisa mais normal do mundo.

    O que não foi normal foi o bicho começar a voar pela redação, tentando sair, se jogando contra a janela de todo jeito. Antes da segunda morte, por meio de mais uma vez da técnica do pombo enxadrista mental da Marcella, se mandou.

    (Não sem antes, claro, cagar por todo o ambiente. Tipo uma fênix, mas na versão mais pardal e, digamos, cagona que tem.)

    Poderia também contar da vez que ela levou um cachorro caramelo para morar na redação, mas creio que a coluna ficaria grande demais. Está bom de Marcella por ora.

    (Enquanto escrevia isso, lembrei dela convencendo a todos que a melhor padaria do mundo fica no pior bairro do Brasil, como furto de tampinhas de pneus feitos por menores de 9 anos deveria ser liberado e deve cívico perante a Constituição e a importância dos ciganos na economia das Lojas Americanas.

    São hipóteses completamente alopradas, mas convincentes se vierem com o olhar inquisitivo da Marcella.) 

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    ONZE PALAVRAS

     

    Por fim – e para não perder muito MAIS o rumo da coluna – vamos ao que de melhor tivemos no 33Giga nesta curta semana.

    (Sobre Neymar Hipotético, falo mais semana que vem. Ele não vai a lugar nenhum, no momento.)

    Perdeu as colunas anteriores? Tá na mão