Negócios
Estudo mostra que 78% dos músicos profissionais já usam IA
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 07/Maio/2026
- Da Redação
Oito em cada dez músicos profissionais (78%) já usam a IA no dia a dia de seus fluxos de trabalho, liderando a adoção da ferramenta no mundo da música. Esse é um dos achados de um estudo feito pela Moises, plataforma de música com inteligência artificial usada por mais de 70 milhões de músicos em todo o mundo, em parceria com a Water & Music, consultoria de inteligência e mercado focado no universo de música e tecnologia.
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O levantamento, realizado entre novembro e dezembro de 2025, com 1.525 músicos de diversos níveis espalhados pelo mundo, revela que a inteligência artificial não só já se aliou à produção musical, como também tem impactado a vida financeira dos artistas: 26% dos músicos que geram renda com sua arte afirmam que a IA aumentou seus ganhos. Outro dado relacionado diretamente com esse cenário é que músicos profissionais têm duas vezes mais probabilidade de investir US$ 50 ou mais mensalmente em ferramentas de IA do que os novatos.
Os resultados desafiam alguns sensos comuns sobre o uso da inteligência artificial na música. Além dos músicos profissionais adotarem ferramentas de IA em taxas mais altas que os amadores – 60% destes usam a tecnologia nos fluxos de trabalho –, o levantamento constatou que o uso é focado em desenvolvimento técnico. Entre os entrevistados, 40% utilizam a tecnologia para aprender novas músicas com mais agilidade, 33% para experimentar novos gêneros musicais e 30% para elevar a qualidade final das produções.
“A narrativa em torno da inteligência artificial na música costuma focar no que ela pode substituir, mas o que esses dados mostram é o oposto. Os músicos estão usando a IA para ir mais longe com suas ideias, praticar com mais eficácia e explorar sons que talvez não alcançassem de outra forma. Os artistas mais sérios tratam essas ferramentas como instrumentos, não como atalhos”, diz Geraldo Ramos, CEO da Moises.
Embora preocupações com direitos autorais e autenticidade se destaquem e persistam, a satisfação com as ferramentas é quase unânime: 92% dos usuários de IA recomendariam essas soluções para seus pares, o que mostra que a resistência ideológica tem potencial de perder espaço para o pragmatismo.
Para Cherie Hu, fundadora da Water & Music, o maior equívoco atual é acreditar em uma divisão binária entre ser “a favor ou contra” a tecnologia. “Os músicos estão fazendo escolhas conscientes e deliberadas sobre como essas ferramentas se encaixam em sua arte. É assim que uma adoção saudável acontece”, pontua.
A visão é endossada por Elmo Lovano, CEO e fundador da Jammcard, plataforma de networking especializada em profissionais da música. “Em sessões de grandes artistas da indústria, a IA já está ‘na sala’, seja para separação de faixas (stems), seja para agilização de workflow dentro da DAW ou masterização. Os profissionais são pragmáticos. Se a ferramenta melhora o resultado, eles usam. Se compromete a arte, eles descartam”, resume.
Para Robert Prey, Professor Associado da Universidade de Oxford, o movimento atual é guiado pela análise crítica e não apenas pelo hype. “Músicos profissionais testam as ferramentas criticamente e mantêm o que se encaixa em seu fluxo de trabalho, refletindo profundamente sobre o significado dessa tecnologia”, conclui.
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