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Resumão da Semana

Mochilinha de Criança (AKA Dianho)

Com muito custo e depois de 2 mil quilômetros rodados por este Brasilzão de meu Deus, esta coluna e newsletter de meia pataca está de volta. Agradeço os quatro leitores que vieram cobrar ou elogiar a ausência.

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De qualquer forma, fazer o caminho de festas Natal, Ano Novo e quase Carnaval, passando por Toledo, no Paraná, São Bernardo do Campo e Palmelo, Goiás, não é suave. Mas voltei. Eu e minha mochilinha de Chernobyl.

 

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Essa é da época que a Agência Entre Aspas fazia testes de produtos para o finado UOL Tecnologia e saiu isso aqui: Cara e feia, mas útil: mochila solar carrega 30% bateria do celular em 1h.

Outros tempos, em que valia a pena até ficar estéril se fosse para ter carga no celular. Como comprova, aliás, o excerto abaixo do review.

Andar por aí com uma mochila com um painel solar nas costas não é das coisas mais comuns do mundo. Também é possível ter medo: ela vem com uma etiqueta dizendo que seu material contém composto químico reconhecido pelo Estado da Califórnia (Estados Unidos) como causador de câncer ou problemas reprodutivos. É ainda um pouco embaraçoso andar com um troço feio nas costas (ela é larga, achatada e parece um pouco a mochila de prótons do filme “Os Caça Fantasmas”).

 

Via Toledo, PR

– Tá longe de casa, hein, filho.

– Tô sim, seu guarda.

– Documento do carro e habilitação, por favor.

– Só um segundo.

– Está vindo de onde?

– Toledo, seu guarda.

– Viagem de negócios, filho?

– Mais ou menos, seu guarda. Minha irmã mora lá.

– Foi visitá-la, então? Ah, poderia abrir o porta-malas, por favor?

– Claro. Fui sim. Mas aproveitei para fazer alguns negócios, seu guarda.

– Que tipo de negócios, filho?

– Bom, tive uma reunião com o prefeito.

– É político?

– Não, não. Sou jornalista. Mas pedi uma audiência com o prefeito para saber da possibilidade de mudar o nome da cidade.

– Pode fechar o porta-malas, filho. Me diga, por que você gostaria de mudar o nome da cidade?

– Acho que a cidade de Toledo ficaria melhor se mudasse o nome para Ari Toledo. Seria uma justa homenagem ao segundo melhor comediante do Brasil.

– Quem seria o primeiro, filho?

– Carlos Alberto de Nóbrega, seu guarda.

– Sei.

– Além de mudar o nome da cidade, o ideal seria também mudar o nome das ruas. A principal deveria virar “Rua do Papagaio Gago”. As outras ganhariam nomes como “Rua do Portuga Broxa”, “Rua da Viúva Alegre”, etc.

– Já está liberado, filho. Pode prosseguir viagem.

– Só me deixe terminar. O prato principal da cidade, em vez de churrasco, viraria Gato com Batatas. Em frente à prefeitura, haveria um imenso monumento de um elefante se suicidando.

– De muito bom gosto essa estátua, não?

– O senhor também acha, seu guarda? Mas vou além. A igreja principal viraria a Igreja do Padre Pirocudo. Todos os bairros mudariam de nome. Por ordem de entrada na cidade, o primeiro seria Marly Marley. O segundo, Marly Marley II. O terceiro, Marly Marley III. E assim por diante.

– O prefeito aceitou sua sugestão?

– Ficou de pensar. Disse que ia tentar a reeleição. Se perdesse, acataria a idéia. Só não entendi direito isso. Ele devia mudar o nome caso ganhasse, não? Para agraciar a população que o reelegeu.

– Acho que não, filho. Pelo que percebo, ele mudará o nome da cidade caso perca, para poder punir a população mesmo.

– Nesse caso, vou voltar. Se é para punir, a idéia é outra. Mudar a cidade para Jô Soares ou Arnaldo Jabor.

– Ok, filho. Dirija com cuidado. E não corra muito.

– Vou dentro do limite de velocidade, seu guarda. Mas ainda tenho muito a fazer. Depois de sair novamente de Toledo, rumarei à Florianópolis.

– Pretende mudar o nome da cidade também, filho?

– Não. Somente do Costão do Santinho. Acho que ficaria melhor Costinha do Santão. Para homenagear outro excelente humorista brasileiro.

– Nesse caso, quando voltar, passe aqui e me leve.

– Sério?

– Sério. Sempre fui fã do Costinha e acho que ele merece mesmo uma homenagem póstuma. Na volta, pare neste posto policial e buzine três vezes. Estarei esperando.

– Ok, seu guarda. Muito obrigado.

– Eu que agradeço.

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Mas como comecei falando em mochilinha, sempre que o assunto é esse (sim, gosto muito de falar sobre mochilinhas), lembro das crianças de Jequié, que receberam umas mochilona mesmo (de mochilona, não gosto de falar muito, não; mas a vida não é um morango) e saíram em belíssimas fotos indo para escola. Mais um assunto antigo, de 2017.

O clique vale e é atemporal.

 

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Aí uma coisa leva a outra e rapidamente me lembro que Mochilinha de Criança é um dos apelidos do capeta e é também um dos meus favoritos, já que ele “fica nas costas dos inocentes”. Gosto muito de Belzebu, Diogo, Sete Peles e Asmodeu também.

Entretanto, o Mochilinha de Criança entrega algo a mais que não faço ideia. É tão gráfico quanto a foto da criançada com ela nas costas indo para a escola. Ainda destaco Cabrunco, Cramulhão, O Difamado, Atentado e Dianho como ótimas denominações (mesmo porque Dianho dá a ideia de um capeta meio fanho, meio Nhonho – eu, pelo menos, imagino o Nhonho pintado de vermelho).

Já a expressão “Tá no colo do capeta” (assim como milhares de frases feitas, em especial as usadas por bolsonaristas) me irrita muito. “CPF cancelado”, “O craque Neymar”, “Precisamos acabar com a polarização” são outros exemplos.

Mas eu havia comentado sobre a “Tá no colo do capeta” por um motivo simples: esses dias, encontrei um antídoto a ela. E não é que desenharam. Marcenaram e esculpiram.

 

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E já que entramos no assunto religião, lembrei que, durante a turnê octagenária de Sísifo, minha mãe e eu estávamos em um centro espírita e, antes das palestras, estavam tocando algumas músicas edificantes. Aí, subiram ao palco duas moças com violões para completar o lance.

Eu diria que a apresentação não estava das melhores, mas minha mãe se antecipou (mesmo porque, depois dos 85 anos, ela perdeu completamente o filtro e o freio na língua), virou para mim e emendou “essas aí tão pior que Dead Kennedys”.

Até pensei em replicar.

Mas primeiro considerei que o silêncio é uma prece. Segundo, que a véia soltou uma ofensa a ambos – à banda e às moças. Por fim, fiquei mesmo encucado com Dona Thereza conhecer, e achar ruim, Fresh Fruit for Rotting Vegetables.

Mas aí lembrei da história de que, no anos 60, ela foi a uma apresentação de elefantes de patins no Ibirapuera e concluí logo que o silêncio é uma prece. Já os links abaixo da imagem, não.

 

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Semana que vem, tem mais. Até lá.