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Volta ao presencial será tendência no mercado do trabalho em 2026?

  • Créditos/Foto:DepositPhotos
  • 25/Dezembro/2025
  • Da Redação, com assessoria

Depois de anos em que especialistas e empresas apontavam o home office e o modelo híbrido como o futuro do trabalho, a realidade mostra sinais claros de que a tendência pode estar se invertendo: cada vez mais companhias anunciam retorno integral ao escritório e reduzem os dias de trabalho remoto. Casos de demissões por resistência ao retorno presencial, como os ocorridos no Nubank, e de desligamentos por baixa produtividade de funcionários remotos, como no Itaú, alimentam o debate: será que o presencial está voltando a ser a regra?

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Nos últimos meses, essa mudança tem chamado atenção e gerado questionamentos sobre produtividade, engajamento e cultura corporativa. Ao mesmo tempo, histórias de colaboradores que tentam “burlar” sistemas de monitoramento ou equilibrar múltiplas tarefas em casa mostram que o modelo híbrido ainda enfrenta desafios estruturais e comportamentais significativos.

Para Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho, a explicação vai além de simples preferência do empregador ou do colaborador. “Por mais que os modelos híbrido e remoto sejam atrativos, tanto empresas quanto trabalhadores não estavam preparados para uma mudança tão abrupta. O que vemos hoje é a consequência de falta de planejamento, orientação e adaptação. Não existe um único culpado. É uma falha sistêmica de preparo”, afirma.

Monitoramento e produtividade: a realidade por trás do home office

Uma das grandes polêmicas envolvendo o trabalho remoto é a forma como a produtividade é avaliada. Algumas empresas utilizam métricas digitais detalhadas: monitoramento da memória e do uso do computador, quantidade de cliques, abertura de abas, inclusão de tarefas em sistemas internos e registro de chamados.

Para muitos colaboradores, a amplitude desse acompanhamento é surpreendente. “Nem todos percebem que existem ferramentas capazes de medir cada movimento, mesmo fora do escritório. Isso gera desconforto e desconfiança”, explica Tatiana.

Esses episódios reacendem um debate antigo: o home office e o trabalho híbrido estão realmente em crise ou é apenas uma fase de ajuste?

Home office e híbrido: o desejo versus a prática

Mas, se é um anseio dos trabalhadores, por que as empresas relutam em adotar esse modelo? Ocorre que a transição para o modelo híbrido enfrenta diversos desafios, tanto do ponto de vista estrutural quanto organizacional.

A resistência de muitos empregadores é um dos principais obstáculos. Após a pandemia, quando as empresas foram obrigadas a adotar o home office, muitas começaram a experimentar o trabalho híbrido. Contudo, a implementação efetiva desse modelo exige adaptações significativas nas políticas internas, infraestrutura tecnológica e na organização dos contratos de trabalho.

Segundo Mourival Boaventura Ribeiro, sócio da Boaventura Ribeiro Advogados Associados, “depois da pandemia, as empresas passaram do trabalho remoto para o híbrido e, agora, precisam adaptar-se às novas regras legais”. A sanção da Lei nº 14.442/22, que regulamenta o trabalho híbrido e remoto, trouxe mudanças importantes, mas a adaptação a essas novas regras tem sido lenta para muitas companhias, que enfrentam dificuldades em ajustar as estruturas para garantir a eficiência do modelo híbrido.

Infraestrutura e segurança: desafios essenciais

Entre os principais desafios da implementação do trabalho híbrido e home office, destaca-se a questão da infraestrutura. Para garantir esses modelos funcionais, é necessário revisar políticas de trabalho, oferecer tecnologia adequada para a comunicação remota e presencial e garantir que contratos de trabalho estejam adaptados às novas exigências legais.

A segurança da informação também é uma preocupação central, especialmente quando os colaboradores trabalham remotamente e acessam sistemas corporativos de casa. A empresa precisa garantir que as ferramentas e os dispositivos usados pelos colaboradores estejam protegidos contra riscos cibernéticos.

“Quando um colaborador trabalha remotamente, a empresa precisa garantir que seu equipamento esteja protegido contra vírus e outros riscos. Caso contrário, o risco de ataques cibernéticos pode comprometer a segurança da companhia”, alerta Carol Lagoa, cofundadora da Witec.

Resistência dos empregadores e reconfiguração da gestão

Muitos líderes de empresas ainda não se sentem confortáveis com a ideia de não estarem fisicamente presentes para supervisionar suas equipes. Além disso, a falta de contato constante pode gerar sensação de desconexão, dificultando o engajamento e a colaboração entre os membros da equipe.

Tatiana afirma que a escolha de quem vai para o modelo híbrido ou home office deve ser feita pelos gestores diretos de cada equipe, avaliando as condições do ambiente de trabalho de cada colaborador. A adoção do híbrido exige autonomia, responsabilidade e uma compreensão detalhada das condições em que cada funcionário se encontra.

A importância de adaptar-se às novas normativas

Além das questões estruturais e culturais, as empresas também precisam adaptar-se a novas normativas legais. A Lei nº 14.442/22, que regulamenta o trabalho híbrido e remoto, trouxe mudanças que flexibilizam o controle de jornada para trabalhadores remotos. No entanto, a implementação tem sido um processo lento e difícil para muitas empresas, que precisam garantir que seus contratos de trabalho e suas políticas internas estejam em conformidade com as novas exigências.

Tatiana também destaca a importância de cumprir as Normas Regulamentadoras (NR). “Laudos como a NR 17, que trata de ergonomia no ambiente de trabalho, e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) são fundamentais para garantir a segurança dos colaboradores, minimizando os riscos de acidente ou doenças ocupacionais”, explica.

Mercado do trabalho em 2026: equilíbrio entre presencial e híbrido

Apesar dos desafios, o trabalho híbrido e o home office continuam a ser opções promissora para muitas empresas que buscam reter talentos e melhorar a satisfação de seus colaboradores. Contudo, é claro que a adoção exige paciência, adaptação e aprendizado contínuo por parte das organizações.

O mercado do trabalho em 2026 e seu futuro está sendo redesenhado. O caminho para uma transição efetiva, no entanto, ainda está repleto de desafios. Adaptar-se às novas normas legais, garantir infraestrutura adequada e criar políticas internas que atendam tanto às necessidades da empresa quanto às dos colaboradores são passos essenciais para o sucesso de qualquer modelo de trabalho.

Em última análise, a flexibilidade e a adaptação serão fundamentais para que as empresas consigam equilibrar o trabalho híbrido, home office ou presencial, garantindo produtividade, segurança e bem-estar para todos.

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