Resumão da Semana
Melhores do ano do 33Giga: afinal, quem é Alcide?
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 10/Dezembro/2025
- Sérgio Vinícius
Dia destes, acompanhei minha mãe a uma loja de aparelhos auditivos. Creio que faz uns 20 anos que Dona Thereza os usa mal e porcamente. Agora, depois de perder um e praticamente inutilizar o outro, resolveu trocar (leia-se foi obrigada por minha irmã, que não aguenta mais berrar para a véia).
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Foi uma experiência deveras deveras. A começar que, na sala de espera, havia uma orelha de pelúcia, com a qual minha mãe rapidamente fez amizade. A orelha de pelúcia, aliás, estava em melhor condição auditiva que a velha. Pelo menos, ela não respondia nada muito descabido (e nem cabido).
Minha mãe, que fala mais que Passat velho, tem mania de retrucar a qualquer som. Mas, como ela é, como já está claro, um tanto surda, o que vem da boca dela normalmente faz tanto sentido quanto a Velha Surda, da Praça é Nossa, interagindo com Apolônio e Cazalberto.
Certa feita, meu irmão perguntou se ela gostaria de caminhar pela calçada (estávamos andando no meio da rua) e ela respondeu com “cansada? Imagina, tenho ainda bastante energia. Mas eu andaria ali na calçada. Que acham?”.
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De outra, falávamos sobre os tempos do descobrimento da América e eu queria lembrar o que diabos era o Peabiru mesmo (eram umas trilha indígena pré-colombianas que ligava o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, atravessando a América do Sul sei lá muito bem como).
Ela me explicou tim tim por tim o que era o personagem do Seu Peru, na Escolinha do Professor Raimundo. Na hora, não entendi bem o que um personagem gay que ficava porrrraqui com tudo tinha a ver com Colombo, achei que era alguma alegoria obscura e depois percebi que era só surdez mesmo.
Os exemplos são inúmeros
Houve a vez que, ao lado de uma conversa, balbuciou um “não sei quem é”. Minha irmã e eu olhamos para ela. “Esse tal de Hélio”. Estávamos simplesmente falando sobre bolo de cenoura, o que torna impossível saber o que ela havia entendido.
De qualquer forma, no dia da orelha de pelúcia, eu a acompanhei para o teste de um novo aparelho. “Preciso mesmo usar os dois?” “Seria o indicado. Mas você decide.” “Quem é Alcide?”
Entramos na sala e a moça faz o exame para descobrir o ponto exato de volume do aparelho. Minha mãe os coloca. A dona moça faz ajustes.
“Minha voz está muito alta, parece que estou gritando. Baixa o volume do aparelho.”
“A senhora está gritando.”
“Por isso mesmo, abaixa o volume.”
“Mas, se eu abaixar, a senhora não vai ouvir nada, nem sua voz nem a dos outros. Não seria melhor a senhora falar mais baixo?”
“POSSO?”
“Por favor.”
“Uia, milagre da tecnologia.”
“A senhora falar baixo?”
“Não vem ao caso.”
(Precisamos de um padrão para quando alguém for falar algo? Tipo aspas ou travessão, me pergunto.)
—
(Não, não precisamos, respondo aos meus botões)
– Quando eu contava um segredo, eu falava daquela altura?
– Olha, mãe, a senhora nunca foi de guardar segredo. Então, tanto faz o volume. Mas, sim, gritava.
– Que indelicada.
– É a vida.
– Só tenho uma dúvida agora.
– Diga.
– Quem é Alcide?
—
Sei lá quem é Alcide, mas sei que odeio o comercial dos pôneis na avenida Paulista, da Samsung.
Não basta ser estúpido e tentar vender uma imbecilidade (IA que faz montagem em fotos) exemplificando com carros transformados em pôneis coloridos na avenida Paulista. Dá para ir além. O camarada que faz a arte precisa mostrar aquela excrescência para uma moça que está ao lado e se acaba de gargalhar com o caralho da foto.
Não é engraçado.
Aliás, não é nem que não seja engraçado. É estúpido, é desnecessário e, mais uma vez, só deve servir como algo pedagógico: porque IA não deveria existir. Imagina gastar um caminhão pipa do tamanho do Maracanã para fazer uma montagem. Com pôneis. Coloridos. Na Paulista. (E, de quebra, fazer uma dona se escangalhar de rir com uma montagem com pôneis. Coloridos. Na Paulista.)
Nem sei o nome do telefone da Samsung, mas poderiam vender como um produto que faz bem qualquer outra coisa – captação de áudio, por exemplo. O comercial tá pronto, sem carro transformado em pônei, sem IA.
Vamos a ele.
Uma pessoa anda pelas calçadas da avenida Paulista tomando, no gargalo, uma garrafa de 2 litros de Guaraná Antártica. Um idoso, suando dentro de Opala que fuma mais que pai de santo, está preso no congestionamento. Ele olha para o lado, vê a cena e não se aguenta.
Baixa o vidro com uma dificuldade descomunal por conta do braço ruim (o idoso havia tido um AVC anos antes e essa era uma das sequelas) e da falta de manivela de descer a janela no carro e também de um bom WD 40, olha para o rapaz dos 2 litros de Guaraná e berra:
– Vai tomar tudo isso de Coca, seu puto?
O rapaz do Guaraná ignora, dado que ele estava com Guaraná. A esposa do idoso dentro do carro exclama “Alcide! De novo isso?” e a Samsung fecha com “Smartphone XYZ, o único com GBG – grosseria burra e gratuita” e fim.
Se quiser, dá para colocar um pônei colorido, alado até, com uma máscara de gosto duvidoso, em algum lugar, desde que desenhado pelo Alcide e seu braço ruim.
Mais ou menos, como o abaixo.

(Ah, sim, e tem que emendar com a captação de áudio. Então toda a gritaria do Alcide é registrada pelo telefone da Samsung que está no bolso de trás da calça do puto da não Coca-Cola.)
—
Inclusive, como é chegado final de ano, a reportagem do 33Giga se reuniu por aqui para votar nos Top 5 de 2025. Normalmente, fazemos com as melhores reportagens do período. Mas, como agora queremos inovar, inventamos uma categoria um tanto mais ampla.
Abaixo, você confere os eleitos da redação no quesito “Queremos qualquer coisa”. Os comentários são, obviamente, dos próprios jurados.
Bianca Bellucci
– Primeiramente, prisão do Biroliro (comentários não necessários);
– Show do Oasis (obrigada, Sara, pelo divórcio milionário nos conceder esta dádiva);
– West End Girl, o novo álbum de Lily Allen (e a maravilhosa avacalhação ao ex-marido);
– A passagem arrebatadora de Neymar pelo Santos (melhores momentos aqui: https://x.com/datafutebol/
– Pistache em tudo e mais um pouco (chupa, morango do amor!).
Marcella Blass*
*Como está em turnê pelo Brasil, faltou no dia do ensaio. Depois, ela repõe com uma lista dos piores de 2025 também. E com um shrubbery bem bonito e que não seja tão caro.
Maria Beatrix Vaccari
- Lily Allen retornando à música com o West End Girl, vulgo melhor álbum do ano.
- Show absurdo da Lady Gaga com mais de 2 milhões de pessoas em Copacabana.
- Brasil ganhando o Oscar de Melhor Filme Internacional. Fernanda Torres merecia o de melhor atriz também, mas bola pra frente.
- Lançamento de O Estúdio, uma das séries mais legais (na minha opinião, claro) dos últimos anos.
- Sinners mostrando que, às vezes, Hollywood só precisa de um bom roteiro original.
Paulo Basso Jr.
Tirando a prisão do Bolsonaro, que é hors concours, temos:
- “Meti ferro aí” (maçarico na tornozeleira com curso de Eletricidade por correspondência pelo Instituto Universal Brasileiro, provavelmente destacado do gibi do Pato Donald)
- Neymar comemorando o gol em que a bola não entrou
- Guiana Brasileira
- Oscar para Ainda Estou Aqui
- Odete Roitman ressuscitada
Beatriz Ceschim*
*onde andará nossa caiçara santa cecilier favorita? ela ou messi ou tyson ou roberto carlos ou anderson pico? o futuro dirá. Quando aparecer, ela envia os melhores e piores de 2025.
Sérgio Vinícius
- Frase ao ar livre: “Popcorn, and ice cream seller sentenced for a coup d’état in Brazil.”
- Frase ao ar preso: “Que horas o senhor começou a fazer isso, seu Jair?”
- Frase ao ar quase preso: “Eu, minimamente, quero jantar, excelência, porque eu só tomei café da manhã”
- Frase de tatuagem com erro de português (só conheci este ano, então entra no TOP 5 2025): “As pessoas não entendem o quão obcecado eu sou em vencer.”
- Frase que prenuncia o melhor MINI DOC do ano: “Esse vídeo começa bom e vai ficando melhor a cada segundo.”
—
– Que vídeo, Juliano?
– O vídeo do urso que se enche e parte para cima do adestrador. Tem uns detalhes maravilhosos, tipo o cara tentando ajudar o homem atacado pelo urso enquanto tem uma arara nas costas… Ou a dona usando uma tabela de basquete pra bater no urso.
– Acabei de ver. 4 vezes, aliás. Que coisa maravilhosa. Você é um amigo!
– Eu lembrei da sua fascinação por aquela foto da briga de rua no ano novo. ou sei lá que briga e que data, mas acho que você sabe do que tô falando.
– O começo é bom porque, lá no fundo, quando o urso se enche, parece que ele tá namorando o treinador. Tipo dançando agarradinho, em um baile da vassoura. Ou dos enxutos.
– Eu acho que a primeira coisa bizarra é isso ser uma corrida de urso. O primeiro urso que passa pelos obstáculos não tem condições nenhuma… Sei lá quanto esses bichos apanharam pra aprender fazer essa coisa ridícula. E parece um anão vestido de cachorro.
– Sim, parece uma fantasia. No áudio do vídeo, quando o cachorro-urso-anão pula, faz poing, poing, tipo a Sabrina Boing Boing. Sobre a foto, é uma treta em Manchester, acho.

– Essa foto mesmo. É ótima… Mas não tem arara. Falta uma arara no ombro de alguém pra ficar nota 10.
– Não tem como concorrer com uma arara no ombro e com uma tabela de basquete fazendo as vezes de, sei lá, turma do deixa disso.
– E tem o vídeo por outro ângulo .
< AGORA JUNTOS >
– O pobre do urso tava usando um daqueles patinetes que são duas rodas uma do lado da outra? Acho que chamam de hover board.
– Eles chegam num tipo de patinete mambembe? Sei lá como chama isso.
– ISSO!
– ISSO!
< /CABOU O JUNTOS >
– E tem isso, ó: Zoológico chinês nega alegações de que seus ursos são humanos disfarçados.
– Olha a foto. O urso tá todo troncho e com barriga d´água. Tá na cara que é um sujeito doente e fantasiado. Não enganam ninguém.
– Voltando ao vídeo, agora que botei reparo que o primeiro a dar combate usa uma banqueta de plástico de boteco.
– É uma pilha de banquetas! Têm umas 4 ou 5.
– Mas a mulher tá meio indecisa se senta a porrada no urso e traumatiza a menininha que foi de vestidinho branco, toda arrumada, ver essa barbárie.
– O cara com o pedaço de pau (bambu) mesma coisa… Fica cutucando o urso. Depois desiste.
– Na hora que a mulher assume a arara, ela tenta muito pegar aquela grelha de churrasco para dar no urso. Mas parece que tá pregada no chão.
– O bom de ser na China é que o celular do povo é bem bom e dá para ver detalhes em HD.
– Tá todo mundo despreparado para a situação. Mas, assim, MUITO despreparado.
– Melhor assim. Porque imagina se isso era o plano de contenção. “Se um urso ficar puto, a gente pega uma arara, um bambu e uma tabela de basquete e vamo que vamo”.
– No começo tem um rapaz que fica olhando… Dá as costas, depois volta meio sem querer se meter.
– Esse aí só foi porque ia ficar feio. Mas quase não foi.
– Ele faltou na aula do plano de contenção. Aí, quando percebeu que era na base do improviso, foi.
– Faltou combinar com os russos (ursos)

Ah, sim, além dos russos (ursos), faltaram os links para os vídeos. Aqui e aqui.
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