Resumão da Semana
No céu tem joelho de porco? E morreu
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 11/Setembro/2025
- Sérgio Vinícius
Gostaria de saber a opinião da matrona da literatura brasileira sobre a pontuação do título desta newsletter/coluna. Afinal, trata-se de uma referência a uma citação (de um menino morto de fome, talvez literalmente) de uma citação (do Didi, personagem do Renato Aragão, sub-personagem do dr. Renato, personagem dos boatos de internet).
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Como não tenho certeza se a matrona lê essa newsletter/coluna aqui, eu mesmo vou tentar descobrir se está correta. (Na verdade, sobre dona Aurora, tenho mais dúvidas do que certezas. Será que ela tem internet? Tendo, teria interesse em ler este acinte em forma de news? Tendo tendo, seguiria até o fim sem antes desmaiar ou terminar de regurgitar seu chá de camomila vespertino? São muitas questões.)
Mas, de volta à vaca fria e para fins didáticos, analiso a citação original para depois chegar ao título deste pardieiro.
Creio que o mais próximo do correto seria “‘No céu tem pão?.’ E morreu”. Tudo aí é dito por Didi, citando o menino na primeira parte. Mas como o Didi é um personagem e, talvez, o menino, outro, é possível que tudo seja da cabeça do Renato Aragão e não precise de tantas aspas duplas e simples ou, pelo contrário, precisemos do dobro ou triplo de tudo. Incluindo os pontos finais meio amalucados.
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O que vira quase uma questão matemática e, por isso mesmo, a matrona já foi dormir. Chá de camomila dá sono.
(É tudo tão complexo quanto o batido “Navegar é preciso; viver não é preciso”, atribuída a navegadores antigos por Fernando Pessoa mas que, na boca miúda, dizem que quem falou mesmo foi o historiador Plutarco, citando o general Pompeu, que acabou virando nome de carro, um Corsa Verde 96. Nomear é preciso e não muito.)
Considerando que precisem-se de mais aspas ou de nenhuma, é importante notar que cito dr. Renato, Renato Aragão, Didi e o menino morto de fome aí talvez literalmente. Logo, não consigo saber como pontuar o título. Mas tenho certeza que, independentemente da forma que escolher, estarei errado.
Comecei esse longo e confuso prólogo porque queria chegar mesmo a uma denúncia, um assédio cibernético que venho sofrendo. Sei lá porque, toda vez que abro o Instagram, sou atacado por um vídeo de um camarada que chamo de Didi Defumado.
Isso porque, pelo que entendi, ele tem uma loja de carnes defumadas e, a todo instante, quando entro na rede social, Didi Defumado já surge do nada me oferecendo joelho de porco. É uma parada muito chata, insistente e tenho dúvidas se o próprio Didi Defumado tem noção do quanto surge para mim.
De qualquer forma, a moral disso tudo é que – novamente – tenho mais dúvidas do que certezas. A dúvida é se, de fato, existe pão ou joelho de porco no céu. A certeza é que no Instagram, com certeza, habemus Didis Defumadus.
E falando em joelho de porco, esses estava lendo um texto sobre a ascensão e queda e a ascensão de novo e a queda de novo da fábrica de relógios Swatch. (É tanta ascensão e queda que lembra os castelos do pântano de algum filme do Monty Python, quando foram necessários nove, um sobre o outro, para o último ficar na superfície).
A reportagem era uma paradinha bem interessante. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi quando a linha de relógios desenhada por um porquinho apelidado de PigCasso. O vídeo é muito simpático. A ideia, sei lá – talvez boa e ruim ao mesmo tempo.
Só fiquei pensando que se o Didi Defumado vê a cena, nem olha as horas. Já saca seu facão e começa a picar o bicho pela orelha (em homenagem a Van Gogh mesmo, demonstrando confundir pintores famosos) e acaba no joelho, direto para a churrasqueira.
Daí, uma coisa puxa outra.
A gente vai falando em comida, com o Didi Defumado quebrando quadros e mais quadros para usar a madeira como lenha e auxiliar na defumação dos joelhos do PigCasso. Niqui o coitado já foi para o céu mesmo e, no caso dele, sem joelhos. O que prova que nem sempre no céu tem joelho de porco.
A coisa vai caminhando, caminhando (a duras penas, já que os joelhos estão no defumador) e é impossível esquecer do advogado do General Heleno, passando fome durante as 12 horas de groselha que o Fux Fux à Brasileira lançou por esses dias. Quase em situação de “No céu tem pão? e morreu”.
– Eu estava vendo uma vaga de voluntário para pessoas com dores no ombro se habilitarem a fazer tratamento em piscinas.
– É cobaia?
– Tava escrito voluntário.
– Tá. E o que tem?
– Parece legal. Mas estão vetando pessoas com dificuldade em segurar a urina.
– É muita tristeza. O cidadão já tá com o ombro fodido e não segura urina. Daí, não é aceito como voluntário.
– Ou cobaia.
– Ah, acho válido. Uma vez fui em um clube e uma menina cagou na piscina.
– Me lembra a vez eu que tava fudido da cabeça e fui em um psiquiatra muito, muito feio. Fiquei com vergonha de contar que estava com ansiedade, já que claramente ele tinha problemas mais sérios.
– O que tem a ver?
– O dia da piscina foi um dos dias mais traumáticos da minha vida.
– Ah, não, Beatrix.
– Pois é! Era um lance de igreja que meus pais foram convidados. Não lembro direito. Só lembro que foi a FILHA DO PASTOR. E era grande a menina.
– Se ela cresceu mais e tem problemas no ombro, não vai ter como resolver.
– Eu não sei bem do que vocês estão falando, mas o Fux CONTINUA FALANDO.
– Mano, que inferno isso. Eu fico doida com reunião de uma hora. O safado fica falando dez horas seguidas e tudo bem. Até parece que alguém tem tanta coisa assim pra falar.
– Eu duvido que ele ficou escrevendo essas coisas todas. Deve ter jogado no ChatGPT.
– “Escreve meu parecer de forma que eu pareça burro. O discurso precisa durar o dia inteiro.” Aí, saiu isso
– Ele tá distraindo todo mundo e, a essa hora, Bolsonaro já tá na embaixada da Hungria.
– Ou tá se entregando, porque nem ele aguenta mais.
– Se bobear, ele nem ia pedir anulação. Mas quando o ChatGPT mandou essa, já era tarde para mudar.
– “E bobó de camarão hein? Dois quilos de camarão. MEXE”. O advogado que queria jantar deve estar com o estômago grudado nas costas.
– “Os eventuais acampamentos, agora joga leite de coco e mistura tudo”
– “Na porta dos quartéis, coentro à gosto”
– Rapaz…. Dr. Jantinha deve estar desesperado.
– Esse gordinho tá malandro. Deve ter levado leite condensado dentro da embalagem de xampu. Do nada, mandou um “vou ali no banheiro lavar a cabeça” e se ESBALDOU.
– E certeza que levou a mais pra vender lá dentro. Sanduíche de patê de atum.
– Muito light.
– Com maionese, não fica light, não. Ainda mais se trocar o atum por torresminho.
– O Dr. Jantinha é tão burro que no primeiro dia levou o leite condensado muquiado dentro de um celular falso. Aí, teve que deixar do lado de fora do tribunal.
– Umas quatro calabresa, ali, muquiada na barba, e uau. Finge que tá bocejando e já dá uma nacada na linguiça.
– Era um celular de chocolate. Mas rodou.
– Dr. Jantinha leva bisnaga de catupiry, das de pizzaria, de lanche.
– Hoje, ele entrou com aqueles suco de feira que vinha em embalagem de coisa – granada, telefone.
– Levou uma granada e um revólver. Acabou preso.
– Foi proposital ser preso porque na cadeia tem rango. Azedo, mas tem.
– Serve. Era isso ou arrancar um naco da orelha do General Heleno.
– Que deve ser azedo também, diga-se. É comida mais velha.
– Deve ser uma oreia seca da porra. Mas como tira-gosto, vai que vai
– Capricha no limão. Que, obviamente, o Dr. Jantinha levou na meia.
– Estava vendo de manhã no UOL. No intervalo, a repórter disse que pediu para falar com o Dr. Jantinha, mas ele disse que não podia falar porque tinha de almoçar.
– Acabou o voto?
– No céu tem pão?
– Tem que ver com o dr. Renato.
– O dr. dele é de adevogado?
– Sei lá, grandes merda
—
E, agora, uma retratação
—
O leitor Juliano Barreto pede direito de resposta para falar sobre o fortão da Praça. Ator o qual, diga-se, eu e ele vivíamos trombando em frente à Folha, ali na metade dos anos 2000, quando chegávamos cedo para assistir ao desenho do Rambo antes de trabalhar).
Antes de abrir aspas, peço perdão pelo vacilo.
—
Caro Sérgio Vinícius [PC Magazine Brasil],
A newsletter continua excelente, mas URGE o reconhecimento do grande Carlos Koppa!
Carlos Koppa – Wikipédia, a enciclopédia livre
Ele não é só o fortão de piruca que ameaçava o Canarinho, ele também protagonizou as fotos mais tristes já registradas pela humanidade:
APÓS NOITE EM CELA – Ator Carlos Koppa é solto
Olha a incredulidade, olha a resignação, olha a piruquinha companheira firme e forte até nos piores momentos.
É isso. Chega de fortão da Praça. Daqui por diante, use Carlos Koppa (que já foi preso em Votorantim… por brigar!)
Abraço!
—
Por fim, antes dos links da semana, é importante creditar que boa parte das bobajadas supracitadas foram inspiradas ou trazidas involuntariamente de dois grupos de WhatsApp.
O Más Traçadas (em que alguns abestados debatem os alguns dos piores textos do mundo) e Mirandas Sabinas (fã-clube oficial da Sabina Simonato no Brasil).
Ambos, perdas de tempo, como se deve ser
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