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O que marcas podem aprender com a indústria musical nas redes sociais

Em um ambiente digital cada vez mais competitivo, conquistar relevância nas redes sociais deixou de ser uma questão de frequência de publicação e passou a depender da capacidade das marcas de criar conexões genuínas com as pessoas. A mudança acompanha a evolução das plataformas, que vêm priorizando conteúdos originais, engajamento qualificado e construção de comunidades em vez de simples métricas de alcance.

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Para Caroline Steinhorst, sócia e diretora executiva do Grupo b+ca, muitas empresas ainda enxergam as redes sociais apenas como um canal de divulgação, quando deveriam tratá-las como uma ferramenta estratégica de construção de cultura e relacionamento. Com mais de uma década de atuação no mercado musical e audiovisual, a executiva participou de projetos para artistas como Seu Jorge, Lulu Santos, Nando Reis, BK, Emicida e Liniker, acumulando aprendizados que hoje também orientam marcas e empresas de diferentes segmentos.

O conceito de Culture-Led Growth, que orienta a atuação da b+ca, parte da premissa de que a cultura não deve ser utilizada apenas como ferramenta de comunicação, mas como um motor de crescimento. Em vez de interromper conversas para promover produtos ou serviços, as marcas passam a criar valor ao participar ativamente da cultura, construindo narrativas, fortalecendo comunidades e gerando identificação genuína com as pessoas.

“Durante muito tempo, as marcas buscaram crescimento principalmente por meio de mídia e performance. Hoje, percebemos que os negócios mais relevantes são aqueles que conseguem criar significado e pertencimento. As redes sociais são um reflexo disso”, afirma Caroline.

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A seguir, a especialista compartilha cinco aprendizados da indústria musical que podem ajudar empresas a ampliar sua relevância e seus resultados nas redes sociais:

1. Construa uma narrativa, não apenas um calendário de posts

Um dos principais erros das marcas é limitar sua comunicação à divulgação de produtos, serviços e promoções. Na música, o público não acompanha um artista apenas pelos lançamentos, mas pela história que existe por trás deles.

As empresas precisam desenvolver narrativas capazes de mostrar propósito, bastidores, visão de mundo e os valores que orientam suas decisões. As pessoas criam vínculos com histórias, não com catálogos. Quando uma marca encontra uma narrativa consistente, ela deixa de disputar atenção apenas pelo preço ou pelo produto.

2. Priorize comunidade em vez de audiência

Ter milhares de seguidores não significa necessariamente ter influência ou capacidade de gerar negócios. A executiva explica que essa é uma das principais lições aprendidas ao longo dos anos trabalhando com artistas.

Existem perfis com números impressionantes que não conseguem mobilizar sua audiência. Por outro lado, vemos comunidades menores, mas extremamente engajadas, gerando resultados concretos. O foco precisa estar na qualidade da conexão. Na prática, isso significa estimular conversas, responder comentários, criar espaços de participação e transformar seguidores em defensores da marca.

3. Consistência supera viralização

Embora muitas empresas busquem o próximo conteúdo viral, a construção de relevância costuma ser resultado de um trabalho contínuo.

As carreiras mais sólidas do mercado musical foram construídas a partir de consistência, frequência e coerência de posicionamento, e não de sucessos isolados. Um vídeo viral pode gerar visibilidade temporária. Já uma estratégia consistente cria reconhecimento, confiança e lembrança de marca ao longo do tempo.

4. Invista em conteúdo que tenha algo a dizer

A evolução das ferramentas de produção audiovisual democratizou o acesso à tecnologia. Para a especialista, isso fez com que o diferencial deixasse de ser apenas a qualidade técnica e passasse a ser a qualidade da mensagem.

Hoje qualquer empresa consegue produzir um vídeo bonito. O que continua raro é encontrar conteúdo que tenha repertório, opinião e relevância para quem está assistindo. Por isso, antes de pensar em formatos, equipamentos ou tendências, a recomendação é definir claramente qual conversa a marca deseja construir com seu público.

5. Pense como um criador de conteúdo, não como um anunciante

Na avaliação da executiva, as mudanças recentes das plataformas reforçam uma tendência clara: marcas que se comportam como produtoras de conteúdo tendem a gerar mais conexão do que aquelas que reproduzem modelos tradicionais de publicidade.

Para isso, é fundamental compreender os códigos culturais das comunidades com as quais a empresa deseja se relacionar, participando de conversas relevantes e produzindo conteúdo que faça sentido dentro daquele contexto.