Games
Indústria musical troca videoclipes por experiências em games
- Créditos/Foto:Divulgação/Epic Games
- 21/Agosto/2026
- Da Redação
Durante décadas, a principal experiência visual de um lançamento musical foi o videoclipe. Era ali que artistas apresentavam uma nova estética, construíam personagens, lançavam tendências e definiam a identidade visual de uma era. Hoje, porém, algumas das maiores gravadoras do mundo estão apostando em um caminho diferente. Os games passaram a ser espaços onde artistas criam experiências, vendem produtos e mantêm fãs conectados muito além dos três ou quatro minutos de uma música.
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A mudança já pode ser vista em iniciativas como a parceria entre a Universal Music e o Roblox e no crescimento do Fortnite Festival, que transformou artistas como Sabrina Carpenter em experiências interativas com músicas, figurinos, desafios e participação ativa dos jogadores. Em vez de apenas assistir, o público passa a explorar, interagir e retornar ao universo daquele artista.
Para o produtor musical JESTFLY, a transformação acontece porque a indústria começou a olhar para uma métrica diferente. “Durante muito tempo o objetivo era fazer alguém apertar o play. Hoje, o desafio é fazer essa pessoa permanecer. Plataformas como Roblox e Fortnite conseguem criar uma relação muito mais longa entre o público e o universo de um artista”, analisa.
A diferença aparece até na forma como essas empresas medem sucesso. Enquanto plataformas de vídeo continuam focadas em visualizações, ambientes como Roblox priorizam retenção, tempo médio de sessão e frequência de retorno. O objetivo já não é apenas atrair alguém por alguns minutos, mas criar razões para que ele volte no dia seguinte.
Isso ajuda a explicar por que gravadoras passaram a enxergar esses ambientes menos como videogames e mais como extensões de estratégias de lançamento. O fã não entra apenas para ouvir uma música. Ele participa de eventos, desbloqueia conteúdos, interage com outros usuários e passa a fazer parte de uma comunidade construída em torno daquele artista.
O videoclipe continua importante, mas seu papel parece estar mudando. Em vez de representar o destino final da experiência visual, ele começa a funcionar como uma porta de entrada para universos maiores. Para JESTFLY, essa transformação revela uma mudança silenciosa na forma como a indústria passou a enxergar o sucesso. Se durante anos a disputa era por visualizações, agora a atenção parece ter se tornado o ativo mais valioso. Talvez a pergunta já não seja quantas pessoas assistiram a um clipe, mas quanto tempo elas decidiram passar dentro dele. “Se durante anos a indústria disputou cliques, agora ela parece disputar presença”, conclui.
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