Resumão da Semana
O Poderoso Chefofão
- Créditos/Foto:Reprodução
- 24/Abril/2026
- Sérgio Vinícius
Hoje, eu queria falar sobre o jogador Rubens Pomada, que foi pego no doping por transar com a esposa. O caso foi até batizado de doping sexual.
Mas aí lembrei de quando o zagueiro Scheidt também levou gancho por doping porque seu próprio corpo teria criado a substância. Até encontrei uma reportagem em que o Ronaldinho Gaúcho o defende de uma forma bem inusitada.
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“Tenho certeza que não tomou estimulantes. O Scheidt é um paizão para mim, até me ensinou a dirigir. E é meio caretão”, disse Ronaldinho, outro gremista convocado.
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Mas a coisa vai indo, vai indo – passando pela Síndrome da Autocervejaria – e chegamos ao tema central desta newsletter: um Gato Laranja de Merda.

Eu tenho um amigo que tem a teoria que quase qualquer filme do mundo – quase porque a exceção seria Uma Aventura de Zico – ficaria melhor se o protagonista fosse o Fofão. Ele fala tanto isso e tão a sério que, quando pergunto o motivo do filme do Zico ficar de fora, ele fecha o semblante e muda de assunto. Normalmente, começa a falar sobre Alf, o ETeimoso.
De todos os filmes que defende o Fofão, tem um especial. Ele acha que ficaria mais perfeito se, em O Poderoso Chefão, saísse Marlon Brando e entrasse o boneco aí da fofolândia. Esse meu amigo até comenta que, em português, o nome estaria pronto. O Poderoso Chefofão. Até em inglês, acha que ficaria melhor. The Godfofo.
Com aquelas bochechas e o jeito de falar estranho, de fato, tendo a concordar, Fofão faria um D. Corleone melhor que Marlon Brando. E seria ainda mais aterrorizador, claro, dado que ele tem um punhal dentro de seu próprio corpo fofo.

Agora, não lembro se o nome seria D. Corlefofo ou D. Fofoleone.
Esse meu amigo também defende que, em De Volta Para o Futuro, o Delorean deveria sair e, em seu lugar, a duplinha lá viajasse no tempo em um Fofomóvel (que seria basicamente um Fofão deitado e os dois sentados em cima, tal qual um tapete voador fofo).
A parte do plutônio, do raio e sei lá mais o que viraria uma tal bolacha Fofão, que seria o combustível para viajar no tempo. O tapete Fofão beberia a parada, que seria batida no liquidificador com leite radioativo.
Às vezes, penso sobre tudo isso e acho que, como protagonista mesmo, já está de bom tamanho o boneco ter feito Fofão e a Nave Sem Rumo. Tem até a Dona Fofa no filme, o que automaticamente deixa no chinelo outras ficções mais aclamadas, como Star Wars (todos), Star Trek (quase todos) e Duna (nunca vi, mas tenho certeza).
Não sei se precisa, mas vou ilustrar meu comentário.

Inclusive, já reparou que para definir a palavra “fofo” ou “fofa”, a pessoa sempre tenta explicar fazendo o gesto de fofo com a mão? Não? Pergunte a alguém o que é “uma coisa fofa” ou “o que é fofo” e espere o movimento das mãos. Se a pessoa estiver com a mão amarrada, creio que terá um AFC (acidente fofular cerebral).

Esse camarada do Fofão aí, inclusive, chama Marcos e o apelido dele é Marcos. Sim, pode parecer estranho, mas o apelido dele é igual ao nome, o que já gera certa confusão.
Ele era de Pirassununga e, por isso, o apelido era Pirassununga. Que rapidamente virou 51. Depois, Mundial do Palmeiras, que ficou grande, e se tornou Mundial, para agilizar. Até que chegou no Nãoexiste. Depois de anos de Noxiste, perceberam que, se não existia, tinha que ser Marcos.
Hoje, tem quem o chame pelo nome e pelo apelido e ninguém sabe se é o nome ou o apelido. É tão confuso quanto o mundo do Luis aí de baixo (tudo bem que o pessoal do Fatos Desconhecidos não facilitou na explicação).

O fato é que essa newsletter está confusa e meio sumida porque tenho passado muito tempo na estrada, entre São Bernardo do Campo e uma cidadezinha esotérica em Goiás, onde minha mãe mora atualmente. Então, nem sempre é fácil equilibrar tudo e perder tempo com bobagens, mesmo eu sendo uma pessoa agradável.
Por exemplo, enquanto escrevia o começo desta coluna, minha mãe, na mesa à minha frente, comentava coisas aleatórias. Faz 5 minutos, por exemplo, ficou horrorizada por saber que não se pode mais dar dinheiro para criança ir à padaria e comprar cigarro para os adultos.
Nem vou comentar que também não podem mais buscar cerveja, porque aí é capaz dela pegar em armas. Vamos viver meio que num esquema Adeus, Lenin!, mas no Brasil de 88, com inflação, com fiscais do Sarney, com esoterismo, com tudo.
Inclusive, falando dela, está bem esquecida. Tanto que, esses dias, ela mesmo reparou. E esqueceu. E reparou. E aí, quando encasquetou, quis marcar uma geriatra para ver se resolvia a questão da memória. Marcamos. Chegamos lá e a dra Que Esqueci o Nome (é de família, além de ser da idade) perguntou a ela o que a levava até lá.
– Pois é, dra. É que estou me achando gorda, sabe? Tem remédio para emagrecer?
Daí papo vai, papo vem, a médica quase concluiu que o problema da minha mãe era déficit de atenção. Talvez o veredicto tenha sido dado quando ela (minha mãe) contou que, lá pelos anos 70, tentou ligar um carro com uns talheres na mão (aparentemente, ela trocou pelo molho de chaves).
De outra, roubou um carro. Saiu do trabalho, abriu o Fusca errado, deu a partida e se mandou. Viu que no interior havia coisas que não tinham no dela (“uns tapetes, uns litros de cândida”) e pensou que eram presentes surpresa de meu pai.
“Olha o Araújo, que atencioso. Ainda colocou tudo isso no carro enquanto eu estava trabalhando.”
Passados alguns segundos, notou que o Fusca estava de outra cor, achou que meu pai não pintaria o carro sem consultá-la e percebeu que estava no automóvel errado. Voltou, estacionou, encontrou seu carro – tristemente sem cândida e tapetes – alguns metros atrás e foi embora. Sempre se lamentando pela falta de utensílios.

Por falar nisso, sempre pensei que a palavra utensílios ficaria melhor se se chamasse itensílios, dado que estamos falando de coisas, itens. Mas, como dizia meu pai, todo penso é torto. Tão torto que comecei a pensar em outra coisa que carece de fontes.
– Utens é uma palavra feia, né?
– Essa palavra existe?
– Estou falando de beleza, não me venha com tecnicidades.
– Tá. É feia. Mas não é palavra.
– É o que, então?
– Feia.
– Já pensou que algum momento da vida a mãe de Pablo Escobar…
– Ah não.
– …tenha dito “Pablito, bá escobar los dientes”?
– Ah, não.
– Isso, claro, considerando que ela fosse fluente no portunhol.
– Ah, não
– Mesmo porque “ve a cepillarte los dientes” só ficaria legal se ele chamasse Pablo Cepillar.
– Cepillar é uma palavra feia, né?
– Utem é pior. Só não é palavra.

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