Segurança
Fim das bets: veja golpes que podem surgir no resgate dos saldos
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 02/Outubro/2026
- Da Redação
O fim das bets no Brasil abriu uma nova corrida para os apostadores: quem ainda tem dinheiro nas plataformas precisa pedir o resgate até 5 de outubro, antes do encerramento das operações previsto pela nova medida do governo. A mudança atinge o funcionamento das casas de apostas de quota fixa no País e estabelece um processo para devolução dos saldos que permanecerem nas contas dos usuários. No meio dessa transição, porém, surge outro risco: os cibercriminosos podem aproveitar a urgência para aplicar golpes contra pessoas que tentam recuperar o dinheiro.
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A Kaspersky alerta que a combinação de prazo apertado, valores financeiros e incerteza sobre como será feita a devolução cria um ambiente especialmente favorável para fraudes. A empresa de cibersegurança lista algumas possibilidades de golpe que podem surgir nos próximos dias e como se proteger:
- Sites falsos: Nem todo mundo vai se atentar para os prazos estipulados pelo governo e sempre haverá pessoas atrasadas que não querem ficar no prejuízo. Quando a página verdadeira da casa de apostas sair do ar, muitos desses apostadores vão pesquisar no Google ou seguir dicas no WhatsApp para tentar sacar o saldo. Prevendo isso, os criminosos criam páginas na internet que são cópias exatas do site original (com o mesmo logotipo, cores e formato). Como o usuário já está acostumado com aquele visual, ele se sente seguro e tenta fazer o login. Nesse momento, em vez de acessar a própria conta, a vítima entrega seu e-mail e senha de bandeja. Com esses dados em mãos, os golpistas podem acessar a conta antes da vítima, desviar o valor disponível para saque e ainda usar as informações obtidas em outras fraudes. E, a depender do site, a página pode pedir outras informações sensíveis.
- Golpe da taxa de saque: Os golpistas podem disparar mensagens por WhatsApp e SMS com o logotipo da plataforma, afirmando que o dinheiro disponível na conta será bloqueado no dia 5. O link leva a uma página falsa que, para supostamente liberar a transferência do dinheiro, exige o pagamento de uma “taxa operacional” ou de um “imposto”, exclusivamente via Pix. A vítima paga a taxa (que cai em contas de laranjas) e nunca recebe o saldo.
- Aplicativos falsos: Com as plataformas bloqueadas nos navegadores oficiais, muitos usuários podem pesquisar “aplicativos” das casas de apostas em links soltos na internet ou fora das lojas oficiais – Google Play ou App Store. É aqui que mora o maior perigo: esses arquivos podem esconder programas espiões. Ao instalá-los, a vítima entrega aos criminosos o controle total do celular, permitindo o roubo de senhas bancárias e o esvaziamento das contas.
- As falsas VPNs: Com o bloqueio dos sites no Brasil, parte dos apostadores pode recorrer a aplicativos de VPN para mascarar a localização e continuar acessando essas plataformas. O perigo é que os criminosos comecem a oferecer falsos aplicativos de VPN gratuitos em anúncios ou links no WhatsApp. O usuário baixa o arquivo achando que vai burlar o bloqueio do governo, mas na verdade está instalando um programa espião no celular, dando acesso total às senhas e aos aplicativos de banco.
“A nossa experiência com o bloqueio de serviços populares mostra que o principal risco de segurança é sempre a migração desesperada para um ecossistema não oficial. Quando o acesso tradicional deixa de existir, o usuário clica em qualquer link ou anúncio que prometa devolver o seu dinheiro. O problema é que fica difícil para a pessoa diferenciar uma plataforma que tenta operar de forma clandestina de uma página falsa, criada puramente para roubar a senha do banco e aplicar o golpe do Pix. Especialmente no sistema Android, essa busca cega por alternativas leva à instalação de aplicativos de fontes desconhecidas (APKs), criando a tempestade perfeita para que criminosos distribuam programas espiões em massa”, explica Fabio Marenghi, pesquisador líder de segurança da Kaspersky.
Nesta corrida contra o tempo, a desconfiança é a maior aliada. Além de se manter informado das atualizações em veículos de comunicação confiáveis para se atentar a prazos e direcionamentos oficiais das próprias casas de apostas, para não cair no golpe do resgate e proteger o seu dinheiro, a Kaspersky recomenda:
- Acesse apenas o que você já conhece: Para solicitar o saque do seu dinheiro, não use links recebidos por WhatsApp, SMS ou encontrados no Google. Abra o seu navegador e digite você mesmo o endereço do site oficial de apostas que costumava usar, ou abra o aplicativo que já estava no seu celular.
- Nunca pague para receber o que é seu: Nenhuma plataforma oficial ou órgão do governo exige um Pix antecipado, pagamento de taxa ou depósito de garantia para liberar o seu próprio saldo. Se o site ou “atendente” pedir dinheiro para liberar o saque, é golpe.
- Desconfie do senso de urgência: A tática dos golpistas de criar pânico para você agir sem pensar continua, mas, com a inteligência artificial, eles deixaram de usar textos cheios de erros ou letras maiúsculas. Hoje, as mensagens falsas imitam perfeitamente a linguagem educada e o padrão de atendimento das empresas. Se o aviso, por mais profissional que pareça, exigir que você clique em um link imediatamente para “não perder seu saldo”, não clique. Verifique a situação com calma abrindo o site ou o aplicativo original por conta própria.
- Nunca baixe aplicativos de links de mensagens: Instalar aplicativos encontrados em links aleatórios na internet é a principal porta de entrada para a infecção do celular. Cuidado extra com aplicativos em “fase de teste” (Beta) que podem ser infiltrados nas lojas oficiais, mas cujo download só funciona através do link malicioso. Baixe programas pesquisando pelo nome diretamente na Play Store ou na App Store.
- Tenha uma proteção de segurança instalada: Utilize ferramentas confiáveis no seu smartphone, como o Kaspersky Premium, capazes de identificar e bloquear sites falsos (phishing) e impedir a instalação de aplicativos perigosos em tempo real.
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