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Falta de manutenção do ar-condicionado pode afetar saúde respiratória

A instabilidade climática registrada no primeiro trimestre de 2026 elevou a pressão sobre os sistemas de climatização no Brasil, trazendo à tona um alerta sanitário crítico. Segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), cerca de 40% das falhas nesses sistemas poderiam ser evitadas com revisões preventivas – um dado que ganha urgência diante do aumento da demanda por refrigeração.

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Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, especialista em climatização e CEO do Grupo RETEC, relata que o problema vai além de falhas técnicas e passa a representar um risco direto à saúde. “Quando não há manutenção, o ar-condicionado deixa de ser solução e passa a ser um vetor de contaminação, fungos, bactérias e partículas nocivas, que começam a circular pelo ambiente sem que as pessoas percebam”, alerta.

Casos recentes ilustram como a falta de manutenção do ar-condicionado pode resultar em riscos sanitários, desrespeitando normas como a Lei 13.589 de 2018, que obriga o Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC). Um episódio envolvendo a influenciadora Maíra Cardi revelou a presença de fungos em sistemas de climatização, evidenciando como a ausência de limpeza técnica impacta a qualidade do ar e a saúde dos ocupantes.

De acordo com especialistas, esse tipo de situação não é isolada. Ambientes fechados com alta circulação de pessoas, como escritórios, clínicas e comércios, tendem a concentrar poluentes, a exemplo de poeira, esporos de fungos e compostos químicos, quando os sistemas não passam por higienização regular. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que grande parte das doenças respiratórias está associada à exposição a poluentes do ar – risco que se intensifica em espaços internos mal ventilados.

“A combinação de umidade, sujeira acumulada e temperatura constante cria o ambiente perfeito para a proliferação de microrganismos. O problema é que isso acontece de forma silenciosa, sem sinais visíveis no início”, explica Galletti.

Impactos vão de alergias a infecções mais graves

Os efeitos da má qualidade do ar vão desde sintomas leves até quadros mais complexos. Entre os sinais mais comuns, estão irritação nos olhos, crises alérgicas, dores de cabeça e fadiga. Em situações mais graves, há risco de infecções respiratórias, especialmente em pessoas com imunidade comprometida.

Em ambientes de saúde, o impacto é ainda mais crítico. Estudos indicam que a falta de manutenção do ar-condicionado favorece a disseminação de vírus e bactérias, podendo agravar quadros clínicos e prolongar internações. “Em hospitais e clínicas, a climatização precisa seguir padrões rigorosos. Não fazer a revisão pode comprometer tratamentos e colocar pacientes em risco real”, salienta o especialista.

Além da saúde, há reflexos diretos na operação das empresas. Sistemas ineficientes consomem mais energia, apresentam falhas frequentes e elevam custos com manutenção corretiva. Em muitos casos, o problema só é percebido quando o equipamento para de funcionar em momentos críticos, como ondas de calor.

Responsabilidade legal e risco de penalizações

A negligência na manutenção também pode gerar consequências jurídicas. A Lei 13.589 de 2018 determina que edifícios de uso coletivo mantenham um Plano de Manutenção, Operação e Controle para garantir a qualidade do ar interior. O descumprimento pode resultar em multas, interdições e responsabilização em caso de danos à saúde.

Segundo Galletti, muitas empresas ainda tratam a climatização como um item secundário. “Existe uma falsa percepção de que a manutenção é um custo evitável, quando na verdade é uma obrigação legal e uma medida de proteção à saúde coletiva”, afirma.

Como reduzir riscos e evitar contaminação

A prevenção passa por medidas simples, mas frequentemente negligenciadas. A limpeza periódica dos filtros, a verificação do sistema de drenagem e a inspeção técnica regular são essenciais para garantir o funcionamento adequado.

Em ambientes corporativos, a recomendação é que a manutenção completa seja feita a cada três meses, podendo ser mais frequente em locais com grande circulação de pessoas. Já em residências, a limpeza mensal dos filtros é suficiente para reduzir riscos iniciais de contaminação.

Tecnologias também têm ganhado espaço no controle da qualidade do ar. Sensores de CO₂, sistemas de monitoramento e filtros de alta eficiência ajudam a identificar problemas antes que se tornem críticos.

“O ponto principal é mudar a forma como a climatização é tratada. Não se trata apenas de conforto térmico, mas de saúde, segurança e gestão de risco. Ignorar isso pode custar caro, tanto financeiramente quanto em impacto para as pessoas”, conclui Galletti.

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