Ciência
Após perda de peso, excesso de pele vira nova demanda nos consultórios
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 07/Setembro/2026
- Da Redação
O sucesso de medicamentos agonistas de GLP-1 – classe de medicamentos que imita a ação de um hormônio responsável por aumentar a saciedade e auxiliar no controle do peso, como Ozempic e Mounjaro – está mudando o perfil de paciente nos consultórios de cirurgia plástica. Após a perda acelerada de peso, muitas pessoas passam a conviver com excesso de pele, flacidez e alterações no contorno corporal, aumentando a procura por cirurgia reparadora após emagrecimento. O tema ganhou relevância internacional e levou sociedades médicas a publicarem orientações específicas sobre a avaliação e o tratamento desses pacientes.
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Marco Dallegrave, médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), fundador da clínica Marco Dallegrave Cirurgia Plástica, afirma que a cirurgia reparadora após GLP-1 não deve ser vista como uma etapa automática do tratamento para emagrecimento. Ele explica que a indicação depende da estabilidade do peso, das condições clínicas, da qualidade da pele, do estado nutricional e dos objetivos de cada paciente.
“A cirurgia reparadora após GLP-1 não existe apenas para retirar excesso de pele. Ela faz parte do tratamento de pacientes que passaram por uma perda importante de peso e buscam recuperar funcionalidade, proporção corporal e qualidade de vida”, afirma o cirurgião.
A preocupação também mobiliza entidades internacionais. Em 2025 e 2026, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) publicou recomendações voltadas aos pacientes que utilizaram medicamentos agonistas de GLP-1, destacando que a rápida perda de peso modifica os tecidos de sustentação e exige planejamento cirúrgico individualizado.
Quando emagrecer não encerra o tratamento
O especialista em cirurgia plástica estética explica que o principal fator para indicar o procedimento é a estabilização do peso. Operar enquanto o organismo ainda está emagrecendo pode comprometer o resultado, já que o corpo continuará passando por mudanças. “Esperar o peso estabilizar permite um planejamento mais seguro e aumenta a previsibilidade dos resultados”, explica.
Outro aspecto importante é o estado nutricional. A perda acelerada de peso pode reduzir a massa muscular e favorecer deficiências nutricionais que interferem na cicatrização e na recuperação do paciente. “A cirurgia depende de um organismo preparado. Antes do procedimento, avaliamos exames, composição corporal, alimentação e outros fatores que influenciam diretamente na recuperação”, ressalta Dallegrave.
Além das mudanças físicas, muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que a cirurgia resolverá toda a insatisfação com a aparência. Segundo Dallegrave, essa expectativa também precisa fazer parte da avaliação médica. “É comum que a pessoa esteja satisfeita com o emagrecimento, mas ainda incomodada com o excesso de pele ou com a perda de volume em determinadas regiões. A cirurgia pode melhorar essas alterações, mas é importante alinhar expectativas para que o resultado seja compatível com a realidade de cada paciente”, observa.
Nem todas as pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento terão indicação para cirurgia reparadora. A necessidade varia conforme fatores como idade, elasticidade da pele, intensidade da perda de peso, hábitos de vida e condições de saúde. Entre os procedimentos mais realizados nesse perfil de paciente, estão abdominoplastia, mastopexia, lifting de braços, lifting de coxas e outras cirurgias de contorno corporal, sempre definidas após avaliação médica.
A cirurgia começa antes do centro cirúrgico
De acordo com Dallegrave, a cirurgia plástica após emagrecimento deve ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e não apenas como uma etapa estética. “A perda de peso transforma o corpo. A cirurgia existe para tratar as consequências dessa transformação quando há indicação médica, segurança e expectativas compatíveis com o que realmente pode ser alcançado”, conclui.
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