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Do relógio de parede ao smartwatch: como a evolução do ponto redefine o RH

  • Créditos/Foto:DepositPhotos
  • 01/Outubro/2025
  • Da Redação, com assessoria

O controle de ponto no Brasil sempre foi sinônimo de burocracia. Do carimbo no cartão ao relógio eletrônico, a evolução parecia lenta e marcada por normas rígidas. Criado para garantir direitos trabalhistas, o sistema muitas vezes se transformou em um processo engessado, oneroso e pouco eficiente. Para se ter uma ideia, a Portaria 671/2021 do Ministério do Trabalho ainda exige que empresas com mais de 20 colaboradores mantenham algum tipo de registro de jornada, seja manual, seja mecânico ou eletrônico – o que significa que milhões de trabalhadores brasileiros estão submetidos diariamente a esse modelo.

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Nos últimos anos, no entanto, novas tecnologias começaram a mudar esse cenário. Hoje, já é possível registrar a jornada via WhatsApp, reconhecimento facial, geolocalização e, mais recentemente, smartwatch. Essa evolução acompanha a transformação cultural do mercado de trabalho. Segundo pesquisa da Korn Ferry, 63% dos profissionais brasileiros atuam em regime híbrido ou remoto, exigindo soluções flexíveis e móveis para controle de jornada.

Para Tiago Santos, vice-presidente da Sesame HR, que trouxe a inovação ao Brasil, esse avanço vai além da modernidade. “A ideia não é só criar novas formas de marcar ponto, mas transformar esse processo em algo estratégico. Quando o registro de jornada está conectado a férias, banco de horas, documentos e relatórios em uma plataforma única, o RH deixa de ser operacional e passa a ser analítico e decisor”, explica.

A mudança é simbólica: o relógio de ponto, antes visto como símbolo de fiscalização rígida, passa a ser aliado da mobilidade no trabalho contemporâneo. O colaborador consegue registrar onde estiver, e o gestor recebe em tempo real dados confiáveis e consolidados. Isso abre espaço para reduzir erros, evitar passivos trabalhistas e ganhar eficiência.

Do lado empresarial, os ganhos também são claros. Segundo a IDC Brasil, os investimentos em softwares de RH cresceram 22% em 2024, e o controle de ponto digital foi apontado como a porta de entrada para a transformação tecnológica do setor. Além disso, estudo da GPTW Brasil mostrou que 74% dos líderes de RH consideram a digitalização dos processos uma prioridade estratégica.

Com isso, o controle de ponto deixa de ser apenas uma obrigação legal e se torna um diferencial competitivo. Ao oferecer mais flexibilidade para colaboradores e mais inteligência para gestores, o registro digital pavimenta o caminho para um RH de alto nível, capaz de interpretar dados, prever tendências e apoiar decisões estratégicas.

Em um País em que quase um terço da força de trabalho excede a jornada máxima de 44 horas semanais (IBGE), a adoção de soluções tecnológicas representa também um avanço social: mais equilíbrio, menos burocracia e maior potencial de produtividade.

“O controle de ponto evolui de burocracia para inteligência, e pode reconfigurar de forma profunda a gestão de pessoas no Brasil”, finaliza o VP da Sesame HR.

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