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Entrevista: especialista explica como funcionam as entregas rápidas

  • Créditos/Foto:Divulgação/LETS
  • 28/Abril/2026
  • Da Redação

Entregar um produto no mesmo dia pode parecer simples para o consumidor, mas por trás da promessa existe uma operação complexa e altamente coordenada. Em entrevista ao 33Giga, André Mortari, CEO da LETS, empresa especialista em entregas orquestradas, explica que para viabilizar a chamada “última milha” é necessário integrar estoque, transportadoras, roteirização e plataformas tecnológicas em tempo real.

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O que é necessário para cumprir os prazos de entregas rápidas?

Para viabilizar entregas no mesmo dia, toda a cadeia precisa operar de forma sincronizada. Isso começa na proximidade do estoque com centros de distribuição urbanos ou microhubs, e passa por sistemas capazes de processar pedidos em tempo real. A partir daí, entra a etapa mais crítica, que é a chamada “última milha”, responsável por levar o produto até o consumidor final e que concentra grande parte da complexidade e dos custos da operação.

O que é a chamada “última milha”?

A última milha é a etapa final da entrega, desde o centro de distribuição até a casa do cliente. Mesmo parecendo simples, é justamente o trecho mais complexo, dependendo do trânsito, da alta densidade de pedidos e da dificuldade de roteirização. Além disso, pode representar mais de 50% dos custos logísticos, o que exige alto nível de eficiência para manter a operação viável.

Como funciona a orquestração logística por trás dessas entregas rápidas?

É como uma “torre de controle” que integra todas as etapas da operação em uma única plataforma. Isso inclui sistemas de venda, gestão de estoque, transportadoras e roteirização. Com essa integração, é possível automatizar decisões, como qual parceiro realizará a entrega, qual rota é mais eficiente e como redistribuir pedidos em tempo real.

Por que a integração entre sistemas é considerada um dos maiores desafios?

Muitas empresas ainda operam com sistemas fragmentados, o que dificulta a troca de informações. Sem integração, há erros operacionais e menor capacidade de reação. A orquestração resolve esse problema ao centralizar dados e padronizar a comunicação entre todos os envolvidos.

Quem são os principais responsáveis dentro dessa operação?

A entrega rápida envolve múltiplos responsáveis trabalhando de forma coordenada:

  • Varejistas/embarcadores: gerenciam estoque e promessa de entrega;
  • Operadores logísticos: responsáveis pela armazenagem e movimentação;
  • Transportadoras e entregadores: trabalham com a última milha;
  • Plataformas tecnológicas: integram e orquestram toda a cadeia.

A tecnologia garante velocidade e previsibilidade?

A tecnologia é o que viabiliza a entrega rápida em escala. Sistemas integrados permitem roteirização dinâmica (ajustada em tempo real), tracking ponta a ponta e gestão de múltiplos parceiros simultaneamente. Os algoritmos também ajudam a antecipar demandas e evitar os erros.

Como as empresas conseguem lidar com imprevistos no meio da operação?

Imprevistos são inevitáveis, tem a possibilidade do trânsito, da ausência do cliente ou dos picos de demanda. A diferença está na capacidade de resposta. Com a visibilidade em tempo real, é possível redirecionar entregas, reotimizar as rotas e acionar novos parceiros rapidamente, evitando os atrasos e mantendo o nível de serviço.

Qual o papel dos microhubs e da logística de proximidade?

Os microhubs urbanos aproximam o estoque do consumidor final, reduzindo o tempo de deslocamento. Essa estratégia permite uma maior flexibilidade operacional, inclusive com uso de modais alternativos, como bicicletas ou entregadores autônomos.

O que diferencia empresas que conseguem escalar entregas rápidas das que não conseguem?

A principal diferença está na capacidade de combinar três fatores: proximidade de estoque, integração tecnológica e rede flexível de parceiros logísticos. Empresas que conseguem equilibrar esses elementos operam com mais agilidade.

O consumidor percebe essa complexidade?

Não e esse é justamente o objetivo. Toda essa engrenagem precisa funcionar de forma invisível. Para o consumidor, o que importa é receber rápido, com previsibilidade e transparência. Mas, por trás disso, existe uma operação altamente sofisticada e integrada.

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