Resumão da Semana
Ensaio sobre a bobeira
- Créditos/Foto:Reprodução Internet
- 26/Junho/2026
- Sérgio Vinícius
Hoje, não vou falar de Copa. Mas de ovos de serpentes nazistóides.
Existe um livro (muito bom) chamado O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina Nossas Vidas. É sobre a aleatoriedade das coisas. Mas ele vai além: prova por A + B (mesmo porque é um livro) que nossa memória é uma belíssima de uma bosta.
Eu gostei tanto dele que, por conta disso, emprestei demais. Tanto que um dia nunca mais voltou. E, provando que o que o livro prova é uma prova, não lembro para quem. Acabou que acabei comprando logo mais dois, um para ficar aqui e outro para emprestar e, para provar que o que o livro prova é de fato e de direito uma prova, sei lá que fim levaram esses dois outros exemplares.
Então, a memória humana é uma belíssima bosta e, talvez, a minha seja ligeiramente pior. Nunca saberemos. Mas saberemos que eu tenho um amigo que tem mania de fazer comparações (ou escolhas, sei lá, já esqueci das aulas de português; como fica provado semana após semana nessa espelunca aqui) enfiando as coisas no cu.
Por exemplo, se alguém fala “li a coluna do Samir Carvalho hoje” (para quem não sabe, um puta de um jornalista cascateiro que inventa notícia e é empregado pelo UOL justamente para fazer isso), esse meu amigo (vamos chamá-lo de Dennnner, para facilitar o entendimento) diz “preferia enfiar uma sonda no cu a ler o Samir”. Outro bordão dele – sim ele é tão personagem que tem bordão – é “Smiths é pior do que dar um cu” e assim por diante.
Eu não sei bem porque essa fixação por Smiths. Mas não me interessa bem.
O fato é que, esses dias, estávamos no grupo do Corinthians debatendo como é bom haver Copa do Mundo e termos férias de curintia até que alguém mandou alguma coluna vexatória do Samir e o Dennner (esqueci um ene?), ao se deparar com as informações, disse que “preferia ter enfiado uma sonda petrolífera no rabo”.
Achei nobre.
E me veio à mente o Cartman, de South Park. Lembrei de um episódio que ele começa enfiando uma antena parabólica no cu e termina com a Disney inteira no rabo. Mas aí, claro que fui pesquisar e descobri que minha memória me traía. De acordo com o traste do Google (e de alguma IA), são dois episódios diferentes.
Um chama Cartman Recebe uma Sonda Anal (Cartman Gets an Anal Probe), que, por acaso ou não, também é o primeiro de South Park, de 1997. Nele, o personagem é abduzido por alienígenas. Ele insiste que foi apenas um sonho, mas depois uma antena parabólica gigante sai repetidamente de seu cu para emitir sinais ou coisa que o valha.
O outro, o da Disney, não seria o bem da Disney. Seria com o Mickey Mouse e chama O Anel (The Ring). Nele, South Park dá uma zuada embaixo do ônibus dos Jonas Brothers e da Disney. No final, o Mickey Mouse fica gigante, cospe fogo e entra voando no cu do Cartman.
Daí, eu já estava me apegando que havia confundido tudo mesmo e a vida é assim, já que a memória é uma bela bosta. Até arrumei uma explicação mental. Na minha cabeça, eu havia criado uma metonímia, do Mickey (parte) pela Disney (todo) e tava tudo certo. Mas aí pintou Costela com a capivara do episódio da Disney no cu do Cartman.
Há mesmo isso. Minha mente é uma bela bosta, mas eu não tinha inventado completamente. Abramos aspas para mais uma – repetitiva, até – IA.
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“A cena em que o Cartman ‘caga a Disneylândia’ acontece no final do episódio A Ilha de Cartman (Temporada 4, Episódio 2). O momento é usado por Eric para contrabandear o parque inteiro dentro do próprio ânus.
O Contrabando da Disneylândia
No final do episódio, Cartman visita um personagem chamado Romper Stomper na detenção juvenil e lhe dá um presente absurdamente grotesco: ele defeca a Disneylândia inteira, que havia contrabandeado escondendo o parque dentro de si.”
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E é assim que quase chegamos aos links da semana. Não sem antes falar um pouco do vídeo da Micheque Bolsonaro, com aquele ar de Eva Braun da Shopee e uma mão fazendo sinal de chifrudo na mesa. Ao assistir trechos, imediatamente me maravilhou ela, citando Ciro Gomes, desancar o próprio marido. E, olha, talvez a única coisa que o Ciro faça bem na vida é ofender os outros.
De qualquer forma, vê-la falar que o Bolsonaro seria “ladrão de galinhas, corrupto, burro, jumento” e que “Bolsonaro roubava gasolina, as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras, os filhos do meu marido, os meus enteados, eram corruptos e deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistoides” é maravilhoso. Imediatamente, lembrei da Chiquinha defendendo o Seu Madruga. Mas alguém lembrou do Professor Girafales fazendo o mesmo.
Também lembrei da maravilhosa defesa do safado do Eduardo Cunha, com o xoxa, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente. O que eu havia esquecido mesmo era que as Organizações Tabajara, que entraram no imaginário popular como fabricante de produtos ruins, era, originalmente, uma empresa que fazia equipamentos para facilitar sua vida.
E é isso.
Ah, já ia esquecendo (a memória é quase uma bosta, como eu disse outro dia).
Habemus ERRATA. Semana passada, eu me referi à simpática Julia Zanatta como “moça que fala merda a dar com pau e usa aquela tiara nazista na cabeça”. Entretanto, fui corrigido por alguns leitores. O correto é chamá-la de Lana del Reich.
Agora, sim, vamos ao futebol (ao som de Ferry Boat Polka)
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Semana que vem, tem mais. Até lá.







