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Por que o editor de vídeo não vai desaparecer com o Google Veo 3
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 18/Agosto/2025
- Autor Convidado
*Por Renato Asse // Toda vez que uma nova inteligência artificial aparece, a reação é quase automática: uma mistura de deslumbre e pânico. Com o Google Veo 3, o roteiro se repetiu, pois bastaram alguns vídeos para a internet entrar em ebulição. Em poucos segundos, a IA é capaz de transformar comandos de texto em cenas com visual cinematográfico, narrativa fluida e falas dubladas com sincronia labial em vários idiomas. O feito impressiona – e assusta. Não faltaram comentários dramáticos em fóruns e redes: “acabou para o editor de vídeo”, “Hollywood em pânico”, “fim da criatividade”. Mas será mesmo o fim? Ou apenas o começo de uma nova fase?
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A ideia de que o editor de vídeo está com os dias contados ignora uma transformação mais profunda e muito mais interessante. O que está desaparecendo não é a função em si, mas o antigo modelo que reduzia o profissional a um técnico encarregado de cortar, colar e aplicar efeitos. Com as inteligências artificiais assumindo grande parte do trabalho repetitivo, o papel humano começa a se concentrar justamente naquilo que as máquinas ainda não conseguem fazer sozinhas, como pensar em estilo, contar boas histórias e dar alma às imagens. A edição, por muito tempo tratada como uma tarefa operacional, passa a se consolidar como parte essencial do processo criativo.
O Veo 3 é, de fato, um marco nessa transformação. Ele entende pedidos complexos, constrói cenas com lógica interna e ainda sincroniza falas em diferentes línguas – vantagem que o coloca à frente de outros modelos como o Sora (da OpenAI) e o Kling (da ByteDance), que ainda não alcançaram esse grau de integração entre imagem, som e linguagem. Mas, mesmo com tanta sofisticação, o sistema precisa de alguém que saiba direcionar. E aí está o ponto central: o diferencial não está em operar a ferramenta, mas em saber o que pedir, como afinar o resultado e, acima de tudo, qual história se quer contar.
Essa virada já está em curso. Segundo a Grand View Research, o mercado global de edição de vídeo com apoio de IA deve crescer mais de 22% ao ano até 2030. E não se trata apenas de uma tendência futura. É algo que já movimenta milhões de pessoas. A plataforma Runway, por exemplo, registra mais de 5 milhões de usuários que usam IA em seus fluxos de trabalho criativo. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por cursos e formações voltadas à direção de conteúdo com IA, especialmente os que ensinam a criar prompts eficazes e a pensar o vídeo de forma mais conceitual.
No fim das contas, não é o ofício do editor de vídeo que está em risco. É a versão antiga dele. A IA não rouba espaço, mas empurra os profissionais para um novo lugar – menos na execução técnica, mais na construção da visão. Ainda que consiga gerar imagens impressionantes, a tecnologia continua precisando de alguém que pense com intenção, que saiba calibrar o tom certo, imaginar uma sequência que emocione, decidir o que entra e o que fica de fora. E isso, por enquanto, continua sendo uma tarefa humana, cada vez mais criativa e estratégica.
*Renato Asse é fundador da Comunidade Sem Codar, escola de No Code e IA com mais de 20 mil membros
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