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Do Instagram a viagem: como a internet está mudando a forma como decidimos o que comprar, seguir e conhecer
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 02/Outubro/2026
- Da Redação
Redes sociais, buscas com inteligência artificial e plataformas digitais estão encurtando a distância entre inspiração e decisão. Estudos recentes ajudam a explicar por que sinais de popularidade, qualidade da informação e confiança ganharam tanto peso na jornada do consumidor
Durante muito tempo, comprar um produto, escolher uma empresa ou planejar uma viagem pareciam decisões pertencentes a universos diferentes. Em 2026, porém, elas passam cada vez mais pelo mesmo lugar: a tela do celular.
Uma pessoa pode descobrir uma tendência no Instagram, abrir o Google para conferir se aquilo realmente vale a pena, comparar empresas e avaliações, conversar com uma inteligência artificial e, minutos depois, começar a pesquisar onde ficar nas próximas férias.
Esse caminho aparentemente simples esconde uma mudança profunda no comportamento digital.
A internet deixou de funcionar apenas como um grande catálogo de informações. Plataformas tentam antecipar interesses, selecionar conteúdos, reduzir incertezas e apresentar respostas cada vez mais próximas do momento da decisão.
O próprio Google vem adaptando seus sistemas a esse cenário. Em fevereiro de 2026, a empresa anunciou uma atualização do Discover voltada, entre outros pontos, a ampliar a presença de conteúdos originais, oportunos e aprofundados e reduzir materiais sensacionalistas e clickbait.
No Instagram, a transformação ocorre simultaneamente. A Meta informou que, nos Estados Unidos, 75% das recomendações da plataforma no quarto trimestre de 2025 já eram provenientes de publicações originais.
Na Busca, a inteligência artificial avança sobre outra etapa da jornada: entender exatamente o que a pessoa deseja. Em maio de 2026, o Google afirmou que seu Modo IA havia ultrapassado um bilhão de usuários mensais.
São movimentos diferentes, mas com uma característica em comum: a batalha digital está deixando de ser apenas pela atenção e passando a envolver atenção, confiança, contexto e capacidade de ajudar uma pessoa a tomar uma decisão.
A decisão começa antes da pesquisa no Google
Imagine alguém planejando férias.
Essa pessoa não necessariamente começa digitando o nome do destino em um buscador. A vontade pode surgir depois de assistir a um vídeo curto de uma família em Orlando, ver fotografias de um parque temático ou acompanhar o conteúdo de um criador.
Horas ou dias depois, aquilo que era apenas entretenimento pode virar intenção.
A partir daí começam perguntas muito mais concretas:
Quanto custa viajar?
Qual é a melhor época?
Onde vale a pena ficar?
É melhor hotel ou casa?
Quanto tempo se perde no deslocamento?
Quais empresas são confiáveis?
Esse comportamento ajuda a entender por que a expressão jornada do consumidor tornou-se mais complexa.
Em vez de uma linha reta entre anúncio e compra, existem inúmeros pontos de contato. A pessoa pode descobrir algo no Instagram, pesquisar no Google, assistir a um vídeo, consultar avaliações, voltar para a rede social, conversar com alguém e somente depois decidir.
Há evidência acadêmica para essa conexão entre conteúdo digital e viagem. Um estudo publicado em 2025 analisou 530 consumidores expostos a conteúdos simulados de Instagram relacionados a turismo. Os resultados indicaram que fatores como capacidade informativa e persuasiva do conteúdo podem influenciar etapas da decisão sobre destinos.
Isso significa que aquilo que aparece na tela não necessariamente determina uma escolha, mas pode participar da construção dela.
E é justamente nesse intervalo entre ver, acreditar, pesquisar e decidir que diferentes sinais digitais ganham importância.
Seguidores, confiança e prova social: por que os números chamam atenção, mas não contam toda a história
Em ambientes com informação abundante, o cérebro precisa encontrar atalhos.
Ao chegar a um restaurante desconhecido, por exemplo, uma fila na porta pode sugerir popularidade. No comércio eletrônico, milhares de avaliações podem funcionar como sinal inicial de aceitação. Nas redes sociais, quantidade de seguidores, comentários, compartilhamentos e visualizações exercem função semelhante.
É o território da chamada prova social.
No Instagram, o número de seguidores é uma das informações que podem ser percebidas antes mesmo de alguém analisar cuidadosamente dezenas de publicações.
Mas a ciência mostra uma situação mais interessante do que simplesmente “mais seguidores significa mais influência”.
Pesquisas recentes vêm encontrando diferenças entre popularidade, credibilidade, capacidade de aconselhamento e engajamento. Um estudo publicado em Telematics and Informatics, por exemplo, encontrou que liderança de opinião foi um indicador mais relevante de engajamento e propensão a seguir conselhos do que a popularidade isoladamente.
Outra pesquisa com 500 influenciadores concluiu que tamanho da audiência não estava associado, por si só, a maior rigor na avaliação da credibilidade das informações utilizadas por esses criadores.
Isso traz uma conclusão importante para marcas e criadores.
Estratégias envolvendo comprar seguidores brasileiros no Instagram precisam ser entendidas dentro de uma estrutura muito maior de posicionamento digital. Quantidade pode funcionar como um dos sinais visíveis de presença ou popularidade, mas não substitui conteúdo relevante, audiência compatível, relacionamento, consistência editorial, autoridade temática e engajamento verdadeiro.
Em outras palavras: o número chama a atenção; o conjunto do perfil determina o que acontece depois.
Esse princípio ganha ainda mais importância à medida que plataformas aprimoram seus sistemas de recomendação para identificar conteúdos capazes de manter o interesse das pessoas.
A própria Meta informou que aumentou em dez pontos percentuais a presença de conteúdo original entre as recomendações do Instagram nos Estados Unidos no quarto trimestre de 2025.
Para quem produz conteúdo, isso reforça uma mudança de lógica: construir presença digital sustentável significa combinar distribuição com algo que mereça continuar sendo consumido quando finalmente chega à tela.
O segundo momento da decisão acontece quando a curiosidade vira pesquisa
A rede social pode despertar o desejo.
Mas existe um momento em que o usuário começa a exigir respostas.
É aí que a pesquisa entra em cena.
Uma pessoa interessada em um tênis visto no Instagram pode pesquisar avaliações. Quem descobre uma clínica quer saber onde ela fica e qual é sua reputação. Quem encontra uma loja desconhecida pode consultar o nome da empresa antes de comprar.
A pesquisa funciona, nesses casos, como mecanismo de redução de incerteza.
O consumidor tenta diminuir a distância entre “isso parece interessante” e “estou confortável o suficiente para tomar uma decisão”.
Só que até essa etapa está mudando rapidamente.
Busca com IA muda o que significa ser encontrado — e aumenta o desafio para empresas
Em maio de 2026, o Google apresentou novos avanços da Busca baseada em inteligência artificial e informou que o Modo IA já superava um bilhão de usuários mensais. Segundo a empresa, o volume de buscas nesse ambiente vinha mais que dobrando a cada trimestre desde o lançamento.
A mudança é relevante porque a pessoa não precisa mais formular necessariamente uma consulta curta como:
“melhor tênis corrida”.
Ela pode fazer uma pergunta muito mais específica:
“Quero um tênis leve para correr três vezes por semana, tenho pisada neutra, corro no asfalto e quero gastar até determinado valor.”
Essa transformação altera também a disputa das empresas por visibilidade.
Uma Agencia de SEO que trabalha com e-commerce, por exemplo, passa a lidar com um ambiente em que otimização não pode se limitar a repetir palavras-chave em páginas de produtos. Arquitetura do site, informações claras, conteúdo realmente útil, autoridade temática, experiência do usuário e capacidade de responder às necessidades específicas de quem pesquisa tornam-se peças do mesmo sistema.
O próprio Google reforça que seus sistemas procuram priorizar informações úteis e confiáveis e recomenda que páginas apresentem conteúdo original, abrangente e criado prioritariamente para pessoas.
Para o comércio eletrônico, essa mudança pode ser ainda mais significativa.
O Google afirma que usuários realizam mais de um bilhão de atividades de compra por dia em suas plataformas e, em 2026, anunciou novas experiências ligadas ao chamado comércio agêntico, no qual sistemas de IA podem participar de etapas cada vez mais avançadas do processo de compra.
A consequência prática é simples de compreender:
ser encontrado continuará importante, mas ser compreendido pelas plataformas e útil para o consumidor tende a importar cada vez mais.
A nova jornada digital não termina quando alguém encontra uma resposta
Encontrar uma empresa ou produto não significa automaticamente comprar.
Depois da descoberta surge outra sequência de avaliações.
Preço.
Conveniência.
Risco.
Reputação.
Prazo.
Localização.
Garantia.
Experiência anterior.
Opiniões de terceiros.
É por isso que diferentes plataformas podem participar da mesma decisão.
O Instagram pode apresentar algo novo. O Google pode ajudar a investigar. Avaliações podem reduzir incertezas. Vídeos podem demonstrar uma experiência. Sites especializados podem responder perguntas que ainda permanecem.
O comportamento fica especialmente evidente em compras de alto envolvimento — aquelas que custam mais dinheiro, exigem planejamento ou têm consequências por vários dias.
Poucas situações ilustram isso tão bem quanto uma viagem internacional.
Das redes sociais para Orlando: quando inspiração digital se transforma em planejamento real
Orlando oferece um exemplo particularmente atual.
Neste 1º de outubro de 2026, o Walt Disney World completa 55 anos de sua abertura. Segundo a própria Disney, mais de 70 experiências foram inauguradas ou renovadas no complexo desde 2021.
Para milhões de pessoas, porém, a experiência começa muito antes de atravessar os portões de um parque.
Ela começa na tela.
Vídeos mostrando atrações, restaurantes, compras, hotéis, casas, roteiros e experiências familiares podem criar a primeira faísca.
Depois vem uma etapa menos cinematográfica — mas decisiva — de planejamento.
Passagens.
Documentação.
Transporte.
Dias de parque.
Alimentação.
Orçamento.
Hospedagem.
Nesse estágio, informação visual deixa de funcionar apenas como inspiração e começa a ser confrontada com necessidades reais.
Uma pesquisa publicada em Information Technology & Tourism em 2025 encontrou justamente evidências de que conteúdo de influenciadores pode participar de diferentes etapas da jornada do viajante, incluindo conhecimento do destino, avaliação e decisão.
Casa na Disney: a hospedagem mostra como uma decisão online se torna concreta
Quando o viajante começa a organizar Orlando, a hospedagem deixa de ser uma fotografia bonita e passa a envolver uma série de variáveis objetivas.
Quem pesquisa por uma casa na Disney ou por casas de temporada na região precisa comparar fatores como distância dos parques, quantidade de quartos, número de viajantes, cozinha disponível, privacidade, estacionamento, estrutura do condomínio, regras da propriedade, política de cancelamento e custo total da estadia.
É justamente nessa fase que a qualidade da informação ganha importância.
Uma família grande pode perceber que vários quartos e áreas comuns atendem melhor ao grupo. Outra pode priorizar serviços de hotel. Quem pretende preparar algumas refeições pode atribuir mais peso à cozinha. Já um roteiro extremamente intenso pode tornar localização e tempo de deslocamento prioritários.
Não existe uma solução universal.
Existe uma combinação de necessidades.
Esse detalhe ajuda a explicar por que a internet exerce tanta influência sobre decisões complexas: ela permite transformar uma intenção abstrata — “quero ir para Orlando” — em dezenas de comparações concretas.
E quanto maior o custo da decisão, maior tende a ser o incentivo para procurar informação adicional antes de confirmar a escolha.
O que Instagram, Google e uma viagem têm realmente em comum
À primeira vista, um perfil do Instagram, uma busca por uma loja e uma viagem para Orlando parecem assuntos distantes.
Do ponto de vista do comportamento, porém, eles podem fazer parte da mesma sequência.
Descoberta → atenção → interesse → validação → redução de incerteza → decisão.
O Instagram disputa especialmente as primeiras etapas.
A Busca ganha força quando surge necessidade de compreensão e comparação.
Sites, avaliações, mapas, vídeos e plataformas especializadas ajudam a preencher as lacunas restantes.
No turismo, a decisão finalmente se materializa em passagem, hospedagem, roteiro e experiências.
A tecnologia muda, mas existe algo profundamente humano por trás dela: pessoas querem tomar decisões sem precisar analisar infinitas informações.
Por isso utilizam sinais.
Popularidade pode ser um deles.
Autoridade pode ser outro.
Experiência de terceiros também.
Informação detalhada, reputação e familiaridade completam esse conjunto.
Nenhum sinal isolado é garantia de uma boa escolha.
O que importa é como eles se combinam.
Por que qualidade da informação está se tornando uma vantagem competitiva
Existe ainda outra transformação acontecendo.
Durante muitos anos, grande parte da internet foi organizada em torno da pergunta: como chamar atenção?
Agora surge uma segunda:
o que fazer com essa atenção depois que ela chega?
A própria direção tomada pelo Discover ajuda a perceber essa mudança. Na atualização anunciada em fevereiro de 2026, o Google declarou que pretende reduzir conteúdo sensacionalista enquanto amplia a exposição de material detalhado, original, atual e produzido por sites com experiência em determinado assunto.
Isso não significa que títulos deixaram de importar.
Significa que título e conteúdo precisam entregar a mesma promessa.
Uma manchete desperta curiosidade.
A imagem interrompe a rolagem.
Mas é a experiência depois do clique que determina se a atenção recebida tinha algum valor.
Para empresas, criadores e veículos, isso muda a equação.
Não basta aparecer.
É necessário fazer sentido quando alguém chega.
Da atenção para a confiança — e da confiança para uma decisão
A internet de 2026 está ficando simultaneamente mais rápida e mais complexa.
Algoritmos decidem o que mostrar.
Inteligências artificiais ajudam a organizar respostas.
Redes sociais despertam desejos que talvez não existissem minutos antes.
Buscadores reduzem a distância entre curiosidade e informação.
E decisões que antes exigiam horas de pesquisa podem começar em uma conversa ou em um vídeo de poucos segundos.
Ainda assim, existe uma constante.
Por trás de cada impressão, busca, clique ou reserva continua existindo uma pessoa tentando responder às mesmas perguntas básicas:
Isso é relevante para mim?
Posso confiar?
Vale a pena?
É nesse ponto que Instagram, Google, e-commerce e turismo finalmente se encontram.
A tecnologia pode mudar o caminho.
Mas a decisão continua dependendo da capacidade de transformar atenção em informação, informação em confiança e confiança em escolha consciente.
