Ciência
Especialista explica a diferença entre medo e fobia
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 03/Setembro/2025
- Da Redação, com assessoria
O medo faz parte da vida, inclusive como um mecanismo de defesa que ajuda, desde cedo, a proteger de riscos reais, como atravessar a rua ou evitar situações perigosas. O problema é quando essa relação com a realidade deixa de existir, domina o cotidiano e ganha outra dimensão, virando a fobia. Lucas Benevides, psiquiatra e professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), revela que a diferença é evidente, passando de um alerta de perigo para uma reação persistente e desproporcional.
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De acordo com o psiquiatra, a fobia é um medo intenso, persistente e desproporcional, que leva a evitar situações ou lugares e acaba comprometendo a vida social, profissional ou pessoal. A passagem do medo para a fobia acontece quando a resposta do corpo se torna exagerada. “Mesmo diante de estímulos inofensivos, a pessoa pode apresentar taquicardia, falta de ar, suor em excesso e sensação de pânico, como se estivesse correndo risco de vida. É quando a inteligência do medo perde o equilíbrio”, explica.
O desenvolvimento de uma fobia pode estar ligado, dentre outros fatores, a questões genéticas, uma vez que pessoas com parentes de primeiro grau que apresentam esse tipo de transtorno têm maior predisposição. O especialista, contudo, alerta que a genética não explica tudo. O ambiente, as experiências e os traumas têm papel decisivo. Em alguns casos, até observar outra pessoa passar por um trauma é suficiente para desencadear o mesmo aprendizado.
“O cérebro aprende por associação de experiências negativas, como a mordida de um cachorro, que fica registrada com forte carga emocional. Esse estímulo, então, pode ser interpretado como ameaça em qualquer situação futura, mesmo quando não há perigo real”, afirma Benevides.
Tratamento e reprogramação mental
Apesar de aparecerem de diferentes formas, entre as fobias mais diagnosticadas estão aquelas relacionadas a animais, ambientes fechados, altura, sangue ou voar de avião. O professor do CEUB também destaca a fobia social, marcada pelo medo intenso de interações e exposição pública, e a agorafobia, que se manifesta como o receio de estar em locais de onde seria difícil sair ou receber ajuda, geralmente associada a crises de pânico.
“O que acontece no cérebro explica por que a fobia é tão limitante. Em condições normais, o córtex pré-frontal controla a reação da amígdala, região ligada ao medo. Mas, nas fobias, a amígdala reage de forma exagerada a estímulos inofensivos, como se fossem letais, mantendo o corpo em alerta constante”, ressalta.
Para tratar fobias, o especialista destaca como tratamento mais eficaz a terapia cognitivo-comportamental, que usa técnicas de exposição gradual para reduzir o impacto do estímulo temido. Em alguns casos, é considerada a prescrição de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivo. “A fobia é uma distorção de um sistema protetor. Com acompanhamento adequado, é possível reprogramar esse circuito e recuperar a qualidade de vida”, salienta Benevides.
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