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Resumão da Semana

R$ 134 mi vale um filme com um imbecil soluçando Leite Moça?

  • Créditos/Foto:Divulgação / Dark Horse
  • 14/Maio/2026
  • Sérgio Vinícius

A galera é burra demais.

Por exemplo, eu estava tranquilamente me divertindo com assunto da semana passada (Ed Motta e a rolha que ele resolveu sentar) basicamente sem tomar partido ou criar juízo de valor. Simplesmente apreciando a situação, como quem vê o pôr do sol do acostamento do da Via Anchieta (preferencialmente, no KM 17,5).

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“Pô, não quis pagar a rolha.”

“Ah, jogou a cadeira que nem uma criança de 8 anos e não pegou em ninguém.”

“Eita, é o Ed Motta, que por é uma figura esquisita mesmo.”

E tá tudo bem.

Mas daí surgiram os áudios dele sendo extremamente preconceituoso, xenófobo e um monte de coisa que soa pior (veja você, PIOR) do que a música que ele faz e daí perdeu a graça.

Não se pode mais nem apreciar algo sem criar juízo de valor que vem a realidade e te pega de jeito. Seria mais ou menos como você estivesse vendo o pôr do sol do acostamento do KM 17,5 da Via Anchieta, somente apreciando, e o Sol começasse a cantar Manuel e jogasse uma cadeira em você.

Não tem como ficar do lado do Sol.

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O bom é que acontece tanta coisa no Brasil que nem deu tempo eu me decepcionar com não poder nem apreciar algo sem criar juízo de valor que pintou o Flávio Bolsonaro mendigando uns trocos (“coé, Vorcaro, faz um aqui para fortalecer”) e, da total apreciação sem juízo de valor, a vida foi emendando uma gargalhada após a outra.

A maior parte das pessoas se apegou aos valores (R$ 134 mi), à intimidade como ele trata Vorcaro (“irmão, estou e estarei sempre contigo”) ou como ele é quase gente como a gente (“vou gravar um áudio para ficar mais fácil” e “desculpe o áudio longo”).

Mas o que me chamou a atenção mesmo no caso todo é a questão artística da parada. Até o momento, já fizeram vários levantamentos de quão mais caro o tal Dark Horse foi do que outros filmes (por exemplo, do mais que, somados, O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui).

Só que estamos falando de arte (aliás, o que é arte?) e arte não tem preço. Quanto vale um filme para ver um pangaré deitado e soluçando Leite Moça enquanto, ao lado, pessoas bebem bactéria embalada em detergente?

Na mesma obra, alguns personagens cantam o hino nacional para um pneu. Pneu esse que pertencia a um caminhão que cruzou o Brasil com um patriota preso ao para-choque.

Mais para a frente, outros figurantes, em uma noite tranquila e em frente a algum quartel desse Brasil de meu Deus, colocam seus smartphones ligados na cabeça, com as lanternas piscando. Eles fazem sinais luminosos em direção ao céu enquanto pedem socorro e tentam se comunicar com ETs que, em tese, viriam salvá-los sabe Deus do que (da demência é que não seria, já que é tarde demais).

Há ainda espaço para comemoração de uma falsa prisão de Alexandre de Moraes. Em uma cena das mais emblemáticas, personagens começaram a chorar, se abraçar e pular de alegria após acreditarem que o ministro do STF havia sido preso em flagrante por fraude eleitoral.

O filme ainda conta com personagens vestidos com camisas da Seleção Brasileira ajoelhados no chão, chorando compulsivamente e rezando encostados nos muros de instalações militares. Ao mesmo tempo que, pelo Brasil, surgem clones e mais clones do Lula.

Esses clones, aliás, seriam compostos de duas turmas: os sósias (nada mais do que uns senhores barbudos) e pessoas usando máscaras de silicone ou de papel, de acordo com suas posses.

O filme encerra com um grande soluço final.

Se isso não vale R$ 134 mi, é porque não tem preço. Lembrando que, com esse valor, o Ed Motta poderia pagar a rolha do restaurante lá 1.340.000 vezes e fazer o que bem entendesse com elas de uma vez. O que vale mais?

Obviamente, o filme.

Mesmo porque, de volta ao áudio do Flávio Bolsonaro, a parte que mais me sensibilizou foi o momento em que ele se preocupa com o não pagamento no pessoal de Dark Horse. Vou até abrir aspas porque merece.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?”.

RENOMADÍSSIMOS.

Como se vê abaixo.

 

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