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Professores Destaque: Damares Gois é homenageada no mês de junho

  • Créditos/Foto:Arquivo Pessoal
  • 08/Julho/2026
  • Nathalia Carvalho

 

Publicado em 8 de julho de 2026

Junho é um mês em que o debate sobre inclusão escolar ganha força no Brasil. Desde a instituição da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (PNEEI), o governo tem reforçado que o direito à educação deve contemplar alunos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades, garantindo acesso, permanência e aprendizagem em condições de igualdade. Para viabilizar essa inclusão, o Ministério da Educação destinou R$ 1,2 bilhão a programas de apoio e formação de professores. Nesse contexto, Damares Sousa Gois Nascimento, pedagoga e psicopedagoga, foi escolhida como Professora Destaque em uma homenagem a educadores que fazem a diferença.

Entrevista

Pergunta: Damares, como você se sentiu ao ser escolhida como Professora Destaque justamente no mês em que se discute tanto a inclusão escolar?

Resposta: Fiquei honrada e emocionada. Trabalhar com inclusão sempre foi mais do que um emprego; é um propósito de vida. Ver essa pauta ganhar destaque nacional e receber essa homenagem me mostra que estamos no caminho certo. Como educadora, sempre defendi que inclusão não é apenas colocar o aluno na sala, mas garantir que ele aprenda, se desenvolva e seja respeitado. Isso exige formação contínua, suporte individual e adaptação de materiais.

Pergunta: Vamos voltar um pouco na sua história. Como começou sua trajetória na educação?

Resposta: Minha formação começou com a licenciatura em Pedagogia na Faculdade de Tecnologia e Negócios Carlos Drummond de Andrade, em São Paulo. Lá aprendi sobre o desenvolvimento infantil, o planejamento de aulas e a importância de práticas escolares inclusivas. Depois fiz uma pós-graduação em Psicopedagogia na Universidade Cruzeiro do Sul, com 600 horas, estudando cognição, diagnóstico e intervenção psicopedagógica. Também me especializei em alfabetização estruturada, análise do comportamento e inclusão de alunos com TEA e TDAH. Desde 2011, atuo em escolas de educação infantil e fundamental, sempre buscando adaptar métodos para atender alunos com necessidades diversas. Em 2020, durante a pandemia, fui reconhecida como Professora Destaque pelo uso inovador de uma plataforma educacional, o que me permitiu manter os alunos engajados e apoiá-los mesmo no ensino remoto.

Pergunta: Quais foram os principais desafios e aprendizados ao trabalhar com crianças autistas e com TDAH?

Resposta: O maior desafio é entender que cada criança é única. Trabalhar com autismo e TDAH exige sensibilidade, observação constante e criatividade para adaptar estratégias. Muitas vezes falta apoio adequado nas escolas, mas quando a equipe se une e há formação, os resultados são surpreendentes. Em mais de dez anos de experiência, aprendi que a inclusão verdadeira é uma construção diária, que envolve a família, a comunidade e, sobretudo, a vontade de ver cada aluno superar seus limites.

Pergunta: Você se tornou uma voz respeitada no debate nacional sobre autismo. Em 2026, o portal Brasil em Destaque te entrevistou sobre o tema. Qual foi a mensagem mais importante que você quis transmitir?

Resposta: Na entrevista eu destaquei que a inclusão precisa ir além da presença física. Disse que a escola deve investir em formação contínua de professores, oferecer suporte individual e adaptar materiais. Também ressaltei que trabalho com inclusão há mais de dez anos, então vejo a necessidade de uma abordagem mais estruturada: salas de apoio, acompanhamento especializado e estratégias que permitam ao aluno desenvolver suas habilidades e participar plenamente da vida escolar.

Pergunta: Atualmente você está nos Estados Unidos. O que tem feito por lá?

Resposta: Estou aperfeiçoando meus estudos em alfabetização estruturada e análise do comportamento, além de acompanhar práticas de inclusão em escolas americanas. No meu tempo livre, atuo como voluntária em duas igrejas de Orlando — a Assembleia de Deus Ministério do Belém e a Igreja Nova Esperança — onde participo de projetos voltados à inclusão de crianças e jovens com necessidades especiais. Coordeno grupos de jovens, planejo atividades e apoio famílias de imigrantes, aplicando os mesmos princípios inclusivos que aprendi no Brasil. Esse trabalho é uma forma de retribuir e continuar aprendendo.

Pergunta: O que você espera para o futuro da inclusão escolar no Brasil?

Resposta: Espero ver a PNEEI sair do papel e se tornar realidade em todas as escolas. Isso passa por investimentos em formação, contratação de profissionais especializados e mudança de mentalidade. Professores precisam ser valorizados e preparados, e as famílias devem participar ativamente. A inclusão é uma jornada conjunta, e estou confiante de que, com políticas públicas e o engajamento de educadores, veremos avanços significativos nos próximos anos.