Segurança
Quando jogar vira risco: a discussão global sobre crianças e Roblox
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 07/Abril/2026
- Da Redação
Com mais de 70 milhões de usuários ativos diários no mundo, segundo relatório financeiro da própria empresa, e forte presença entre crianças e adolescentes, o Roblox voltou ao centro do debate internacional sobre segurança digital infantil em fevereiro de 2026. A plataforma foi alvo de bloqueio estatal no Egito, enfrentou cobrança formal de autoridades australianas e viu repercutir no Reino Unido um caso policial envolvendo chantagem contra uma menina de 12 anos após contato iniciado no ambiente do jogo.
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O debate ocorre em um contexto de expansão do acesso precoce à internet. O celular é o principal dispositivo de conexão e, na maioria dos casos, o uso acontece dentro de casa. É respondendo a essa demanda que nasceu o livro “O Cibernauta em: a Super Senha Secreta”.
Criado por Daniel Meirelles, especialista em Segurança da Informação, e pelo economista Eduardo Argollo, a obra utiliza uma abordagem lúdica para tratar de segurança na internet e boas práticas digitais, com o foco preventivo e busca introduzir conceitos essenciais para o uso ético e responsável da tecnologia na infância. “A conectividade começa antes que a criança tenha repertório para compreender riscos. Se não houver mediação ativa, a exposição acontece sem filtro crítico”, diz Argollo.
Diante da pressão internacional, o Roblox anunciou em janeiro a ampliação da verificação obrigatória de idade para acesso a determinados recursos de comunicação, incluindo ferramentas de chat. Segundo comunicado institucional, cerca de 45% dos usuários ativos já concluíram o processo.
A medida, no entanto, abriu nova frente de discussão relacionada à coleta e ao armazenamento de dados sensíveis, além do uso de reconhecimento facial para validação etária. A sucessão de episódios revela que as respostas continuam sendo tomadas depois que o risco já se concretizou. “As plataformas investem em tecnologia, mas ainda operam muito no modelo de denúncia posterior ao dano. Quando falamos de crianças, isso é insuficiente”, afirma Meirelles.
Especialistas avaliam que a discussão global se organiza em dois eixos principais. O primeiro envolve segurança infantil propriamente dita, com foco em aliciamento, exploração, chantagem e limites da moderação automatizada. O segundo trata da privacidade e proporcionalidade das exigências impostas a crianças e adolescentes. “Não se trata apenas de bloquear conteúdo inadequado, mas de entender como esses ambientes são estruturados e quais incentivos oferecem para interação entre desconhecidos”, observa Meirelles.
Nesse contexto, cresce o espaço para a discussão sobre educação digital precoce como estratégia de prevenção, envolvendo famílias e escolas antes que situações de risco se consolidem. Argollo defende que o tema seja tratado como parte da formação básica. “Assim como a criança aprende a atravessar a rua ou a lidar com dinheiro, ela precisa aprender a se comportar em ambientes digitais. Isso reduz a probabilidade de exposição a riscos mais complexos no futuro”, ressalta.
Meirelles acrescenta que a prevenção depende de três frentes simultâneas: tecnologia eficaz, regulação proporcional e formação crítica desde cedo. “Se a criança aprende a não compartilhar dados pessoais, a desconfiar de pedidos incomuns e a procurar um adulto ao menor sinal de ameaça, parte do risco é mitigada antes mesmo de qualquer intervenção da plataforma”, diz.
Enquanto governos discutem novas regras e empresas ajustam seus sistemas de moderação, o avanço da conectividade infantil mantém o tema em evidência. O retorno do Roblox ao centro do debate internacional expõe a tensão entre inovação, liberdade de interação e proteção de menores – um equilíbrio que ainda está em construção no ambiente digital global.
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