Segurança
Saiba como proteger crianças e adolescentes dos golpes com IA
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 30/Setembro/2026
- Da Redação
A circulação de conteúdos manipulados por inteligência artificial já faz parte da rotina dos brasileiros. A pesquisa Painel TIC – Integridade da Informação, do NIC.br e do CGI.br, mostra que 41% das pessoas com 16 anos ou mais afirmam ter contato diário com deepfakes. Isto é, áudios, imagens e vídeos falsos criados com IA. Em um cenário em que este material se torna cada vez mais convincente, crianças e adolescentes estão entre os públicos mais vulneráveis a fraudes e golpes digitais.
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Para o engenheiro de computação Levi Nóbrega, CRO da Volund e CEO da Beyond, a familiaridade dos jovens com a tecnologia não significa que estejam preparados para reconhecer esses riscos. “Há estudos sobre o desenvolvimento do córtex pré-frontal que indicam que, antes dos 25 anos, a área do cérebro responsável pela avaliação de riscos ainda está em formação”, explica.
Nóbrega ressalta que, para muitos jovens, jogos e plataformas digitais são espaços de convivência e pertencimento. Essa conexão emocional pode reduzir a percepção de riscos e facilitar a ação de golpistas. Por isso, ele defende que a melhor estratégia de proteção é desenvolver o senso crítico e o letramento tecnológico desde cedo.
“Os jovens são extremamente fluentes em usar a tecnologia. Eles abrem aplicativos e dominam muitas interfaces, mas isso não é a mesma coisa que entender tecnologia. Eles são pilotos sem ter tido uma aula de mecânica. Não sabem o que está acontecendo ali debaixo do capô. Quando o ambiente é desenhado para ser viciante e extrair dados, ser fluente no uso não é suficiente e cria uma falsa sensação de segurança.”
Para ajudar pais e responsáveis a blindarem os jovens contra a coleta predatória de dados e as fraudes impulsionadas por IA, o especialista elenca seis dicas:
1. Entenda a diferença entre fluência e conhecimento
Saber operar um celular não significa compreender o seu funcionamento. O CEO da Beyond recomenda ensinar o jovem a trocar a pergunta de “como eu uso isso?” pela reflexão crítica de “o que isso está ganhando comigo?”. Ele ainda reforça que, se um aplicativo é gratuito, o pagamento está sendo feito com os dados do próprio usuário.
2. Cuidado redobrado com a biometria
Muitos jogos e redes sociais incentivam o compartilhamento de selfies, voz e impressões digitais. Os pais devem frear essa prática, pois dados biométricos são únicos. Nóbrega explica que “diferentemente de uma senha, você não pode trocar o teu rosto. Se a sua senha é exposta, você vai lá e muda. Se a sua biometria vaza, ela vazou para sempre”.
3. Comece a educação digital cedo
O especialista aponta que a introdução a esses conceitos deve caminhar em paralelo com a alfabetização tradicional, por volta dos quatro ou cinco anos de idade, quando o contato com as telas costuma se intensificar. Em vez de aulas formais, a orientação deve ser inserida na rotina por meio de estímulos práticos e hábitos simples. “Indagar a criança se um vídeo é de verdade ou como aquela plataforma escolheu aquele conteúdo ajuda a desenvolver um filtro crítico. Esse filtro funciona como um músculo que se fortalece à medida que é exercitado”, explica.
4. Entre no mundo deles (sem julgamentos)
Nóbrega argumenta que proibições e palestras formais já não surtem efeito na rotina de uma geração habituada à velocidade das telas. Para ele, o caminho mais seguro é que os pais entrem no universo dos filhos para criar um canal aberto de diálogo. “O aprendizado de tecnologia precisa ser consistente e sem julgamentos. Essa postura estimula o jovem a ter senso crítico e a usar isso como seu principal mecanismo de defesa”, completa.
5. Observe os sinais comportamentais offline
Os indícios de que algo está errado no ambiente digital frequentemente aparecem fora das telas. Nóbrega orienta que os pais devem ficar atentos a mudanças bruscas de humor após o uso de um aplicativo, excesso de segredo sobre com quem estão conversando, isolamento de amigos do convívio e alterações no padrão de sono.
6. Investigue os ambientes digitais que eles frequentam
A falta de transparência em plataformas populares acende um sinal de alerta para que os pais adotem uma postura mais. “Se o seu filho usa um aplicativo e você não consegue explicar em uma frase como ele funciona, é hora de investigar. Tente descobrir quem é o dono da plataforma, como ela ganha dinheiro, quais dados exige e se o controle parental oferecido é real ou apenas simbólico”, finaliza o especialista.
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