Carros & Mobilidade
Por que corridas por aplicativo ficam mais caras no fim do ano?
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 30/Dezembro/2025
- Da Redação, com assessoria
As corridas por aplicativo devem registrar alta demanda nas principais capitais brasileiras durante o período de festas e férias de fim de ano. O fenômeno pode se repetir anualmente com base nos dados do ano passado: em dezembro de 2024, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou aumento de 20,7% no valor do transporte por aplicativo dentro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o maior pico registrado no ano.
Entre julho de 2024 e julho de 2025, o transporte por aplicativo encareceu 44,5%. Brasília (DF) registrou a maior alta de preços de corridas por aplicativo em um ano, com aumento de 62,1% segundo o IBGE. São Paulo (SP) e Recife (PE) tiveram altas de 55% e 54%, respectivamente. Porto Alegre (RS) apresentou acréscimo anual de 50%, sendo que, só de janeiro a junho de 2025, o preço subiu 42,5% – a maior alta do País no semestre. Os combustíveis subiram 0,73% e a gasolina, 0,67% nos mesmos seis meses.
Entre as capitais, a paulista concentra aproximadamente 570 mil motoristas cadastrados na prefeitura para trabalhar com aplicativos, segundo dados de fevereiro de 2025. Parte desses profissionais recorre ao aluguel de carro de aplicativo em São Paulo como modelo de negócio para atuar no setor. A cidade deve registrar aumento de fluxo em pontos como os aeroportos de Guarulhos e Congonhas e os terminais rodoviários da Barra Funda e Tietê. Bares, restaurantes e residências também geram mais viagens nesta época.
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Motoristas faturam mais, mas repasses diminuem
Estimativas indicam que o faturamento dos motoristas aumenta em média 35% durante as festas de fim de ano, levando os profissionais a trabalharem por mais horas – e também a ter um maior ganho por hora. O diretor de Growth e Marketing da Kovi, Rodrigo D’Abbieri, informou que a empresa prevê crescimento de 20% na locação de veículos para motoristas de aplicativo durante o fim de ano.
Atrás do volante, os profissionais relatam que os reajustes não têm chegado ao bolso deles na mesma proporção. “Nos surpreende um aumento tão grande quando o valor dos repasses está tão baixo. O motorista tem recebido muito menos”, declarou ao Brasil de Fato em julho deste ano a presidenta do Sindicato dos Motoristas Particulares por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), Carina Trindade. Ela trabalha há oito anos como motorista. Quando começou, as empresas ficavam com 25% do valor de cada corrida. Hoje, a taxa varia de 40% a 70%.
Já o presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp), Eduardo Lima de Souza, relatou o exemplo de um passageiro que comentou que pagou R$ 94 por uma viagem pela qual ele, como motorista, recebeu R$ 54.
A categoria cresceu nos últimos anos. O IBGE divulgou em outubro de 2025 que o número de trabalhadores por aplicativo saltou de 1,319 milhão em 2022 para 1,654 milhão em 2024 – crescimento de 25,4%. Desse total, 824 mil atuam com transporte de passageiros. Em 2022, os trabalhadores por aplicativo representavam 1,5% dos 85,6 milhões de ocupados. Em 2024, a proporção chegou a 1,9% dos 88,5 milhões de ocupados.
O analista Gustavo Fontes, responsável pela pesquisa do IBGE, apontou que a possibilidade de escolher dias, jornada e local de trabalho atrai os profissionais. O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado em outubro de 2025.
Demanda sobe, mas oferta de motoristas não acompanha
A alta vem da demanda nas comemorações. Outro fator que pesa no aumento das corridas é o recebimento do 13º salário – com ele, mais pessoas optam por usar aplicativos em vez de transporte público, mas o número de motoristas disponíveis não cresce na mesma proporção.
O congestionamento intenso em cidades de apelo turístico também contribui para elevar o tempo das corridas. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, em dezembro de 2024, uma média diária de lentidão de 509 quilômetros na capital paulista. O índice foi o mais alto desde 2019, ano anterior à pandemia, quando chegou a 570 quilômetros por hora.
Para definir o preço das viagens, os aplicativos de corrida consideram distância, tempo de deslocamento, categoria do veículo e nível de demanda no horário e local. Em épocas que há mais pessoas se movimentando pelas cidades, o preço dinâmico pode ficar mais caro para incentivar o equilíbrio de oferta e demanda.
O combustível, essencial para a atividade, subiu 6,92% nos 12 meses até julho de 2025, segundo o IBGE. A alta foi quase sete vezes menor que a dos aplicativos. Em dezembro de 2024, o preço dos combustíveis cresceu 0,70% e caiu 0,42% em junho de 2025.
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