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Sem parar, sem falhar: o desafio da cobrança no Free Flow

  • Créditos/Foto:Divulgação/COMPSIS
  • 08/Maio/2026
  • Da Redação

A implantação do sistema de pedágio eletrônico Free Flow já deu início a uma nova e silenciosa corrida nas rodovias brasileiras. Mais do que instalar pórticos ou eliminar cancelas, o que está em jogo é quem possui a inteligência mais precisa por trás dessa operação. Afinal, no pedágio do futuro, não basta cobrar automaticamente, é preciso cobrar certo dos motoristas para que o sistema seja, enfim, encarado pelo usuário final como completamente positivo.

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Vale lembrar que o Free Flow é o modelo de pedágio em que o veículo passa sem parar e sem qualquer interação física com os trechos de cobrança. Nele, a confiança do usuário deixa de estar na estrutura e passa a depender integralmente da tecnologia. Mas isso tem levantado uma pergunta inevitável: quem ou que garantirá que o motorista não seja cobrado com erros?

É nesse cenário que a acurácia dos sistemas se transformará no epicentro da disputa por eficiência em mobilidade, alerta o engenheiro Ailton Queiroga, referência no setor e presidente da COMPSIS, empresa de tecnologia que atua há quase três décadas com Free Flow.

“No Brasil, onde as rodovias apresentam uma combinação desafiadora de fatores, como diversidade de veículos, placas desgastadas, luminosidade maior, diferentes configurações de eixos e condições operacionais complexas, atingir precisão não é mais apenas um diferencial técnico, mas uma exigência crítica do mercado”, ressalta Queiroga.

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) estabelece normas rigorosas para o Sistema de Arrecadação Automática de Pedágios nas rodovias paulistas. A multa para concessões rodoviárias por cada cobrança indevida pode chegar a R$ 50 mil. E a tolerância para erros em sistemas de cobrança automática também não podem superar 0,5%.

Há, contudo, quem já opere bem abaixo desse limite. Com sede em São José dos Campos (SP), a COMPSIS afirma alcançar índices inferiores a 0,2% em seu sistema de Free Flow, resultado sustentado por mais de 5 milhões de transações já registradas em ambientes reais no País. Um dos exemplos de portfólio mais recente da empresa é o Free Flow do Rodoanel Mario Covas, em São Paulo.

“O pedágio invisível exige um nível de confiança muito maior. Quando não há interação física, qualquer erro impacta diretamente a credibilidade do sistema. Por isso, nossa tecnologia foi desenvolvida para garantir máxima precisão desde a captura até a validação dos dados”, afirma Queiroga.

Diferenciais

A solução da empresa utiliza câmeras especiais, lasers e inteligência artificial embarcada para identificar múltiplos elementos simultaneamente: placas dianteira e traseira, número de eixos, incluindo eixos suspensos, tipo de veículo, além de características como cor e modelo. Essas informações passam por uma camada avançada de validação por IA, capaz de corrigir inconsistências e identificar possíveis falhas ou tentativas de fraude antes mesmo que a transação seja concluída.

“O grande desafio não está em identificar um veículo isoladamente, mas em interpretar corretamente o contexto completo da passagem, considerando variáveis que mudam o tempo todo. É aí que a inteligência artificial faz diferença”, explica Queiroga.

Essa precisão tem impacto direto tanto para o usuário quanto para as concessionárias. Para o motorista, significa menor risco de cobranças indevidas e mais transparência. Para as operadoras, representa redução de custos operacionais, já que diminui drasticamente a necessidade de revisões manuais nos Centros de Controle e Operação (CCOs).

“A automação só é eficiente quando vem acompanhada de assertividade. Caso contrário, o custo de corrigir erros pode ser maior do que o da própria operação. No pedágio do futuro, vence quem erra menos”, reforça o presidente da COMPSIS.

Outro ponto que ganha relevância nesse novo cenário é a origem da tecnologia. Em um mercado historicamente dominado por soluções importadas, o desenvolvimento de sistemas adaptados à realidade brasileira surge como vantagem competitiva. Além de maior aderência às condições locais, tecnologias nacionais permitem respostas mais rápidas, custos de manutenção mais baixos e evolução contínua baseada em dados reais do próprio País.

“Desenvolver tecnologia no Brasil nos dá uma leitura muito mais precisa das nossas rodovias. Não se trata apenas de inovação, mas de adequação. Cada detalhe, do comportamento do tráfego às características dos veículos, influencia diretamente na performance do sistema”, destaca Queiroga.

Experiência

Com presença em mais de 130 praças de pedágio, mais de 1.200 pistas ativas, 25 concessões de clientes e atuação em oito países, a COMPSIS acumula experiência internacional desde antes mesmo da popularização do Free Flow no Brasil. Ainda nos anos 2000, a empresa participou da implantação de sistemas semelhantes em Sidney, na Austrália, ao lado de grandes players globais, como Siemens e Philips.

Agora, com o avanço da modernização da infraestrutura rodoviária brasileira, a disputa deixa de ser visível e estrutural para se tornar essencialmente tecnológica. E, nesse novo cenário, a precisão será o principal ativo. “No pedágio invisível, confiança não é detalhe, é tudo”, finaliza Queiroga.

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