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Casa conectada: o que já funciona bem e o que ainda é promessa

Investir em dispositivos inteligentes para ter uma casa conectada é tendência entre os brasileiros. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em 2022, aproximadamente 14,3% dos domicílios com internet (9,9 milhões de residências) já contavam com algum equipamento do tipo. Em 2023, o percentual saltou para 16% (11,6 milhões de lares). 

Esse movimento de popularização de produtos como assistentes de voz, lâmpadas conectadas, robôs aspiradores e sistemas de segurança controlados pelo celular ajudou o setor de casas inteligentes no Brasil a alcançar US$ 2,68 bilhões em valor de mercado. De acordo com a consultoria IMARC Group, a expectativa é de que o segmento cresça 10,7% ao ano e atinja a marca de US$ 6,68 bilhões até 2033. 

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Casa conectada: o que já funciona bem

Atualmente, é possível encontrar diversos produtos smart para casas conectadas que já se consolidaram no mercado. Algumas tecnologias que funcionam bem e oferecem soluções práticas para automatizar o lar são:  

  • Lâmpadas e iluminação inteligente

Com preços relativamente acessíveis (é possível encontrar modelos de entrada na faixa de R$ 30), as lâmpadas inteligentes figuram entre as tecnologias mais populares e consolidadas quando o assunto é casa conectada. Com elas, é possível controlar a iluminação por aplicativo ou comando de voz (algumas linhas são integrados a assistentes como Alexa), ajustar intensidade e cores, além de criar rotinas automáticas para diferentes momentos do dia.

Os interruptores inteligentes, por sua vez, oferecem uma solução mais abrangente, pois automatizam pontos de iluminação sem a necessidade de trocar todas as lâmpadas da residência. A partir daí, dá para ligar e desligar luzes remotamente ou diretamente pelo interruptor, criar programações e integrar a iluminação a outros dispositivos da casa.

  • Assistentes virtuais 

Os assistentes virtuais também entram para a lista de tecnologias smart que funcionam bem atualmente. Dispositivos equipados com recursos como Alexa e Google Assistant permitem controlar luzes, tomadas, câmeras, eletrodomésticos e outros equipamentos por meio de comandos de voz ou aplicativos. Além disso, podem criar rotinas automatizadas, programar alarmes e até conversar com os usuários. 

Em 2025, a Amazon divulgou que 15 milhões de dispositivos Alexa eram usados mensalmente no Brasil, conectados a mais de 29 milhões de aparelhos de casa inteligente. No mesmo período, os equipamentos foram acionados para realizar mais de quatro bilhões de ações. 

  • Câmeras e dispositivos de segurança

Enquanto os sistemas mais antigos de câmeras exigiam equipamentos dedicados para gravação e o acesso às imagens dependia de estar fisicamente no local, as versões conectadas permitem acompanhar tudo em tempo real pelo celular, de qualquer lugar com acesso à internet. Além disso, alguns modelos atuais contam com tecnologias de ponta, como armazenamento de imagens na nuvem, função de detector de movimentos com envio de alertas e identificador automático de pessoas, animais e veículos. 

O melhor de tudo é que, em muitos casos, é possível integrar a atividade de uma câmera inteligente com outros sistemas de segurança da casa, como sensores de fechaduras e até alarmes inteligentes. 

  • Robôs de limpeza

As primeiras gerações de robôs de limpeza apresentavam alguns problemas irritantes, como o deslocamento desorientado pelos ambientes e a dificuldade para reconhecer obstáculos. Com o tempo, as principais opções disponíveis no mercado ganharam aprimoramentos e se tornaram grandes aliadas dos donos de casa. 

Hoje, é possível encontrar equipamentos que utilizam sensores não apenas para desviar de objetos, mas também para mapear os cômodos e até identificar áreas específicas, como tapetes. Além de aspirar a sujeira, alguns modelos atuais contam com função de passar pano, enquanto as versões mais avançadas são capazes de retornar automaticamente à base para esvaziar o reservatório de pó, lavar os mops e até realizar a própria secagem.

O que ainda é promessa ou precisa melhorar

Fazer com que todos os dispositivos inteligentes da casa funcionem em perfeita harmonia ainda é um dos maiores desafios da automação residencial. Apesar dos avanços do setor, muitos produtos continuam operando dentro de ecossistemas próprios, com aplicativos e configurações específicas. Na prática, isso significa que um equipamento pode não se comunicar adequadamente com outro de marca diferente, obrigando o usuário a recorrer a diversas plataformas para controlá-los individualmente. 

Iniciativas como o padrão Matter surgiram justamente para tentar unificar o setor e facilitar a interoperabilidade. A ideia é estabelecer uma linguagem comum para que produtos smart como lâmpadas, fechaduras, sensores e assistentes virtuais possam se comunicar de forma confiável, integrada e simples, independentemente da marca. Embora o número de dispositivos compatíveis esteja crescendo rapidamente, a adoção do padrão ainda é gradual e não engloba equipamentos mais antigos.

  • Eletrodomésticos autônomos

A ideia de eletrodomésticos capazes de tomar decisões e realizar tarefas sozinhos ainda está mais próxima de uma promessa do que da realidade. Há, sim, geladeiras, fornos, máquinas de lavar roupas e outros equipamentos com recursos inteligentes, mas eles ainda dependem de intervenção humana para funcionar adequadamente. 

Os principais projetos relacionados ao tema incluem desde refrigeradores que conseguem sugerir receitas com base nos alimentos armazenados e alertar quando determinados itens estão acabando até máquinas de lavar roupas que reconhecem automaticamente as cargas e indicam ciclos de acordo com as peças que serão lavadas. 

  • Segurança e privacidade de dados

Itens como câmeras, assistentes virtuais, fechaduras eletrônicas e sensores registram um volume significativo de informações pessoais, hábitos de uso, horários e até interações por voz. Com tantos dispositivos coletando esses tipos de dados, cresce a preocupação em relação a temas como segurança digital e privacidade.

Apesar dos investimentos de empresas do ramo em recursos de proteção, dispositivos conectados continuam expostos a riscos cibernéticos. Falhas de software, atualizações não realizadas e o uso de senhas pouco seguras podem comprometer a proteção desses equipamentos, criando oportunidades para invasões e acessos não autorizados. 

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