Bitcoin Cash: entenda o que é a nova  divisão da criptomoeda e como isso impactará sua vida Bitcoin Cash: entenda o que é a nova  divisão da criptomoeda e como isso impactará sua vida

O Bitcoin é uma moeda virtual criada com o intuito de ser o dinheiro nativo da internet. Há oito anos em circulação, a primeira aparição ocorreu por meio de Satoshi Nakamoto, um codinome que, até hoje, ninguém sabe se representa uma pessoa ou um grupo. E mais: também não há indícios de sua nacionalidade e seu país de residência.

Por conta desse anonimato, o Bitcoin se tornou uma tecnologia controlada pelos internautas. E, como era de se esperar, uma hora estes desenvolvedores iriam discordar sobre algum ponto. Esse racha apareceu no dia 1º de agosto. Um grupo que não concordou com novas medidas para a moeda acabou se separando e criou o Bitcoin Cash, um desmembramento do dinheiro virtual.

Para saber mais sobre o Bitcoin Cash e o impacto no mercado atual, o 33Giga conversou com Rodrigo Batista, CEO do Mercado Bitcoin, site referência em cotação da moeda no Brasil. A seguir, confira o bate-papo na íntegra.

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Crédito: Divulgação
Rodrigo Batista, CEO do Mercado Bitcoin

33Giga: Como ocorreu a divisão entre o Bitcoin e o Bitcoin Cash?
Rodrigo Batista: Para entender o motivo do desmembramento, é necessário voltar à criação do Bitcoin. Quando a moeda nasceu, foi acordado que apenas quatro pagamentos poderiam ser feitos por segundo. A ideia era de que a rede não ficasse congestionada. Só que, com a popularidade do dinheiro, esse número já não suprimia a demanda. Os desenvolvedores começaram a procurar soluções que tivessem a capacidade de compreender todos os usuários. Mas eles não conseguiam chegar a um consenso. Então, um grupo majoritário disse que a partir de 1º de agosto seria adotada a técnica Segregated Witnesses (SegWit). Aqueles que não concordaram, dividiram a moeda e criaram o Bitcoin Cash. O Bitcoin tradicional passou a ser chamado de Bitcoin Core.

33Giga: O que é a SegWit e por que alguns desenvolvedores não concordaram com a medida?
RB: A principal mudança que a SegWit traz é em relação as transações. Quando o Bitcoin foi criado, ele disponibilizava 1 MB para pagamento a cada 10 minutos. A nova técnica manteve a capacidade intacta, mas diminuiu o tamanho das transações realizadas com Bitcoin Core. Assim, é possível fazer mais do que quatro pagamentos. O grupo que criou o Bitcoin Cash, entretanto, defendia a medida de aumentar a capacidade. Tanto é que a nova moeda oferece 8 MB a cada 10 minutos.

33Giga: Como o Bitcoin Cash foi inserido no mercado?
RB: No momento da divisão quem possuía Bitcoin passou a ter o mesmo saldo em Bitcoin Cash. Assim, a moeda já chegou ao mercado com 16 milhões de unidades emitidas – mesma quantidade do dinheiro tradicional.

33Giga: Isso significa que, da noite para o dia, os proprietários de Bitcoin ganharam outra moeda sem precisar fazer nada?
RB: Sim. E isso é mais comum do que parece. No mercado financeiro é bem normal encontrar empresas que se dividem em duas. Um exemplo é o caso da TAM com o Multiplus. A companhia aérea decidiu se separar do programa de pontos. Quando houve a segregação, quem tinha uma ação da TAM automaticamente recebeu uma ação da Multiplus. O mesmo ocorreu com o Bitcoin.

33Giga: Então, já que o Bitcoin Cash é uma moeda digital independente, ele entra no mercado para concorrer com o Bitcoin Core?
RB: Sim, mas isso só será comprovado no longo prazo. Por enquanto, o Bitcoin Cash é apenas uma aposta. Ele está sendo negociado por cerca de US$ 350, enquanto o Bitcoin Core atingiu o preço recorde de US$ 3.400. Vale destacar que, por conta de sua cotação, é mais fácil que o Bitcoin Cash concorra diretamente com outras criptomoedas, como Ether, Litecoin e Dash.

33Giga: Qual a perspectiva para o Bitcoin Cash no futuro?
RB: O Bitcoin Cash é uma moeda que tem potencial, já que possui apoio de muitos grupos chineses – e a China por si só é um mercado gigantesco. No Brasil, o dinheiro ainda não chegou com força. Isso porque, por enquanto, só é possível comprá-lo no exterior. O Mercado Bitcoin será a única companhia no País a negociar a criptomoeda. Quem tiver interesse poderá adquiri-lo a partir de 21 de agosto.

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